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Policiais Militares: com o risco da própria vida

06 de setembro de 2013 17

Do Major da Policia Militar, Wallace Carpes, Assessor Parlamentar da Acors, em reflexão intitulada “…mesmo com o risco da própria vida!” via e-mail, em colaboração a este blog:

“Em qualquer sociedade organizada as atividades humanas se desenvolvem num ambiente de conflito de interesses. Cada qual pretende exercer as suas garantias e direitos individuais de maneira plena e, normalmente, abstendo-se da percepção que seus semelhantes também gozam dos mesmos direitos. É justamente nessas situações que se justifica a presença do Estado, através das ações de polícia, para garantir o equilíbrio entre tais direitos e a possibilidade de todos bem exercê-los.
Em Santa Catarina a Polícia Militar é a principal instituição estatal presente diuturnamente no seio da comunidade. Quer seja limitando condutas, prestando serviços, protegendo ou garantindo o exercício pleno da cidadania, os militares estaduais atuam como organizadores da sociedade catarinense, através do trabalho de seus abnegados homens e mulheres.
Diariamente a população sente a presença do Estado através de nossos atos e mãos. O Estado é um ente fictício e imaterial. Já nós, somos a salvaguarda da paz e a garantia dos poderes constituídos. Somos a única instituição presente nos 295 municípios do Estado e nas 36 Secretarias de Desenvolvimento Regional.
Estes militares estaduais, ao finalizarem seus cursos de formação, proferem de maneira diversa de todas as demais profissões, um juramento de sangue, o qual os impõe vigoroso nível de estresse e responsabilidade diários, que é o de “dedicar-se à segurança da comunidade mesmo com o risco da própria vida”.
Percebe-se, assim, que os militares estaduais compõem uma categoria diferenciada e especial de servidores públicos. Sim, pois dispõem de sua integridade física e da própria vida para servir e proteger seus irmãos catarinenses. Há que se refletir acerca disso! