O PSDB tem dois candidatos lançados à presidência do Diretório Regional na Convenção Estadual marcada para o dia 17 de abril: Leonel Pavan e Marcos Vieira. O deputado está no ninho desde a eleição do falecido Mário Cóvas, em 1989. Filiou-se em 1995, integrando o Diretório de Florianópolis. O ex-governador entrou em 2000 e conquistou os mandatos mais importantes, até ser flagrado na Operação Transparência da Polícia Federal.
No palco, a disputa tem apenas retórica pela unidade. Nos bastidores, a candidatura de Pavan recebe “elogios” que incluem até expressões impublicáveis. O PSDB saiu-se mal na eleição de 2010 e foi o maior prejudicado na formação do governo Colombo, perdas debitadas ao comando de Pavan. Na campanha, estava na tríplice aliança, mas fazia o jogo do PP de Ângela Amin. Dizia-se serrista, mas os comitês presidenciais não funcionaram no Estado. E ficou sem diálogo com Colombo, deixando os tucanos na praia. Gervásio Silva é o vice-presidente, mas está distante do processo. Beto Martins, o secretário geral que conduziu com competência a convenção de julho, enfrenta crise na Prefeitura de Imbituba, com a saída do DEM. Já disse que não disputa a presidência, externando apreensão com o futuro do partido.
Pavan continua sendo o mais forte candidato. Mas, eleito e na presidência, poderá ter que prestar depoimento na Vara Criminal de Itajaí. Continua respondendo a denúncia do Ministério Público Estadual por corrupção passiva e formação de quadrilha no caso Arrows. A disputa entre Pavan e Vieira poderá provocar outro fato político no partido: o surgimento de um terceiro nome. Há cogitações sobre o senador Paulo Bauer, liderança ascendente que só aceitaria o desafio se fosse indicado por consenso. E, como recurso extremo, o atual presidente da Casan, Dalirio Beber, que desfruta de uma condição única no PSDB. Nunca teve mandato, mas mantém uma liderança inquestionável. Até a convenção, os tucanos terão duas opções: ou recuperam o vôo da unidade ou sairão ainda mais depenados.