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Jaison Barreto, a lenda

11 de agosto de 2013 4

Quando, no futuro, os pesquisadores mergulharem na história sobre o regime militar encontrarão um corajoso parlamentar de Santa Catarina. Foi projetado por posições ideológicas firmes e declarações políticas claras. Ganhou prestígio ao desafiar a “máfia dos medicamentos”, enfrentando na Câmara Federal uma guerra desigual. E quando os historiadores buscarem a memorável campanha das eleições diretas, terão a voz da coerência e o tribuno da legítima aspiração popular entre os primeiros da lista.

Jaison Barreto está completando 80 anos. Morador de Balneário Camboriú desde 1976, o ex-senador divide o apartamento no Centro da cidade com a cadelinha Chaiane Scarlet, sua paixão há oito anos. Ali, em meio a muitas edições de jornais diários, o ex-senador passa seus dias, assistindo televisão e, diz, recebendo poucas visitas. Enfrentando um problema nos olhos, faz suas leituras com o auxílio de uma lupa, problema que será solucionado em breve com um transplante de córneas.

Considerado um dos políticos mais íntegros e independentes da recente história catarinense, Jaison Barreto continua sendo admirado e estimado por uma legião de militantes e eleitores. Especialmente, entre os que viveram a “Chama da vitória”, a criativa mobilização popular que incendiou parcela da população em torno de sua candidatura.

No PMDB, encontra críticos por ter se filiado ao PDT para aliar-se ao governador Esperidião Amin(PDS), em 1985, firmando a Aliança Social Trabalhista. Projeto ousado, se tivesse sido vitorioso, a história de Santa Catarina seria outra.

A saúde está um caos? Médico, Jaison foi profético em 1981:

— Enquanto o Governo não assumir devidamente a assistência médica à população, enquanto não tiver uma estrutura própria hospitalar, enquanto não tiver um corpo de profissionais médicos e paramédicos voltados para execução dessa Política de Saúde, realmente destinada à grande parcela da população marginalizada, não há como se pretender resolver no varejo aquilo que está errado no atacado.

O ex-senador será homenageado pela Câmara Municipal de Florianópolis nesta segunda-feira com uma sessão solene. Iniciativa do vereador Afrânio Boppré que, como milhares, lembra com saudade as gloriosas jornadas lideradas pelo lendário senador.

*colaborou Romi de Liz.

Comentários

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Comentários (4)

  • Luis diz: 11 de agosto de 2013

    Saiu da política pela porta da frente, coisa que poucos conseguem. Sua eleição de 82 foi garfada, quem não sabe? Faz uma enorme falta neste ambiente nauseabundo da política atual. Essa geração de grandes políticos daquela época está se findando, as novas safras não nos deixam vislumbrar nada melhor.

  • André diz: 11 de agosto de 2013

    Saiu pela porta da frente, para depois entrar pelos fundos, quando aceitou compor com o Esperidião Amin, fundando a famigerada Aliança Social Trabalhista – AST. Jogou o seu passado de luta na lata do lixo a partir dali, aliando-se ao político que ganhou dele, na disputa para o governo, graças ao coronelismo político dos Bornhausens e ao viciado esquema de contagem dos votos. Ou seja, Jaison Barreto cometeu o maior erro de sua vida. Bem que o Afrânio poderia também chamar o Amin para entregar a homenagem. O Jaison iria adorar…

  • liaseal diz: 11 de agosto de 2013

    Virou a casaca, como se dizia naqueles tempos. O fato de ter ido correndo se sentar no colinho do Amin, então seu adversário na suspeitosíssima eleição de 82, não só adversário nas eleições, mas na oposição ideológica já que o Dão era o que então se rotulava de filhote da ditadura, o prefeito biônico do pior que o então regime representava, diz muito mais sobre o JB do que meros artiguetes atuais feitos para aliviar o julgamento de todos os que foram enganados por ele, só porque agora é um idoso de 80 anos.
    Estão preparando ou já devem estar nas gavetas ou pendrives de ‘jornalistas’ sem memória ou sem vergonha, tanto faz, os obituários sobre ele tão logo se confirme o evento inevitável a todos os mortais. Toda essa reescrita da história colocando-o como modelo de virtude política é só caridade. Não muda o passado e o passado o condena politicamente.

    Impossível não comparar com fatos mais recentes em que um certo Lula, antes cheio de senões contra a ditadura e seus mantenedores, tenha se aliado ao que de mais podre existia e existe na política nacional. Lula e Sarney-Maluf é exatamente como Jaison e Amin. Simples assim. A velhice não muda os fatos, nem os julgamentos dos fatos. Não um túnel do tempo onde ambos possam entrar e desfazer o que fizeram em termos de alianças e. ao que parece, nem Lula, nem JB se arrependem das guinadas.

    O pessoal da Arena, nos anos 70, dizia que o pessoal do MDB só era oposição porque não havia como alojar todos na ‘situação’, no governo. Jaison provou que os arenistas estavam com a razão.

    Um político não é só ele mesmo, não é só suas escolhas pessoais e estas, gostando ou não, devemos respeitar porque é direito de cada um mudar de opinião. Um político faz escolhas dentro da política que arrastam pessoas, sobretudo as que vêm nele um modelo, um norte a ser seguido. Não levou em consideração os votos que recebeu dos milhares que acreditaram nele, achando que o discurso era inflamado, sincero, verdadeiro…
    Aos 80 anos, não fez ainda uma autocrítica sobre as escolhas? Ou acha que não deve nada, nenhuma explicação? Já explicou a radical mudança em tão pouco tempo? Se arrependeu ou não? Se se arrependeu talvez até mereça o perdão daqueles a quem traiu em nome de uma política de alianças somente com vistas ao poder. Exatamente o que as ruas hoje dizem repudiar: o troca-troca, os arranjos, as falações de palanques apenas para enganar ‘eleitários’. O velho canto da sereia em que tanta gente que se acha tão sabida continua caindo e se deixando seduzir. Imagens e mitos construídos por marketing com endosso da imprensa que, no caso de certos políticos fracassados, não passa de caridade ‘cristã’.

    Só falta agora querer se fazer de vítima, que fez o que fez como ‘sacrifício’ para o bem do ‘povo’. O mesmo ‘sacrifício’ do PT ao se aliar ao PMDB, ao PP do Amin, etc. Ó, solo de violino, por favor!

    Rui Barbosa tinha uma frase lapidar sobre casos assim. Sobre não se deixar enganar pelos cabelos brancos porque os ‘cacaradas’ também envelhecem…
    Por ironia do destino ou justiça poética, sei lá, a frase também cai no autor como uma luva porque, afinal, mandar queimar documentos sobre escravatura para eliminar um passado vergonhoso não é bem coisa que enaltece biografias.

  • Observador atento diz: 11 de agosto de 2013

    Sabe quem o senador Jaison Barreto apoio para deputado estadual em Santa Catarina? O deputado Sargento Amauri Soares. Inclusive ainda apoiou financeiramente. Isso diz muito sobre quem ele considera íntegro e digno de apoio entre todos os candidatos de Santa Catarina