Mensagem remetida pela leitora e internauta Grasiela Monteiro Epping, 29 anos, professora efetiva de inglês em Biguaçu, formada em Letras pela UNISUL, especialista em práticas pedagógicas interdisciplinares, sobre o movimento do magistério:
“Sou professora e, como muitos, não trabalho só por dinheiro, trabalho por uma causa. Lendo isto, muitos demagogos de plantão poderiam perguntar: “Mas, então, por que estás em greve? “Se não o fazes por dinheiro, por que o fazes?” A greve, como muitos pensam, não está aí para ficarmos em casa descansando (ah, quantos “Malandros, vão trabalhar!” eu já ouvi durante nossos protestos e manifestações), ou puramente para pedir mais dinheiro.
A greve formou-se por uma questão de justiça. Justiça não só pelo professor que precisa ser mais valorizado, mas justiça para a sociedade, que precisa de professores melhor preparados! E como preparar-se sem dinheiro? Como eu, uma professora de inglês, filha de professora, nunca fui ao exterior? Meus alunos merecem isso! A sociedade catarinense, e brasileira, merece professores mais cultos, que tenham tempo e dinheiro pra ler, assistir uma peça de teatro, ir ao cinema e poder compartilhar com seus alunos, instigar a avidez pela cultura nos adolescentes que hoje, na maioria das vezes, isolam-se num mundo virtual, aproveitando apenas o lado pobre que este oferece.
Precisamos de professores melhor valorizados, pois as crianças espelham-se neles. O professor acaba virando referência, principalmente, na falta de harmonia familiar. E que referência os políticos querem para nossa sociedade?Um governador que não cumpre a lei?A de um professor que trabalha 60 horas semanais e que mal tem tempo para cuidar-se? Ou a de um professor disposto, que conhece o mundo e que pode despertar o gosto pelo estudo através do exemplo? Afinal de contas, não há exemplo melhor do que um professor feliz e interessante provando que estudar vale a pena. Irrita-me profundamente o governo insinuar que não pagará o valor do piso no plano de cargos e salários: que valorização da educação é essa? É a mesma coisa que dizer: “Estudar, pra quê? Um professor não precisa fazer especialização, mestrado, doutorado. Ele não será reconhecido por isto.”
Fazemos greve para que todos saibam que com estudo e dedicação podemos chegar aonde quisermos sem fazer mal a ninguém. Fazemos greve para que sejamos exemplo para a geração futura aprender a lutar pelos seus direitos. Para que os alunos de hoje, alguns futuros professores, não precisem fazer greve. Fazemos greve para que, no futuro, a segurança e saúde pública tenham o reflexo da sonhada melhora da educação. Porque, poucos veem isto, mas, a melhora da educação, a longo prazo, reflete na melhora do nosso estado, do nosso país.
Muitos podem dizer: mas, se és tão ávida por mudança, por que não entras para política? Simples, porque como educadora eu posso mudar muito mais. Porque como educadora eu posso juntar mais vozes neste meu grito desesperado de socorro. Porque como educadora eu posso encher um congresso nacional ou assembleia legislativa de pessoas politizadas como eu. Demora, mas não tenho dúvidas que conseguirei. Enquanto isso, eu e meus colegas vamos fazendo nosso papel: o de lutar para que nossos salários e a educação melhorem.”