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Duplicação da Edu Vieira: o depoimento do engenheiro Riderer

31 de março de 2012 7

Moacir Pereira,
Na coletiva do prefeito sobre a polêmica cessão de área da UFSC para duplicação da Rua Deputado Antônio Edu Vieira, em que estivemos, me manifestei que não há mais razões para rediscutir a cessão da área da UFSC, uma vez que foram feitas duas audiências públicas no Conselho Comunitário do Pantanal e uma na Câmara, antes da aprovação da Lei Complementar nº 088/2001 que define as características da duplicação.
Porém me restaram algumas dúvidas:
1- O prefeito disse que o projeto era de 2003, feito na gestão de Angela Amin e depois, indignado, disse que o IPUF se recusou a alterar o projeto, sem explicar o motivo para o pedido da alteração.
Por ter sido elaborado no período em que presidi o IPUF, desejo esclarecer que o projeto de 2003, que teve um custo elevado, é um projeto final de engenharia, ou seja, está completo para ser executado e prevê todas as etapas da obra, desde escavação, aterro, drenagem, pavimentação, até a sinalização. É esse o projeto que tem a licença ambiental da FATMA e teve o financiamento aprovado no Fonplata.
Além de não justificar a mudança do projeto, que na verdade não mudou o conceito básico original, não foi dito que vai para o lixo todo o trabalho anterior, que foi pago com dinheiro público, e também não foi mencionado o custo da mudança de projeto, feita pela mesma projetista do projeto original.
2- O prefeito fez menção à audiência de apresentação da proposta do Plano Diretor, feita pelo Presidente do Grupo Gestor do Plano Diretor Participativo, o Professor Rodolfo Pinto da Luz, no último dia 27. Não foi dito que naquela ocasião foi apresentado o mapa do eixo da mobilidade, composta pela ligação da Via Expressa Sul com a SC-401, que é, como no atual Plano Diretor, a Rua Deputado Antônio Edu Vieira !
Estranho que o Professor Rodolfo não esteve presente na coletiva, até por que, como ex-Presidente do IPUF, ex-Reitor da UFSC e atual coordenador do Plano Diretor, a meu ver, seria a pessoa mais indicada para negociar com a UFSC o impasse da cessão da área.
3- Sobre o binário composto pelas ruas Deputado Antônio Edu Vieira e Capitão Romualdo de Barros, reafirmo que não é uma boa alternativa, pois essas vias estão muito distantes uma da outra e não têm ligações intermediárias, ou seja, com a implantação de mão única, quem precisa ir da UFSC para o Pantanal, ou da Carvoeira para UFSC, terá que ir até o Saco dos Limões para retornar. Se estiver usando ônibus fica pior ainda, pois terá que fazer transbordo.
Pela falta de ligações intermediárias, o volume de tráfego gerado por essa imensa “rótula” deverá ser acrescentado ao volume do tráfego de passagem apresentado pelo projetista.
4- O prefeito alegou que o alto valor das desapropriações impediram a execução da duplicação no restante da Rua Deputado Antônio Edu Vieira. Vale ressaltar, porém, que todas as construções feitas nos últimos 30 anos já estão no alinhamento da duplicação e que, na maioria dos casos, a área do recuo já foi paga com índice construtivo, cujo valor o Fonplata aceitava como contrapartida para o financiamento.
5- Em sua fala, o vice prefeito mencionou a necessidade de implantar o BRT, porém no material distribuído na coletiva referente ao novo projeto, não está contemplada a canaleta exclusiva para ônibus, nem as estações de embarque nas quais ficam os cobradores. Existe apenas previsão de recuo para parada !
Será que teremos que pagar por nova alteração do projeto
Abraço, Carlos Alberto Riederer.”

Comentários

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Comentários (7)

  • Elson Pereira diz: 31 de março de 2012

    O depoimento do ex-presidente do IPUF indica que há muitas coisas a esclarecer nesta história e que a cessão do terreno pela UFSC é apenas um dos aspectos a serem discutidos.
    Mais uma vez a administração atual da PMF discute soluções pontuais desvinculadas de uma visão geral de planejamento. Não é por acaso que toda a capacidade técnica projetual do IPUF foi desmantelada em função da contratação de projetos (muito bem pagos) junto a empresas privadas.

  • Paulo diz: 31 de março de 2012

    Enfim, alguém que falou algo que acrescente sobre a polêmica discussão da cessão do terreno da UFSC. Espero que essa obra não seja mais uma das gambiarras executadas pela atual administração de Florianópolis. Vejam o que ocorreu na SC 405 no sul da Ilha, o fluxo de veículos melhorou é verdade, mas ocorre quase que um atropelamento por dia. Não existem passeios públicos, ciclovias e o minimo de urbanismo, só pensaram em quem anda de carro. A duplicação da Edu Vieira é uma obra de extrema importância e não pode ser empurrada guela abaixo da população como alguns jornalistas “isentos” querem.

  • Sérgio diz: 31 de março de 2012

    Estranho.Muito estranho.O Dario ficou dois mandatos na Prefeitura de Florianópolis e, só agora, se preocupa com a duplicação da Rua Edu Vieira.Muito mais estranho :havia um projeto de 2003 e manda “refazer” o projeto.Bota estranho nisso: o ex-Reitor da UFSC não participar da coletiva.É compreensível a não participação e o silêncio.A verdade é grandiosa,mas, do ponto-de-vista político,é mais grandioso ainda o silêncio e a distância desse assunto(duplicação da Edu Vieira).Seria ele o “verdadeiro” candidato do Dario? Daí poupá-lo de debates constrangedores.Inteligente a decisão da UFSC ao deixar para outubro qualquer posição que venha tomar. Assim,quem sabe até lá a Prefeitura tomará nenhuma decisão eleitoreira.Mas uma decisão de planejamento sério.Lamentavelmente,em vez de mostrarmos a falsidade das alegações do Dario, nós(“contras” e “a favores”) as confirmamos.O importante não é se nós somos contra ou a favor.O importante é que se resolva o problema.Pelo exposto pelo Engenheiro Riderer,o problema só será transferido para outro lugar.Disso não há dúvida.

  • Giovani Pires diz: 1 de abril de 2012

    E agora, meu caro jornalista, vc. não vai comentar nada? Nem que seja para assumir que serviu de trombeta, ingênuo ou não, para o discurso mal-intencionado do Prefeito e sobretudo do Vice? Ou a má-intenção do seu discurso era seu próprio?

  • Renato diz: 1 de abril de 2012

    Perfeito Sr. Riderer,
    Enfim um comentário com argumentos técnicos e verdadeiros.
    Até então só li bravatas partidárias (PSDB, PSOL,…), ou seja, pessoas públicas com coerência e equilíbrio são cada vez mais raras.
    PSDB, PSOL e todos os outros partidos têm projetos de poder e não projetos políticos. Nem que para isso tenham que “desdoar” a áreas de UFSC.

  • Eduardo diz: 1 de abril de 2012

    Giovani Pires, você disse tudo!

  • Carlos Henrique diz: 2 de abril de 2012

    Pois é, agora que a gritaria dos políticos amainou as coisas estão ficando mais claras, não é mesmo? A UFSC não está se negando a doar o terreno, mas contesta o projeto apresentado que propõe um binário de vários quilômetros, não está adequado ao tal BRT e não oferece soluções para a travessia dos pedestres (eles existem, prefeito!).