Os efeitos da crise financeira sobre a economia brasileira mereceram avaliações diferentes durante a concessão da Comenda do Mérito Industrial a seis empresários catarinenses, na Fiesc. Dois deles – da ministra Ideli Salvati e do empresário Fernando Marcondes de Matos – mais otimistas; e o terceiro – do industrial Décio da Siva, de clara advertência para os novos desafios.
A solenidade foi encerrada com discurso de Ideli Salvati. Começou elogiando o ex-presidente Lula que teria preparado o Brasil para a crise, tirando 40 milhões da pobreza e fortalecendo a classe média com um poderoso e novo mercado consumidor. Mencionou ações do governo Dilma, como a desoneração da folha das empresas, aprovada em medida provisória que passou pela Câmara Federal. E anunciou outras decisões que poderão aquecer o mercado interno e incentivar o setor produtivo. Antecipou que a taxa Selic de juros atingirá 7% no final do ano, que a energia e os impostos serão reduzidos e que outras mudanças virão para diminuição do Custo Brasil e melhoraria da logística.
Agraciado com a Medalha do Mérito Industrial Catarinense, Fernando Marcondes de Matos prestou duas homenagens: a primeira, ao empresário Hans Dieter Schmidt, que faleceu em desastre aéreo quando atuava como secretário no governo Jorge Bornhausen; e a segunda, à presidente Dilma Rousseff, pelas ações que vem desenvolvendo e por entender que a crise é sinal de novas oportunidades. Sublinhou que se não houvesse a crise, os juros não teriam baixado, os impostos não teriam diminuido e o câmbio continuaria congelado.
O Alerta
O presidente do Conselho de Administração da WEG, Décio da Silva, manteve-se confiante no futuro, mas fez sérias advertências sobre carências existentes em Santa Catarina, que impedem maior crescimento do setor produtivo. Deu uma notícia impactante: “O Plano 2020 da WEG prevê faturamento de 20 bilhões de reais em 2020”. A empresa faturou 6 bilhões de reais em 2011. Conta hoje com 25 mil colaboradores e está presente em mais de 150 países. É a maior em produção de motores elétricos da América Latina.
Criticou, contudo, a carga tributária, a superada legislação trabalhista, a concorrência asiática e a lentidão com que são executadas obras rodoviárias vitais para o desenvolvimento catarinense. Mencionou a duplicação da BR-280, no planalto norte, da BR-470, no Vale do Itajaí, e da BR-101 no sul do Estado.
Em outro ponto defendeu o enxugamento dos governos, o que permitiria elevar os investimentos inadiáveis em infraestrutura. E também uma revisão na atuação das empresas e das entidades sindicais. Indagou: “Será que a estrutura de sindicatos está compatível com esse novo momento da economia?”
Finalmente, questionou a contribuição sindical obrigatória e o sistema de eleição indireta dos dirigentes sindicais.
