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Nova Diretoria do Sindicato dos Jornalistas emite nota oficial

30 de setembro de 2011 1

Na véspera de assumir o comando do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, a nova Diretoria, presidida pelo jornalista Valmor Fritsche, emite “nota oficial’, intitualda “Em defesa da democracia e da decisão dos jornalistas de Santa Catarina, com contundentes críticas à gestão anterior, dirigida pelo jornalista Rubens Lungue. Confira o teor:
“A diretoria do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, empossada no dia 27 de setembro, torna público seu repúdio à atitude da gestão anterior que, no estertor de seu mandato, utilizou-se de publicação oficial da entidade, o Papel Jornal, para, além de desrespeitar a vontade e a inteligência dos jornalistas que participaram do recente processo eleitoral, desferir um ataque de baixo nível e sem possibilidade de contraponto à nova diretoria do SJSC e à direção da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ).
Através de uma publicação expedida pelo correio no dia 26/09/2011, a gestão do SJSC que se encerrou no dia seguinte – e que se negou a realizar um processo de transição transparente com a nova direção, que foi respaldada por votação amplamente majoritária da categoria -, dedicou uma página do “Papel Jornal” para, sob o manto de uma “ANÁLISE DA DIRETORIA”, fazer disputa política reprovável após a eleição, expor “sua” leitura equivocada do processo eleitoral, propagandear inverdades, e, num vergonhoso choro de derrotados, terminar seu mandato com a truculência que caracterizou boa parte de seu transcurso.
Não coadunamos com tal postura. A decepção com tal atitude, já manifestada por alguns colegas em redes sociais, é compartilhada pela atual direção do SJSC.
Cabe destacar que a reprovação da categoria à gestão terminada no dia 27 de setembro foi maiúscula e que, mesmo após mais 3 anos de mandato, de manipular a estrutura da entidade a seu favor, de definir o processo e ter maioria na Comissão Eleitoral, a antiga diretoria sequer foi capaz de repetir a baixa votação que recebeu na eleição do SJSC ocorrida em 2008, quando concorreu como chapa única.
É inadmissível a “leitura” que a gestão anterior tenta impor sobre o processo eleitoral e as diferenças entre as duas chapas, buscando imputar à chapa vencedora, à direção da FENAJ e à Associação Catarinense de Imprensa (ACI) posições que não correspondem à realidade.
Todo o conteúdo da página 5 da edição 59 do Papel Jornal é uma demonstração cabal de que a gestão que se encerrou no SJSC não entendeu e não absorveu o resultado da eleição ocorrida nos dias 25 e 26 de agosto. E ele foi simples: a categoria reprova processos de exclusão e de manipulação de informações, reprova a falsa divisão entre os jornalistas da capital e do “interior”, ou mesmo o desrespeito às resoluções de suas instâncias deliberativas nacionais, como abraçar-se ao patrão e escancarar as portas do Sindicato para jornalistas precários.
É público e notório que a decisão do STF de extinguir com a exigência do diploma para o exercício da profissão – naquelas funções onde tal requisito é imperativo – atendeu a pedido de SINDICATOS PATRONAIS de São Paulo, que veem na regulamentação profissional dos Jornalistas um impeditivo para sua sanha de desqualificação da profissão, exploração ainda maior do trabalho dos jornalistas e de mercantilização do Jornalismo. Quem se rendeu à decisão do STF, pode se maquiar com os argumentos que quiser, mas não consegue esconder que sua posição faz a alegria do patrão.
Concepções de sindicalismo classista que se assentam na mentira, na manipulação e no autoritarismo são, na verdade, manifestações de esquerdismo infantil, inconsequente, pseudo-classismo. E aí reside uma das maiores diferenças entre as duas chapas que disputaram o processo eleitoral do SJSC. Quem não respeita a DEMOCRACIA, cumpre um desserviço à classe trabalhadora e expõe sua falta de representatividade.
A despeito de tudo isso, a nova direção do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina conquistou amplo respaldo no recente processo eleitoral da entidade com a realização de uma campanha ética, um programa de resgate da ação sindical voltado para os interesses dos jornalistas – construído coletivamente em debates em diversas cidades de Santa Catarina – e com uma nominata que buscou assegurar a participação dos diversos segmentos da categoria em nosso Sindicato. Os jornalistas decidiram e o mínimo que se pode esperar é respeito a esta decisão.
Vamos Juntos trabalhar pela valorização de nossa profissão e dos profissionais. Vamos buscar trazer de volta para nosso Sindicato muitos colegas que se afastaram ou foram excluídos pelas práticas equivocadas que imperaram em nossa entidade nos últimos anos, além de trazer novos colegas dispostos a fortalecer seu Sindicato e reconhecedores de que o caminho para novas conquistas e vitórias se faz com democracia e com a luta coletiva dos trabalhadores.
Florianópolis, 30 de setembro de 2011.
Diretoria do SJSC.”

Comentários

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Comentários (1)

  • Jose Trincheira diz: 1 de outubro de 2011

    Segue a matéria que gerou a “nota oficial”.

    ANÁLISE DA DIRETORIA

    Todo poder aos trabalhadores e todo combate aos patrões

    Disputa eleitoral apresentou duas concepções de Sindicato para os jornalistas catarinenses.

