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Posts do dia 29 julho 2011

Aluna defende profissão de professor

29 de julho de 2011 13

Depoimento da aluna Thayná Monteiro, da EEB. Profª Maria Garcia Pessi, de Araranguá:

Estou decepcionada, não, não com a greve, pois acho que lutaram por uma causa mais que justa, lutaram por uma lei, a lei da educação. Estou decepcionada por muitos de vocês estarem desvalorizando a sua própria profissão. Nessa volta as aulas todos os professores falaram sobre a greve, vários desprezavam sua própria profissão, o professor. Tá, tudo bem, mas ai eu pergunto, qual será a próxima geração de educadores? Quem irá dar aulas aos nossos filhos? O Brasil está andando pra trás, daqui a 20 ou 30 anos, quem sabe, as aulas serão em casa, como antigamente. É o mundo, ou melhor, o Brasil e mais especificamente Santa Catarina esta regredindo a evolução.

Não é irônico? O Brasil está em 85º lugar na educação, e ninguém está se lixando pra isso. Já no futebol o Brasil ficou em 8º melhor do mundo e todos ficaram tristemente revoltados.

Professor… Existe alguma profissão melhor? Todos passam por professores: jogadores de futebol, advogados, médicos, dentista e até mesmo juiz, TODOS passam pelo professor. Professores no início de suas jornadas ganharam um dom, o dom de ensinar e ao longo da jornada o aperfeiçoam ainda mais. Eu tenho muito orgulho, de todos meus professores, e tenho gratidão eterna por todos os meus mestres, desde os professores do pré-escolar até os de hoje. E o que fez eu me orgulhar ainda mais, foi depois da luta, dessa batalha (não vou dizer batalha perdida, pois nada está perdido, os bons sempre vencem, e nós sabemos quem são os bons nessa história, também não vou chamar de batalha não conclusa, por que cada passo que deram, cada lágrima que derramaram não foi em vão, creio que isso os fortaleceu e fortalece cada vez mais), vocês entrarem na sala sorrindo, de cabeça erguida, isso foi o melhor presente que um aluno pode ganhar, pois vemos a esperança em seus olhos.

Então professores nunca digam ao seus alunos que não vale a pena ser professor, que não vale apena se aperfeiçoar nessa área, porque ser professor é ser tudo, é ser muito mais. Muitos alunos, principalmente de 2º e 3º ano, então em cima do muro, eles não tem certeza do que fazer, e falando isso vocês vão fazer eles cair para o lado errado do muro, pois seus sonhos vão ser acabados e suas esperanças abaladas.

Quero que saibam que sempre vou estar do lado de vocês professores, pois vocês me ensinaram a ler, a escrever, a ter minhas próprias ideias, vocês me educaram, e nunca desistiram de mim, toleraram minhas conversas e minhas brincadeiras, foram rígidos quando preciso. Vocês não me ensinaram apenas as matérias de matemática, português, história, geografia ou essas outras pelas quais estão no boletim, mas vocês me ensinaram uma matéria que nunca vou esquecer vocês me ensinaram a matéria VIDA.

Obrigada professores. Peço algo a vocês, peço que nunca desistam dos seus objetivos, nunca desistam do ensino, nunca desistam do Brasil, pois é só acreditando e fazendo acontecer que tudo se torna real.

Repúdio a turno intermediário

29 de julho de 2011 8

Texto assinado pela Comunidade da Escola de Educação Básica Carlos Techentin, em Blumenau.

A comunidade escolar da EEB Carlos Techentin vem a público apresentar seu descontentamento com a implantação do turno intermediário na referida escola. Para que se possa compreender a criação desse turno, faz-se necessário voltar no tempo, ao fatídico mês de novembro de 2008.

Por ocasião das chuvas constantes que assolaram a região do Vale do Itajaí no mês de novembro de 2008 – provavelmente, o momento mais crítico que está região já vivenciou – Blumenau enfrentou uma enchente que provocou estragos na cidade como os deslizamentos de terra de morros da região, levando abaixo casas e pessoas. A triste realidade era de grande destruição material e perdas de vidas humanas, alem disso a população sofreu também com a falta de água e de alimentos.

A situação na qual se encontrava a cidade e a região ficou conhecida como “A catástrofe”, o evento foi noticiado no Brasil e no mundo e assim a população de Blumenau pode receber a ajuda voluntária de um interminável número de pessoas que deixaram sua casa e famílias para ajudar a população a reerguer a cidade. Muitos foram os incentivos: liberação de recursos do FGTS, empresários que se organizaram e mobiliaram casas, emissoras de televisão que organizaram campanhas de arrecadação de dinheiro, mas nada poderia ser reerguido sem a participação do poder público. Este se viu obrigado a organizar a cidade de forma estratégica para que uma nova catástrofe não afetasse novamente a cidade. Assim um convênio entre a Prefeitura Municipal, o Governo do Estado de Santa Catarina e o Governo Federal deu início a construção de condomínios habitacionais para receber as famílias atingidas que estavam morando em abrigos comunitários. Um dos bairros escolhidos foi o Passo Manso, que por ter sua geografia privilegiada tornou-se a melhor opção para abrigar os novos moradores.

