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Celesc: o depoimento de um funcionário

29 de agosto de 2013 7

Depoimento de um ex-funcionário da Celesc Distribuidora sobre a situação financeira, via e=mail, devidamente identificado, mas preservado”

“Moacir Pereira,

É com tristeza mas sem nenhuma surpresa que tomo conhecimento da situação da Celesc.
Trabalhei 26 anos na empresa e posso dizer que minha vida profissional foi bastante produtiva, me envolvendo apenas na parte técnica como engenheiro eletricista.
Mesmo assim não pude deixar de perceber a eterna e absurda dependência da empresa para com a política partidária.
O partido político que tomava o governo do estado invadia a empresa ocupando todas as posições de algum destaque e de algum poder, colocando nesses lugares pessoas comprometidas com o partido, independentemente de sua capacidade técnica, competência ou experiência, oferecendo-lhes todas as benesses.
Pessoas competentes, mas que não tinham comprometimento político, manifestavam antipatia pelo partido ou alguma simpatia por partidos adversários eram sumariamente afastadas de seus postos e colocadas em áreas que costumávamos chamar de “limbo”.
Bem depois dessa prioridade política ficavam a eficiência e o profissionalismo. Decisões técnicas eram tomadas com base em pedidos de apadrinhados. Investimentos eram abandonados por terem sido iniciados pelos adversários. O governo do estado, em dificuldades financeiras para pagar o funcionalismo, solenemente se servia do caixa da Celesc com a promessa de ressarcimento futuro. Os técnicos, em seu esforço, propunham atitudes e providências que eram comparadas com as prioridades do partido para serem aprovadas ou desprezadas e esquecidas.

Quando saí da Celesc em 2005 eu já achava que a empresa já tinha resistido demais ao que o setor elétrico exigia de suas concessionárias. O setor elétrico regulado pela reforma estrutural e o incisivo poder delegado à ANEEL exigiam mais eficiência das empresas, para manterem suas concessões. Era impossível manter uma Celesc amadora. O mercado disputava as concessões, que eram avaliadas técnica e minuciosamente. A concessão de gerar, transmitir e distribuir energia elétrica no estado não era mais uma garantia eterna.
Talvez a privatização da empresa tenha algumas desvantagens, mas as vantagens para sua saúde são tão grandes que tornam as desvantagens desprezíveis.
Apenas quem é dono de uma empresa se importa com a saúde dela. A Celesc estatal não é de ninguém e serve quase que exclusivamente para servir aos propósitos político partidários.
Se a Celesc distribuiu energia elétrica de qualidade e em quantidade suficiente para o estado de Santa Catarina crescesse o quanto cresceu até hoje, isso se deve ao corpo técnico abnegado que sempre lutou para mantê-la com uma eficiência mínima.
A Celesc subsistiu até hoje, não devido às suas administrações, mas “APESAR DELAS”.

Em épocas de crise como essa é que as melhores oportunidades aparecem. Quem sabe essa seja a grande oportunidade para a Celesc se tornar uma empresa independente dessa política partidária danosa e dirigir seu foco para a razão da sua existência: fornecer energia elétrica em quantidade e com qualidade para que o desenvolvimento e o bem estar dos catarinenses.”

Comentários

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Comentários (7)

  • Curió ( do céu de luz ) diz: 29 de agosto de 2013

    ” A verdade vos libertará. ”
    É a pura verdade que vai irromper das urnas em 2014.
    Se nas estatais é assim imaginem nas SDRs e nas secretarias centrais!

  • Walmor diz: 29 de agosto de 2013

    Moacir volto a repetir, a CELESC está indo no mesmo caminho do BESC, justamente porque a empresa está sendo administrada pelo viés político. Que os funcionários fiquem alertas, pois esse filme já assistimos e sabemos como termina, depois não adianta chorar o leite derramado como quiseram fazer os funcionários do BESC na época em que o banco quebrou, e precisou ser vendido para o Banco do Brasil.

  • Ernani diz: 30 de agosto de 2013

    Walmor, pesquise antes de postar: o BESC não foi vendido ao BB por ter “quebrado”. Quando do processo de incorporação, o BESC era um banco lucrativo, sob controle do governo federal. O que aconteceu foi um golpe político do governo do estado (com ajuda do poder legislativo, que chegou a alterar a constituição estadual), que tentou vender as contas salários dos servidores para o Bradesco e, assim, impossibilitar a operação do BESC como um banco lucrativo, forçando a privatização. A incorporação pelo BB também se deu por manobra política do governo federal, mas essa menos prejudicial do que seria a do governo estadual. Ninguém chorou sobre o leite derramado.

  • valter diz: 30 de agosto de 2013

    moacir pereira o cançer do brasil são esses partidos politicos. eles destroen quaquer orgão publico. tudo é politica, e assim vamos ao buraco negro onde vamos parar.

  • Volnei diz: 31 de agosto de 2013

    A grande maioria da população acha que a empresa publica é sustentada através dos impostos que todos pagam, por isso preferem a privatização.. na verdade ela é muito lucrativa e além de se sustentar paga os acionistas… deixar esse nosso “monopólio natural” na mão de terceiros é muito arriscado, na minha humilde opinião as companhias de agua e luz deveriam ser do governo e não de grupos muitas vezes de fora do país como Europa e China, não quero ter minha energia e agua controlada por outros países… isso é um absurdo… quando ficarmos dias sem energia coce vai cobrar de quem?? do Sr. Ching Li?? é muito mais facil cobrar de um político que depende do seu voto do que de alguém do outro lado do mundo… mesmo que pra isso temos que tolerar desvios sem punições…

  • Walmor diz: 31 de agosto de 2013

    Está bem Ernani, o BANESPA, o BANERJ, o BANESTADO, o BESC e outros tantos bancos estaduais, sofreram intervenção federal porque o Governo Federal assim o quis, e não porque esses bancos estavam em situação difícil e operando fora dos parâmetros estabelecidos pelo Banco Central. Certamente eram todos bancos lucrativos e com gestão eficiente, longe das interferências políticas. Um dos poucos bancos estaduais que sobrou e não sofreu intervenção do Governo Federal foi o BANRISUL. Cabe ressaltar que Isso tudo aconteceu no período que a inflação era alta, que favorecia o lucro no sistema bancário brasileiro, inclusive pelas altas taxas de juros praticadas.

  • Ameba Doce diz: 31 de agosto de 2013

    Trabalhar na Celesc é como enxugar gelo….