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Brusque: Hospital não tinha gestão e nem controle de gastos

10 de agosto de 2013 3

Nova direção do Hospital de Azambuja está concluindo auditoria e já  constatou a existência de uma dívida de 15 milhões de reais. Era administrado pela Mitra. Tinha graves problemas de gestão. Tudo sem controle.  O prefeito Paulo Eccel(PT), que deu estas informaçoes,  decretou intervenção e nomeou para a direção o ex-administrador Fabiano Amorim. Já o Hospital Dom Joaquim, também da Mitra, tem uma situação estável.  E 92% dos pacientes atendidos são pelo SUS.

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Comentários (3)

  • Walmor diz: 10 de agosto de 2013

    Pois é Moacir, mais um caso flagrante entre tantos de falta de gestão na saúde, esse é um dos grandes problemas que a saúde enfrenta hoje.

  • Luis diz: 11 de agosto de 2013

    Moacir, o discurso anti-Brasília, anti-tabela ruim do SUS é um lugar comum, é a desculpa ÚNICA que até o sindicato dos médicos sabe recitar, um mantra. Ocorre que há muita má administração, muito improviso e muita negociação mal feita nos hospitais, mesmo “filantrópicos”. No mais emblemático da cidade, duas chapas se digladiaram para ocupar o posto de gerente de massa falida…Vai saber porquê?

  • Paulo Vendelino Kons diz: 11 de agosto de 2013

    Caro Moacir,

    Para melhor compreender a realidade do Hospital Arquidiocesano Cônsul Carlos Renaux, encaminho matéria publicada na contracapa do Jornal da Arquidiocese, edição de julho de 2013:

    Prefeitura ocupa Hospital de Azambuja

    A prefeitura de Brusque decretou estado de calamidade no atendimento da rede hospitalar na tarde de 3 de junho. Após requisitou todas as instalações, equipe técnica e afastou sua direção e o Conselho de Administração do Hospital Arquidiocesano Cônsul Carlos Renaux, mais conhecido como Hospital Azambuja, de Brusque. A medida do prefeito Paulo Eccel (PT) foi tomada após o Hospital Azambuja ter notificado extrajudicialmente a Prefeitura do município, com a antecedência legalmente prevista de 60 dias, de que o pronto-socorro da unidade iria fechar pela falta de condições financeiras para manter os serviços. A instituição é referência em Pronto-atendimento em Brusque e região e o subfinanciamento dos procedimentos ao longo dos anos levou o Azambuja a acumular uma dívida de mais de R$ 15 milhões. De acordo com a administração do Hospital afastada pelo Prefeito, desde 1996 não ocorre um aumento linear (que todos os procedimentos) na tabelas dos serviços hospitalares. Isso resulta no achatamento dos valores recebidos pela instituição em relação aos custos reais dos serviços. Em alguns casos a defasagem chega a 200%. “Na média, o custo por procedimento de Urgência e Emergência é de R$ 44,00 e a Prefeitura de Brusque propôs nos pagar R$ 15,68. Por uma diária de UTI, que custa para nós R$ 1,2 mil, recebemos R$ 410,00. Como poderemos manter um paciente com esta diferença”, justificou o então administrador Ilário Borhchardt. A diferença de tabela levou a uma dívida acumulada de R$ 15 milhões e que agora se tornou insustentável. “Temos tentado administrar as diferenças, mas não dá mais. Precisamos reajustar os salários a cada ano, os remédios têm aumentos regulares e os nossos custos sobem, mas a tabela não acompanha esta frequência”, diz o diretor. Desde 1994 a inflação no setor é de 441%. Outra defasagem ocorre no número de atendimentos. A Prefeitura queria comprar do Hospital Azambuja quatro mil atendimento por mês, mas na realidade são realizados seis mil atendimentos/mês. “Esta diferença, de dois mil atendimentos, estaríamos fazendo de graça”, disse o gestor. A Prefeitura comprava serviços do Hospital Azambuja no valor de R$ 305 mil com recursos próprios e o hospital recebia do SUS R$ 438 mil, o que totaliza R$ 743 mil. De acordo com o diretor geral do Hospital, Padre Nélio Schwanke, o Pronto Socorro poderia funcionar normalmente, caso o poder público pagasse os custos reais dos atendimentos.
    O município de Brusque – em Gestão Plena do Sistema Único de Saúde (SUS) – é o responsável por analisar a produção e pagar os serviços dos prestadores de serviços de saúde. Se o valor efetivamente produzido pelos estabelecimentos do SUS ou conveniados for menor que o valor repassado, o Município de Brusque fica com o crédito remanescente; se, ao invés, o montante repassado for insuficiente, deve a Prefeitura de Brusque compor o débito com seus próprios recursos, pois os estabelecimentos de saúde públicos ou conveniados ao SUS são de responsabilidade do gestor municipal em Gestão Plena do Sistema.

    Dom Wilson criticou intervenção

    Nosso arcebispo criticou a intervenção realizada pela Prefeitura de Brusque no Hospital Azambuja em seu programa semanal de rádio “Um Novo Céu e Uma Nova Terra” de 8 e 9 de junho. O programa é retransmitido por diversas emissoras catarinenses, duas delas de Brusque. Dom Wilson classificou de “truculento, despótico e autoritário” o decreto de intervenção assinado pelo prefeito Paulo Eccel, dando condições para que a administração municipal assumisse o comando da instituição de saúde. O Hospital Arquidiocesano Cônsul Carlos Renaux pertence à Arquidiocese de Florianópolis, como lembrou dom Wilson em seu comunicado, e, para ele, a atitude de Eccel foi “invasão”. “Lamentamos e repudiamos a atitude tomada e esperamos que saia do Hospital, local que não deveria ter invadido”.

    Causou perplexidade e tristeza o banner colocado pela Prefeitura após ocupar o Hospital, informando que “Aqui tem Saúde”, tentando desmerecer o trabalho de mais de um século. Apesar da ocupação do Hospital, a comunidade renova a esperança que certamente ardia no coração e brilhava no olhar dos Padres Antônio Eising e José Sundrup, que na Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo do ano da Graça do Senhor de 1902 introduziram oficialmente as Irmãs da Divina Providência, enviadas para cuidar dos enfermos, dando início a nossa “Santa Casa de Misericórdia”, que já englobava modestamente um hospital, um asilo, um orfanato e um hospício. Não havia médicos. A Irmã Bárbara atendia os doentes, realizando inclusive pequenas cirurgias, sem qualquer anestesia. Da mesma forma como foi o primeiro atendimento do novel hospital, um ancião de 83 anos, achado num paiol sem paredes, deitado em cima de palha, coberto apenas com um cobertor leve, com confiança em Deus, na Virgem Maria e na caridade das pessoas de boa vontade.