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"Escravos de Jó"

18 de junho de 2011 6

“E a greve se inicia.
Até então, estávamos na zona de conforto, o governo nos cozinhando em banho maria. Primeiro afirmou já pagar o piso, depois afirmou a intenção de pagar, mexeu e remexeu na nossa tabela salarial, “esculhambou” nosso plano de carreira, que confesso, já não é grande coisa. A sensação é que estamos naquela brincadeira antiga “escravos de Jó” aonde as pedras vão e voltam de acordo com a musica.
Escravos de Jó
Jogavam Caxangá
Tira,
Põe,
Deixa ficar
E assim foi, tira regência, diminui aula excedente, uma proposta pior do que a outra! Nos jornais, Nós, professores, somos vilões. “Coitadinhas das criancinhas 20 dias sem aulas, os professores não aceitam o piso e toda a generosidade do governo.” Professores maus!
Mas a verdade é, estamos cansados! Irritados, até! A cada proposta a irritação aumenta. Não entramos em greve pra brincar! Não entramos pra mexer em nosso plano de carreira, entramos por um direito garantido por lei. Lei aprovada pela maioria no senado. E, ainda mais, esperamos dois anos para vê-la cumprida. Dois anos até que fosse julgada pelo supremo tribunal federal!
Nossa regência de classe e “todos os penduricalhos” que estão na nossa folha de pagamento são direitos, são conquistas adquiridas ao longo de muito tempo!
Se, Santa Catarina, quinto em arrecadação no Brasil, não tem como pagar a tabela salarial estipulada pelo MEC, quais estados têm? Pra que então existir uma tabela? Pra que criar uma lei que não será cumprida?
A greve inicia-se verdadeiramente, hoje! Sinto muito senhores pais. Sinto muito pelos meus alunos. Mas, sentiria muito mais se não estivesse lutando pelos meus direitos. Pelo direito de ver uma lei cumprida! Pra ver ser feito justiça a uma categoria tão importante quanto é a minha, os professores!
É uma luta histórica, e é sim por melhorias na educação, só manteremos os bons professores nas escolas públicas se tiverem salários dignos! Acredito que a comunidade não ficará ao nosso lado. O que é uma pena! Seria uma bela lição de cidadania a todos! A imprensa na verdade deveria ser imparcial, e normalmente, quando não é, não fica ao lado do trabalhador!
Então, lutemos nós, solitários, com as armas que temos: Dignidade, união e indignação! Não estamos pra brincadeiras nem para “negociar” só queremos que a lei seja cumprida sem que nenhum dos nossos direitos suprimidos!
Vamos continuar nossa luta contra os moinhos de vento!
Profª: Patrica Reis. E.E.B. Bulcão Viana, Praia Grande.”

Comentários

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Comentários (6)

  • Karla Goularte diz: 18 de junho de 2011

    É isso aí!!! A GREVE CONTINUA!

  • Lucia Ferreira diz: 18 de junho de 2011

    Isso, mas mtas vezes precisamos nos conter, é muita injustiça, muito sinismo por parte daqueles que deviam ser nossos representantes, afinal democracia não é governar pelo povo e para o povo?

