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A crise e as ameaças do agronegócio de SC

23 de junho de 2012 4

A Associação Catarinense de Avicultura reuniu seus ex-presidentes e os do Sindicato das Indústrias de Carne para especiais homenagens, no meio de uma crise estrutural com terríveis desafios para o futuro da agroindústria do oeste.
A primeira constatação: o novo ano começou com Santa Catarina perdendo a liderança nacional de criação e de exportação de aves. Assumiu o primeiro lugar o Paraná. Motivo: falta de competitividade da indústria catarinense. Os paranaenses montaram uma estratégia que garante preços baixos do principal insumo, o milho. Santa Catarina, ao contrário, precisa todos os anos de 6 milhões de toneladas de milho, mas só produz 4 milhões. Tem que trazer de carretas 2 milhões de toneladas de Goiás e Mato Grosso, a um custo que duplica o valor do valioso cereal.
Os empresários continuam alertando: se não for logo construída uma ferrovia ligando o centro oeste brasileiro à região de Chapecó, a crise na produção de aves no oeste tende a ser agravar. As grandes indústrias tendem a acelerar o processo de transferência para o centro-oeste. Fato que, aliás, já aconteceu com a Sadia e a Perdigão, as empresas que formam a BR Foods, a maior indústria do gênero no Brasil. Recentemente, a poderosa Marfrig fechou a unidade de Jaraguá do Sul, por falta de insumos e de mão de obra.
Ameaças
O presidente da Associação Catarinense de Avicultura, Clever Ávila, aguarda audiência com o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, para apresentação do Plano Estratégico do Milho(2050). Tem estudos para aumentar a produção de milho no oeste em mais um milhão de toneladas. Bastaria uma politica governamental que garantisse sementes de qualidade, tecnologia e assistência técnica.
Se nada acontecer, cai a produção, fragiliza o sistema de integrados, os criadores perderão renda, aumentará o êxodo rural e se agravarão os problemas nas cidades.
Ex-presidente da Associação, Artemio Paludo destacou as parcerias do passado e a necessidade de esforços conjuntos nesta fase crítica da economia. A abertura dos mercados da Europa, da China e do Japão abre horizontes excepcionais para a exportação. Mas a competitividade estadual depende da produção de grãos.
Paludo foi um dos fundadores do Frigorífico Seara. Seu irmão, Aurélio, primeiro prefeito do recém criado município de Seara(1954), defendeu um frigorífico para apoiar os criadores. Artemio reuniu 227 sócios e fundou a empresa, que logo expandiu. Em 1980 ela foi vendida para a Ceval e, finalmente, para a Marfrig, hoje empresa multinacional presente nos 5 continentes e unidades em 22 países.
Atualmente, Seara, a terra do famoso entomologista Fritz Plaumann, é hoje o nome de sua marca mundial mais forte.
A ameaça continua na falta de ação governamental.

Comentários

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Comentários (4)

  • Gualberto Cesar dos Santos – FLN/SC diz: 23 de junho de 2012

    Acredita-se que os dois últimos governos de SC, foram os responsáveis por este insucesso. Falta de política especifica para o setor. Isso gerou a insatisfação do minifúndio. Nesse período, em que o Governo do Brasil ofereceu crédito à vontade para os programas e projetos dos estados. SC perdeu tempo e desconsiderou os produtores.

  • Aloisio Antoni diz: 23 de junho de 2012

    Me parece que o problema não é somente estrutural, mas de gestão pública.Enquanto tivermos um Ministro da Agrucultura Advogado , enquanto tivermos um Secretário Estadual de Agricultura Radialista há sintomas que algo está errado. Temos tantos valores do setor que simplesmente são colocados à sombra. Temos orgãos ligados à agricultura acima de qualquer crítica, tanto nas cooperativas como na Cidasc ou Embrapa .Perder em competitividade para o Paraná , cuja avicultura é muito recente, é no mínimo falta de competência ou excesso de politicagem.

  • Carlos diz: 23 de junho de 2012

    Se o agronegócio de Santa Catarina ficar aguardando que seja construída uma ferrovia ligando o centro oeste brasileiro à região de Chapecó para trazer milho, vai acabar fechando mesmo, pois construir uma ferrovia é um processo demorado, principalmente numa região acidentada como é a de Chapecó, e ainda depender da boa vontade do governo federal para uma obra que nem tem projeto de engenharia ainda !
    Ora, se a existência de ferrovia em Jaraguá do Sul não impediu o fechamento da Marfrig e se Chapecó está a 133 km de Herval d’Oeste, onde existe ferrovia, o que precisa é, com urgência, montar uma estratégia com a América Latina Logística, para trazer pelas ferrovias existentes o milho que já chega ao Paraná !

  • marcelocardosodasilva diz: 24 de junho de 2012

    …povo catarinense; continuem votando nestes “senhores” de fino trato da tripa de porco (digo “TRIPA ALI”ança)!!!…………..Como está à Educação Pública e a Saúde Pública; na “ERA” dos parasitas!!!…POBRE POVO CATARINENSE; NO RICO ESTADO DE STA. CATARINA!!!