Empresário Dilvo Tirloni retorna a esta blog com análise procedente e oportuna sobre a greve no transporte coletvo. Coloca o dedo na ferida. Confira sua mensagem:
"Segundo um ditado português “Quando o mar briga com o rochedo, quem sofre é o marisco”. No caso do Transporte Coletivo Municipal e sua greve anual é sempre a mesma ladainha, o poder público culpa os empresários (lembram da caixa preta?), os trabalhadores culpam a Prefeitura, os Empresários culpam os dois e os usuários culpam a todos. Nesta seara há responsabilidades bem definidas. É preciso entender os mecanismos de poder para perceber, por paradoxal que pareça, que os mariscos são as empresas de ônibus e os usuários.
De ressaltar que existe um Conselho Municipal de Transportes formado por um conjunto de Entidades que representariam a sociedade. É neste fórum que deveriam ser debatidos os interesses dos segmentos interessados, não no inicio de maio de cada ano, mas durante todo o ano, inclusive com a presença das promotorias pública.
Infelizmente, nossos Conselhos Municipais, mais das vezes são organizados para atender vaidades de Entidades ou interesses políticos. A baixa representatividade parece ser intencional – quanto menos pressão melhor. O Sindicato dos Trabalhadores não participa deste fórum, entretanto, o Sindicato Patronal, sim. Por ai se vê que há algo de errado neste Conselho. Da sociedade civil, propriamente, há a UFECO, com dois representantes um do Continente, outro da Capital. Onde está esta Entidade sempre muito atilada em denunciar os problemas sociais e nestas horas, totalmente, omissa?
Como todos sabem, as empresas são concessionárias, não podem a seu livre arbítrio, aumentar as tarifas, dependem da homologação do Conselho que por sua vez encaminha a decisão ao Prefeito Municipal.
A Prefeitura através da Secretaria dos Transportes anunciou que não vai aumentar as tarifas. Salta aos olhos o oportunismo da decisão. Não depende do Secretario nem do Prefeito, depende das planilhas financeiras.
Para os empresários, desde que os custos da proposta dos trabalhadores sejam repassados à tarifa, não tem do que reclamar. Entretanto, é preciso que isto fique claro. Como até agora a Prefeitura não encontrou uma saída para o caminho inviável que ela própria criou, é ela que tem que buscar a solução. Enquanto isso, trabalhadores, empresários e, sobretudo, a imensa maioria da população que pague o preço."