Neste contexto a Escola de Educação Básica Carlos Techentin surgiu como a melhor opção para receber os filhos das famílias que teriam suas residências no bairro Passo Manso. Em janeiro de 2009 a direção e os professores da escola começaram a se articular vislumbrando a possibilidade real da ampliação física da unidade escolar. Na época contava com aproximadamente 600 alunos. Considerando que o número de famílias atendidas no condomínio, do programa do governo federal “Minha casa, minha vida”, seria de aproximadamente 500, era visível a necessidade de ampliação ou até mesmo a construção de uma nova escola.
No entanto, durante os anos de 2009 e 2010 a comunidade do bairro Passo Manso e a comunidade escolar do Carlos Techentin presenciaram o andamento da obra de construção do condomínio sem que nenhuma intervenção significativa fosse realizada no bairro; não se ampliou o número de vagas na creche municipal, não se ampliou o número de vagas nas escolas de educação básica da rede municipal, não se ampliaram as opções de lazer. O bairro afastado do centro, mas com excelente topografia continuava a não merecer um olhar digno dos poderes públicos.

A parte toda esta situação apresenta, em 9 de junho de 2011, com a presença da Presidente Dilma Rousseff, o condomínio foi entregue às famílias atingidas pela catástrofe. Uma vida nova e com segurança e dignidade não era mais uma promessa e sim uma realidade. No entanto, ao procurar vaga nas escolas para matricular seus filhos, as famílias se deparam com um novo problema: não há vagas.

A solução apresentada às famílias foi a implantação do turno intermediário. Assim poderão matricular seus filhos, eles ficarão na escola pelo período máximo de 3 horas e 30 minutos; a opção dada pela Secretaria de Estado da Educação é de que os alunos frequentem à escola mas, será que terão as condições mínimas que os documentos oficiais de educação garantem? Os alunos já matriculados na Unidade Escolar também terão suas aulas reduzidas, sendo que o turno matutino terá início às 7 horas e 10min e terminará às 10 horas e 35, o turno vespertino terá início às 14 horas e 10min e terminará às 17horas e 50 min. Assim tanto os alunos novos como também os alunos que já estão matriculados na escola serão prejudicados.

A Constituição da República Federativa do Brasil na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n.° 9394/96), a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Estadual (Lei Complementar n.° 170/98) e ainda o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n.° 8.069/90) são os documentos oficiais que regem todas as práticas educativas em território nacional e especificamente no estado de Santa Catarina. Nas três Leis a educação é um direito de natureza social ou de segunda grandeza. Tem por fundamento a afirmação da igualdade, em contraposição aos direitos de primeira geração, fundados na liberdade individual. O artigo 208, parágrafo primeiro, da Constituição Federal define a educação como direito público subjetivo. Frise-se, contudo, que não basta que simplesmente sejam ministradas aulas para que seja considerado como satisfeito o dever de educar, a educação é bem mais abrangente, é um processo que demanda atuação eficaz tanto dos pais quanto da escola e que, para atingir o seu fim, necessariamente precisa de qualidade. É o que se depreende do artigo 206, VII, da Constituição Federal.

Conforme todo o exposto nesta carta, a comunidade escolar do Carlos Techentin quer ainda lembrar que a unidade escolar não conta com biblioteca (o acervo encontra-se em dois armários no pátio da escola), não tem refeitório, não tem banheiros adaptados, não apresenta acesso adequado ao ginásio de esportes, não tem sala de professores, e a sala informatizada está sucateada e sem manutenção correndo o risco de também não existir mais no próximo ano. Além disso, nossa escola não possui segurança física (não temos uma portaria adequada, muros ou portões, situação que facilita a entrada de estranhos ao ambiente escolar) para receber seus alunos. Lembro aqui as palavras da própria gerente regional de educação, senhora Simone Malheiros, que visitou a escola no último dia 7 de julho: “a escola Carlos Techentin é uma escola que está emendada”. Neste mesmo dia a gerência de ensino representada pela senhora Simone Malheiros expos, em reunião com a comunidade do bairro Passo Manso, que não há prazo para que a ampliação da escola aconteça, o que nos leva a acreditar que o turno intermediário será implantado em definitivo.

Os membros da unidade escolar acreditam que há necessidade urgente de se resgatar a cidadania e a dignidade das famílias que foram atingidas pela catástrofe em 2008. Cremos que mais do que matriculá-los em nossa escola é preciso dar condições mínimas de se integrarem à comunidade escolar de forma plena e efetiva. Mais do que estar na escola as crianças precisam se sentir acolhidas e seguras no ambiente escolar.
Em face desta situação de descaso pedimos ao Governo do Estado de Santa Catarina que se posicione apresentando uma data para a ampliação de nossa escola ou a construção de um novo educandário. No entanto, compreendendo que as crianças têm direito aos 200 dias letivos ou às 800 horas-aula, apresentamos como alternativa a não implantação do turno intermediário, mas sim que sejam utilizadas as salas de aula ociosas, no período vespertino, no colégio Pedro II. Assim facilitaria também a contração de professores, visto que a escola está em uma região central da cidade. Para maior segurança das crianças entendemos que ideal é que sejam encaminhadas através de ônibus exclusivos para essa finalidade, sendo embarcadas no próprio condomínio onde moram e ao final do dia serem entregues às suas famílias com total segurança.
Aguardamos um breve e satisfatório posicionamento das autoridades que zelam pelo bem estar das crianças e dos adolescentes.