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Yoani Sanchez e os intolerantes

28 de fevereiro de 2013 16

De Paulo Vandelino Kons, de Brusque, reproduzindo pertinente análise do competente jornalista Alberto Dines, sobre a violencia com que setores do PT e do PCdoB tentaram calar a cubana Yoani Sánchez.

“Prezado Moacir – Paz e Bem,
A indignação ética que emerge dos insultos proferidos contra a senhora Yoani Sánchez nos faz compartilhar texto do jornalista Alberto Dines:

“Yoani Sánchez não é blogueira. Blog não é ofício, nem status profissional, é formato de veículo. Ninguém diz “fulano é revisteiro”, diz “fulano é jornalista” porque hoje pode estar num semanário e, amanhã, à frente de um vistoso blog.
A visitante cubana é correspondente de El País em Havana e colunista do Estado de S. Paulo. O diário espanhol segue desde a sua fundação em 1976 a linha socialdemocrata, o jornalão brasileiro é conservador. Prova de que o seu profissionalismo é bem avaliado.
O erro de qualificação parece insignificante, mas não é – desvenda os preconceitos e as discriminações que campeiam numa sociedade infantilizada politicamente como a nossa. A constatação vale tanto para os detratores como para seus admiradores. Ela está sendo usada como pretexto para um confronto arcaico, jurássico, que já deveria estar desativado.

Paixões confundidas

Yoani é uma ativista política, o governo cubano a reconhece como tal, por isso deixou de criar-lhe embaraços, permitiu a sua saída e – esperamos – o retorno. As recentes mudanças em Cuba chanceladas na presença dos irmãos Castro indicam que a democratização cubana precisará de gente como ela.
É uma idealista, os cubanos são idealistas, esta é uma das heranças benditas deixadas pelo regime de Fidel Castro. Na ilha ou aqui, os cubanos transmitem aos interlocutores uma sensação de consistência, dedicação, convicção. Yoani não destoa. Por isso ficou no país em que nasceu e não foi para Miami “fazer América”.
Pretende arrecadar o dinheiro dos prêmios de jornalismo que ganhou no exterior nos últimos anos e com ele fazer um pequeno jornal. Não vai montar um “paladar” (nome tirado de uma novela brasileira que designa um bistrô legal montado em casa, numa varanda ou quintal). Ela sabe que não vai ganhar dinheiro, provavelmente perderá tudo, mas está criando a matriz de uma imprensa independente. Em Cuba, não no exílio.
Podem chamá-la de empreendedora, inovadora – este observador insiste em classificá-la como idealista. Tal como o senador petista Eduardo Suplicy, uma das figuras mais decentes da nossa cena parlamentar.
Yoani incomoda os truculentos e irrita os incendiários. Tranquila e atenta trouxe para as nossas militantes um modelito de despojamento e perseverança que valeria a pena imitar”.

Comentários

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Comentários (16)

  • jonata diz: 28 de fevereiro de 2013

    Afora a parte da proibição, via violência, para a não exibição do filme, que é totalmente condenável, não consigo entender essa manifestação contra os protestos dirigidos à blogueira.
    A luta dela não por liberdade de expressão?
    Ora, é exatamente isso que ocorro quando se tem liberdade de expressão. Pessoas se manifestando a favor e contra determinado assunto.
    Não sei qual o espanto.

    Obs.: a título de curiosidade, procurem na internet a entrevista da citada blogueira com o jornalista francês Salim Lamranium. Bem elucidativa.

  • Déborah Almada diz: 28 de fevereiro de 2013

    Muito boa análise do Alberto Dines.

  • Ines diz: 28 de fevereiro de 2013

    Conheço muito pouco em relação a esta ativista cubana,mas coneço muito do ativista italiano o qual governo lula deu asilo politico.Em relação a este ultimo as autoridades brasileiras,mesmo sabendo tudo o que ele fez no seu pais de origem o acolheram sem bater os cilios.Qual é a diferença destes dois??Sem falar de outro brasileiro que não sei como definir o qual saiu do Brasil,mesmo sabendo que a justiça brasileira estava atras dele.Mas o que esta acontecendo com a justiça brasileira???

  • Eduardo Alves diz: 28 de fevereiro de 2013

    Caro Jonata, liberdade de expressão compraz o direito do outro, o qual você não concorda, falar. Não deixar o outro falar, através de gritaria e baderna, não é liberdade de expressão. É truculência, grosseria e ignorância.
    Pense você, se tivesse algo a falar no qual acreditasse, e simplesmente não deixassem você falar, de maneira alguma? Você acharia, “ah, ok, é o direito deles mandar eu calar a boca e não deixar eu falar UMA palavra”.
    Duvido muito.
    A verdadeira liberdade é a liberdade de deixar o outro ter a palavra.

  • Talita diz: 28 de fevereiro de 2013

    Bom artigo. Yoani usou de transparência. Em nenhum momento desrespeitou alguém, em nenhum momento usou de xingamentos. Notem que nem mesmo alteou a voz ainda que nos momentos mais dificéis. Falou a verdade, falou sua verdade e de quebra deixou um grande exemplo de cidadania para o povo brasileiro.