    As eleições que definiram a nova diretoria do Sindicato dos Jornalistas foram históricas. Depois de muitos anos, desde quando a esquerda tomou a entidade da mão da direita, não havia duas chapas concorrendo. E, por isso, é preciso uma boa análise do processo. O que aconteceu? Por que não houve uma chapa de consenso, já que todos querem o melhor para a categoria? Quais eram, enfim, as diferenças?
    A disputa para o sindicato se deu sob o signo de dois projetos radicalmente diferentes. Um deles – o vencedor – preferiu o caminho da aliança com a representação patronal. Tanto que, na própria chapa, há diretores que ocupam cargos de chefia. Sem contar o apoio explícito da Associação Catarinense de Imprensa, conhecido reduto da ala da direita. E, também, ao preferir concentrar o número de dirigentes em Florianópolis, escolheu a lógica da gestão voltada para a capital. Outra diferença é a concepção de sindicato. A chapa vencedora está no campo majoritário da Fenaj, defensora do sindicato apenas para diplomados, negando-se a compreender que o trabalhador explorado – ainda que apenas autorizado pelo STF – também merece a atenção da entidade.
    A chapa 1 – perdedora – vinha atuando no sentido de não abandonar o interior do Estado a sua própria sorte, buscando atender às necessidades dos jornalistas que, ao longo das gestões passadas, encabeçada pelo grupo que se auto-intitulou “mudança”, foram sistematicamente preteridos. O interior só passou a ser cuidado quando, por iniciativa do então diretor Rubens Lunge, passou a ser visitado sistematicamente. Outra diferença entre as chapas é a posição classista da direção que agora se despede. Ao longo do mandato, enfrentou-se a desastrosa decisão do STF com muita luta e mobilização. Mas, ela aconteceu. E, a proposta era de que, uma vez permitido aos trabalhadores atuarem sem diploma, esses deveriam ser acolhidos no sindicato, porque essa é a missão de um sindicato. Amparar e defender aqueles que, atuando nas empresas de comunicação, precisem da ação sindical. Outra diferença radical é a de não composição de classe, coisa que enfraquece e descaracteriza o papel do sindicato.
    É impensável para esse grupo que agora deixa o sindicato a aliança com os patrões. São eles os adversários mais perversos, os que impõem a multifunção, os que não pagam horas-extras, os que são os responsáveis pelo estresse cotidiano, pelo adoecimento, pela superexploração dos jornalistas. Então, como dividir com eles a ação sindical? Como permitir que se infiltrem nas fileiras da luta laboral? Sindicato é para trabalhador.
    Aos jornalistas fica o convite para que avaliem bem as mudanças pelas quais a profissão está passando e quais são os caminhos que as entidades sindicais e a Federação dos Jornalistas estão trilhando. Há muito tempo que a Fenaj acena com o fim da posição do jornalista como trabalhador assalariado. Desde a proposta de um Conselho Federal de Jornalistas, que encara o jornalista como um profissional liberal, a federação vem avançando na linha da defesa do empreendedorismo, da pejotização. Isso não acontece nos documentos da Fenaj, que condenam essa perversa forma de exploração, travestida de “liberdade”, mas aparece na prática, quando seus dirigentes buscam enfraquecer os sindicatos com a criação do Conselho. Nunca se negou a necessidade do apoio ao jornalista empreendedor ou pejotizado. Mas isso não pode significar o abandono do trabalhador assalariado, o que realmente sofre sob o chicote do patrão.

    O foco sempre foi o trabalhador

    Por um pequeno hiato de três anos, o SJSC esteve nas mãos de pessoas novas, com ideias diferentes, com uma compreensão menos elitista da profissão, que não mediu esforços para defender os trabalhadores explorados nos cantões mais escondidos do estado, nas redações, nas assessorias.
    O foco sempre foi o trabalhador, mesmo aquele que decidiu tornar-se PJ, muitas vezes pressionado pelas empresas, porque esse acaba sendo um dos mais explorados, uma vez que não tem férias, nem décimo – terceiro, nem garantias. Essa direção nunca caiu no conto da sereia entoado pela Fenaj, que prefere o convívio harmônico com os patrões, nas salas refrigeradas. Essa direção era pé no chão.
    Mas, enfim, a categoria decidiu. A equipe que enfrentou o mar revoltoso da decisão do STF sai com a certeza de que fez o seu melhor. Defendeu a categoria, garantiu os melhores acordos salariais, atuou sem trégua contra o assédio moral, a violência no trabalho, a multifunção. Enfrentou os patrões com passeatas, manifestações, protestos. Esteve sempre do outro lado rio, com os trabalhadores.
    Entregamos o sindicato aos colegas que já foram nossos companheiros em outras gestões e esperamos que eles possam incorporar as coisas boas que fizemos – como os frequentes debates sobre a profissão, a presença constante no interior e até mesmo a inovadora idéia de eleição pela internet. E, fundamentalmente, que estejam dispostos a acolher os trabalhadores, os que sofrem nas mãos dos patrões, os que são explorados, como deve fazer um sindicato de luta. Todo poder aos trabalhadores. Todo combate aos patrões.
    Os que saem entregam a entidade, mas não a luta. Seguiremos!