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Homenagem a Osvaldo Ferreira de Melo

31 de março de 2012 1

A Academia Catarinense de Letras realizou esta semana “Sessão de Saudade” em homenagem ao professor, escritor, músico e historiador Osvaldo Ferreira de Melo, ocupante da cadeira 20, que faleceu no dia 17 de fevereiro em Florianópolis.
Em nome da Casa de José Boiteux falou o professor Celestino Sachet. Foram oradores, também,os acadêmicos Salomãl Ribas Júnior, Norberto Ungaretti e Gilberto Callado. Na ocasião, deixei o seguinte testemunho sobre o grande educador:
“Osvaldo Ferreira de Melo, o professor Osvaldo, foi um dos mais completos intelectuais catarinenses na segunda metade do século XX. Era mais conhecido por suas excepcionais qualidades de homem inteiramente dedicado ao magistério e à educação pública do Estado. Mas sua veia artística está evidenciada por trabalhos que vão imortalizar sua obra por décadas e séculos. E sua produção literária enriquece este magnífico mosaico a compor sua exemplar biografia.
Minha admiração pelo professor Osvaldo Melo tem quase 50 anos. Começou lá atrás, na década de sessenta. Iniciante no jornalismo, testemunhei, em várias entrevistas, sua extraordinária contribuição às inovações no ensino público catarinense. No capítulo seguinte, o jornalista virou seu fã de carteirinha, pela qualidade da letra e da melodia deste segundo hino da Ilha, “Florianópolis”, que compôs em parceria com outro saudoso e digno mestre, o professor Anibal Nunes Pires. Ou a esta ode à beleza continental da Capital, a música intitulada “Itaguaçu”.
Mais tarde, noticias sobre suas atividades acadêmicas e as obras de direito de grande repercussão na literatura jurídica do Estado eram veiculadas e comentadas.
Uma relação cordial que se transformou em amizade no Curso de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal de Santa Catarina. Dobro a coluna vertebral, solenemente, para reverenciar alguns dos notáveis da Pós-Graduaçao: os professores Acácio Garibaldi Santiago e Paulo Henrique Blasi, que lideraram o processo do Pós-Graduação; Silvio Coelho dos Santos, a abrir aos mestrandos os horizontes da Metodologia Científica; Osni Régis, biblioteca ambulante a indicar os clássicos da área jurídica: Alcides Abreu, um gênio na área econômica e nos projetos inovadores da politica internacional; e Osvaldo Ferreira de Melo, o doutor do planejamento e educação. Convidado, no final de meu curso, prontamente aceitou ser o orientador da minha dissertação de mestrado.
Atencioso na indicação dos caminhos, exigente no conteúdo, sábio no aconselhamento, ofereceu múltiplos incentivos para a conclusão do trabalho acadêmico.
O Brasil vivia o regime ditatorial. O mestre, no Pós-Graduação em Direito, na defesa intransigente das liberdades individuais; o aluno, presidente do Sindicato dos Jornalistas, na trincheira contra a censura prévia que torturava os profissionais de comunicação. Desse contraste, nasceu a tese “A liberdade de imprensa como fundamento das sociedades pluralistas”. Estudo aprovado por uma banca de especialistas que o editor Odilon Lunardelli transformou no livro “Imprensa: um caminho para a liberdade”.
Princípios de direito e valores humanos que levou depois para Itajaí, como um dos fundadores do Pós-Graduação em Ciência Jurídica, engrandecendo a Univali.
Nos anos seguintes, vizinho na Agronômica, registrei a contribuição inestimável que o professor Osvaldo Melo prestou à Maçonaria, ao Instituto Histórico e Geográfico, a Univali, a Academia Catarinense de Letras.
Em todos as múltiplas atividades que exerceu, a evidência de suas virtudes, as qualidades que o tornavam um paradigma da cidadania catarinense.
Há mais de dois mil anos, Seneca descreveu “O Homem Perfeito”: “É aquele dotado de coragem, prudência, temperança. É o que age com decoro, com firmeza de princípios. É o idealista, o que tem grandeza e a harmonia social. É o se pauta pelo espírito de Justiça”.
Osvaldo Melo estava próximo desta perfeição.”

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Comentários (1)

  • Ernesto São Thiago diz: 31 de março de 2012

    Prezado Jornalista Moacir Pereira, nada contra os “Santiago”, que talvez até venham a ser parentes nossos, mas Manoel Antônio, nascido em Desterro, em 1768, foi aqui batizado “Sant’iago”, assim como seu filho, igualmente manezinho, Joaquim António, aqui nascido e batizado em 1794, este o tal sargento do Regimento Barriga Verde que prendeu o herói platino Andresito Artigas no Passo do Uruguay, dando início ao fim das cruentas “Guerras dos Artigas”. Peregrino Servita, filho deste último, nascido em Porto Alegre, foi lá batizado igualmente “Sant’iago”, em 1824. Veio a desposar em Desterro uma lagunense, filha ilegítima de Polydoro do Amaral e Silva, Procurador da Tesouraria da Secretaria da Fazenda de SC e ex-provedor da Irmandade Senhor Jesus dos Passos. Peregrino atuou na Junta de Alforria de Escravos da Câmara de Vereadores de Desterro e foi também Delegado de Polícia da Capital da Província. Em 1873 é nomeado Inspetor da Alfândega de São Francisco do Sul, não sem antes ter gerado alguns manezinhos como Polydoro Olavo de S. Thiago, assim batizado em Desterro em 1852, que viria a ser deputado estadual constituinte (1891) e vice-governador de Hercílio Luz naquele glorioso primeiro mandato (1894-1898), pós-derrota dos malfadados federalistas comandados pelo caudilho uruguaio-maragato Gumercindo Saraiva. Outro filho ilustre de Peregrino foi meu trisavô, o professor Joaquim (Quincas) Antônio de S. Thiago, igualmente assim batizado em Desterro, em 1857, também deputado estadual constituinte naquela mesma singular legislatura, mas que talvez assinasse “São Thiago”. Um dos filhos de deste meu trisavô Quincas foi o notável professor Marcílio Dias de S. Thiago, pai do nosso inesquecível ex-prefeito florianopolitano batizado Acácio Garibaldi S. Thiago. Fato é que descendentes do “vô Quincas” aparecem registrados em cartório como “S. Thiago”, “San Thiago” e “São Thiago”, mas independente do registro, assinam ou são mencionados com todas estas variáveis, o que é tolerável em certa medida, dada a confusão por nós mesmos causada. Mas “Santiago”, não há nenhum destes registrado, nem o assinam, sendo incorreto, portanto, assim mencioná-los. Forte abraço e parabéns pelas boas falas.