  • Claudio Antonio Stiegler diz: 28 de fevereiro de 2013

    Ótimo texto. Até que enfim algo imparcial sobre o assunto. Na minha opinião essa Yoani “fala muiiiiiiiiiiito”.

  • Max diz: 28 de fevereiro de 2013

    Replico as perguntas feitas pelo professor Francisco Ferraz no Estadão de hoje: “A julgar pelas reações hostis a Yoani, impõe-se uma pergunta inevitável: ela significa alguma ameaça ao Brasil? Que atos terá praticado contra a humanidade para ser percebida como inimiga no País, mesmo que nunca antes tivesse aqui pisado? Qual o imenso e assustador poder que essa jornalista tem para assustar e ameaçar os governantes cubanos, o governo brasileiro, seu partido e sua base parlamentar?”
    - Aparentemente ela é uma ameaça ao regime cubano e para as pretensões da esquerda brasileira;
    “O muro emblemático da esquerda na América Latina não é o de Berlim. Esse é o muro do Hemisfério Norte. O muro emblemático, cuja queda significaria o fim do comunismo e do socialismo para a América Latina, é Cuba”.
    - Continuando, “É por isso que Yoani é perigosa para Cuba, para o bolivarianismo de Chávez, para o PT e seu governo. Na guerra fria do Hemisfério Sul ela é uma peça tão importante quanto eram os literatos e bailarinos russos que fugiam para o Ocidente nas décadas de 50 e 60″.
    Digo eu; a esquerda sul americana quer verbas e mordomias e agir como intelectuais, teóricos e ideólogos que odeiam a liberdade a competividade e o livre mercado. Adoram as sinecuras do “pudê”, onde o principal requisito é estar filiado a um partido de esquerda.

  • Decio diz: 28 de fevereiro de 2013

    A intolerancia, grosseria, truculencia praticadas pelos xiitas esquerdistas contra esta blogueira e ativista Cubana deixaram todos os Brasileiros perplexos, afinal que tipo de Democracia defendem este Bando? Porque o PT do LULA nao fez os mesmos protestos contra o ativista italiano este sim condenado pro crime no seu Pais ? O que nos podemos esperar de um partido politico no caso PT, que trata condenados por currupcao como rei ? Caminhamos para uma encruzilhada, ou o Brasil acaba com o PT, ou o PT acaba com o Brasil.

  • angela diz: 28 de fevereiro de 2013

    AQUI NO BRASIL , NINGUÉM FOI CONTRA ELA!!!!!!
    APARECERAM GRUPOS PLANTADOS PELA TURMA DO PT , QUE SÃO AMICÍSSIMOS DE FIDEL . NADA A MAIS!!!!!!!!!!!

  • E o salário, óh! diz: 28 de fevereiro de 2013

    A chegada de Yoani em Coité e o papel do Juiz de Direito[1]

    Para quem ainda não conhece, Yoani Sánchez é cubana, apresentada por boa parte da mídia mundial como sendo uma blogueira que rompeu as barreiras da censura em Cuba e faz oposição ao regime. Pois bem, esta moça está visitando o Brasil, depois de várias tentativas de sair da Ilha, e resolveu aceitar o convite para palestrar em Conceição do Coité-Ba, comarca da qual sou o Juiz de Direito.

    Sabendo da visita, os estudantes da cidade e políticos de esquerda começaram a se organizar para impedir a entrada da moça na cidade e também impedir a realização do evento. Em seguida, fui procurado pelos organizadores do evento, acompanhado de dois bons advogados, para garantir que sua convidada pudesse entrar em Coité e realizar a palestra. Primeiro, tentei mediar um diálogo entre os estudantes e os organizadores do evento, mas não obtive êxito. Os primeiros estavam irredutíveis e não admitiam de forma alguma a presença da moça cubana em terras coiteenses e os segundos não abriam mão de realizar o evento, pois contavam com a presença de políticos famosos e convidados de toda a região.

    Diante do impasse, convidei o comandante local da polícia militar e lhe determinei que garantisse, sem violências ou repressão, a realização dos dois eventos. Primeiro, preparasse uma escolta desde a entrada da cidade e conduzisse a moça cubana por onde pretendesse circular na cidade, garantindo-lhe a integridade física. Segundo, preparasse uma boa guarnição para garantir a realização do protesto dos estudantes, mesmo barulhenta, desde que não impedisse a realização da palestra. Enfim, comandante, seu papel é garantir a realização da palestra e também do protesto dos estudantes.
    E decidi assim com a Constituição aberta sobre minha mesa de trabalho. O Brasil é um “Estado Democrático destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias”, conforme, escrito em seu preâmbulo; o Estado brasileiro tem como fundamentos a cidadania, a dignidade da pessoa humana e o pluralismo político (art. 1o) e, por fim, é livre a manifestação do pensamento, a liberdade de consciência, a expressão da atividade intelectual e de reunião, dentre outras garantias previstas no artigo 5o da Constituição.