  • Maria Loni diz: 18 de junho de 2011

    Desabafo de uma professora aposentada!
    É emocionante e louvável este blog, nobre jornalista Moacir!Acompanho o mesmo diretamente, atualizando-me devido a greve dps professores, e me emociono com diversos depoimentos e relatos dos sofridos mestres de SC.
    Que bom Moacir, que tem pessoas neste Estado, que deixam um espaço para os profes colocar suas angústias, sua decepção, sua realidade. PARABÉNS e que Deus te abençoe e recompense por isto.
    Também estou com um nó preso na garganta e preciso compartilhar!
    Ingressei no magistério de SC, na década de 70, através de concurso público.Atuei sempre em séries iniciais, precisamente primeira série. Alfabetizei durante quase 26 anos, sempre em sala de aula. Naquela época, não havia pré-escola nem crêches na minha cidade no interior.
    Era enorme a minha alegria de encontrar cada manhã e cada tarde, aqueles aluninhos, crianças lindas, cheias de entusiasmo e energia, com seus lindos olhinhos azuis, verdes e pretos me olhando carinhosamente.
    A gente era para eles, mãe, pai, enfermeira, artista, merendeira, palhaça, psicóloga. Ria e chorava com eles.Guiava-lhes a mãozinha, amarrava seus cadarças, procurava seus chinelos, pegava-os no colo cantava e rezava com eles.
    Nossaaaaaaa que alegria , que emoção que antes da metade do ano ja liam as primeiras palavras! Era gratificante! Era maravilhoso!No decorrer dos anos, a gente se aperfeiçoou, preocupados com o crescimento dos alunos em todos os sentidos, fizemos cursos de capacitação em alfabetização, mais que 500 hs. Eram finais de semana, era semana toda , eram nas férias. e com estes cursos, tivemos promoção na carreira ( e agora… não tem mais valor pelo governo) Naquela época não teve tecnologia, nada informatizado, levei para casa as tais de ” fichas cumulativas”, que eram preenchidas a mão, com os dados de acompanhamento de cada aluno, eram boletins preenchidos, cadernos, cartazes, material pedagógico, só havia mimiógrafo no colégio.
    Tive 3 filhas pequenas naquela época que diziam para mim a noite: mãezinha, brinca conosco: desenha para nós; e eu: calma filhas, a mãe precisa fazer isto agora para os alunos!
    Minha doce e eterna mãe( in memoriam) dizia para mim: filha, você deverias dar mais atençaõ para tuas filhas em vêz de se preocupar demais com os filhos dos outros! Meu marido também é professor, e deixamos nossos filhos com a vó, tia e sobrinhos.
    Os diretores dos colegios e das ” Ucres” diziam: vocês vão ser valorizados um dia bem por estarem em sala de aula!
    No entanto, tivemos que fazer greve ja naquela época para conseguir o percentual de regência de classe, 40%! Ôba, conseguimos! Que felicidade, ver no contracheque este valor, no pequeno salario!
    O nosso salário estava até bom na década de 80, para nós dois eram 18 salários mínimos! Hoje vejo com a maior tristeza e decepção que recebemos juntos ainda pouco mais que 5 salarios!! Além disso, os direitos adquiridos no plano de carreira, e a redução drástica da regência de classe tão arduamente adquirida, agora nos é tirada por um governo desumano, sem coração, isto acaba com a alegria de viver dos professores!
    Hoje ja não temos mais filhos em casa, somos aposentados. Tanto queríamos viajar pelo Brasil afora, conhecer a Europa, tantos sonhos…. mas quem destrói estes nossos sonhos????? não preciso responder , me calo, me emociono, me entristeço!
    Será que tem justiça ainda no nosso país? no nosso Estado? está na hora de agir! Onde estão nossos representantes da Alesc? vamos acabar com os desvios que iriam para a Educação!
    Mas tenho grande orgulho também, o que me consola, me motiva, me dá energia de viver é saber que as sementes que lancei, produziram frutos, belos frutos! As ” pequenas crianças” os meus ex-alunos queridos, atuam hj como medicos, dentistas, advogados, empresarios entre outros tantos, e também muitos ex-alunos meus, digo com grande orgulho, são professores hoje, profissionais comprometidos com a educação, estão hoje na luta , na rua, na mobilização do magistério de SC
    Um grande abraço– Maria Loni R. Schaefer- Ipora do Oeste -SC

  • Marciana diz: 18 de junho de 2011

    Pois é, Senhor Moacir….nós professores convidamos a sociedade para visitar a nossa escola…ou melhor…nossos deputados, senadores…aqueles que também uma migalha para ficar sentados numa sala com ar-condicionado…venham…vejam a realidade que o governo esconde….e nossos (alguns) gestores de escola são coniventes

  • Rosangela diz: 18 de junho de 2011

    Como a bricadeira é Escravos de Jó, entra – sai também é verso utilizado. Portanto, Curitibanos entra na greve dia 18 de maio, sai da greve dia 16 de maio às 15 horas e entra em greve novamente no nesmo dia 16 às 16 horas. Definitivamente entamos em greve de novo desde o dia 17 de maio ãs 15:30. Motivo: colegas em desespero porque perderiam até 140 reais, com a diminuição das aulas excedentes que nós professores só pegamos essas aulas para ajudar a escola para que o trabalho fique mais coeso. e muitas vezes nos obrigamos a pegar porque as aulas que sobram não se permite a contratação de outro profissional. Com isso também ficamos sobrecarregados. Por favor se alguém lembrar de mais algum fator que nós leve a trabalhar mais (e sei que tem) poste neste blog que tem sido nosso chá de maracujá (calmante).

  • Rodrigo diz: 18 de junho de 2011

    Quem lutará por nossos direitos? Nào serão os pais, nem imprensa ou muito menos o governo. Nós professores é que damos a cara para bater, e nessa hora é que realmente distinguimos quem está a favor da educação e quem não está nem aí. Parabém a todos que estão batalhando.