    Pois bem, decidindo assim, a moça chegou à cidade sob vaias e protestos, mas teve garantido o seu direito de locomover-se em território nacional e expressar seu pensamento. Da mesma forma, garantiu-se o mesmo aos contrários ao seu pensamento.

    Sabendo da minha decisão a seu respeito, para minha surpresa, fui o primeiro a receber a visita da moça cubana. Depois de alguns cumprimentos e agradecimentos, já na saída, ela me pediu uma sugestão de roteiro na cidade. Pensei um pouco e, já que tinha sido solicitado, respondi: olhe, conhecendo os que te acompanham, sei que irão te oferecer um saboroso jantar acompanhado de bons vinhos; depois, não se assuste se algum deles, para te impressionar, saque de sua caixinha um dos mais finos charutos cubanos (saudades de casa?); depois, não irão te permitir repousar em um dos hotéis da cidade, pois teu quarto de hóspede já está preparado. Então, apesar do conforto, durma pouco e acorde na madrugada para conversar com pessoas que já estão nas filas dos postos de saúde para marcar uma consulta para alguns meses, apesar da urgência do seu caso; depois, visite os bairros periféricos da cidade, completamente abandonados pelo poder público, e converse com os jovens dependentes de crack para tentar entender suas razões; mais tarde, visite a zona rural do município para ver os estragos causados pelo seca e as condições de vida dos pequenos produtores rurais e entenda que milhões de nordestinos ainda estão vivos graças aos programas sociais do governo federal; na saída, passando na cidade vizinha, visite o presídio regional e veja as condições em que vivem os presos deste país, quase todos analfabetos, sem profissão e delinquentes comuns; por fim, quando tomar a rodovia para Salvador, não deixe de visitar um assentamento do Movimento Sem Terra e então poderá entender as consequências de tantas cercas por este país… Depois disso, creio que você será capaz de entender que o Brasil não se resume aos jantares das elites, ao luxo do Congresso Nacional, a alegria do carnaval e o que divulga a mídia brasileira. Enfim, o Brasil que irão te mostrar talvez não seja o Brasil real. De qualquer forma, conte comigo para ver assegurado o seu direito de ir e vir, mas principalmente de ir e ver as contradições desse país.

    Com ironia, despedi-me de Yoani: seja portadora de saudações ao Comandante Fidel e, estando em Santa Clara, deposite por mim uma flor no mausoléu de Che Guevara! Ela sorriu meio sem graça, mas não se esquivou de me apertar a mão.

    Gerivaldo Neiva – Juiz de Direito (Ba), membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD) e do Law Enforcement Against Prohibition (Leap- Brasil)

    [1] A visita de Yoani não é verdadeira! O texto é um exercício de ficção com propósito pedagógico.

  • leda diz: 28 de fevereiro de 2013

    Meus cumprimentos para a Inês e Eduardo por suas colocações.

  • Observador diz: 28 de fevereiro de 2013

    ” Dei-lhe um pouco de poder e conhecerás o homen…”
    Lula, Zé Dirceu, Idely todos eram parecidos com a blogueira e se tornaram essa decepção …

  • Carlos Henrique diz: 1 de março de 2013

    A Yoani é colunista do Estadão, o Aécio da Folha, mas é tudo pela competência profissional, nada a ver com ideologia.
    Conta outra agora…

  • Paulo Vendelino Kons diz: 1 de março de 2013

    Lembro ao Carlos Henrique que Luiz Inácio Lula da Silva foi colunista do jornal Zero Hora até o começo de 2002. Lula escrevia todos os domingos na página de opinião do jornal da RBS. A coluna de Lula no ZH foi abandonada quando assumiu a sua quarta candidatura à Presidência da República.

  • E o salário, óh! diz: 1 de março de 2013

    Minha pergunta é: se um cubano defensor da revolução viesse ao Brasil, fosse à Europa ou aos EUA defender a revolução, que tratamento teria por parte da mídia? Estariam gritando por liberdade de expressão, ouvir o outro e tudo isso? Para mim essa moça não passa de mercenária pelos apoios que recebe. Ela não tem apoio popular, mas sim da mídia reacionária e conservadora. Portanto, levou o pau que mereceu! Aliás, NENHUM pensador que não ande na linha do conservadorismo/neoliberalismo tem espaço na mídia brasileira. Onde está a democracia? A liberdade de expressão? Hipócritas!

  • Virgulino Lampião diz: 1 de março de 2013

    Acho que já deu prá bola, né!
    Deram trela demais prá essa blogueira, como se fosse alguma Chefe de Estado, se encheu de razão, estufou-se toda, virou celebridade, e parece que ninguém se apercebeu de toda essa farsa! Sejamos mais importantes e responsáveis, e vamos nos preocupar com coisas mais sérias que, aliás, temos muitas, emperradas nas agendas de tantas campanhas eleitorais para serem resolvidas, em prol do povo brasileiro.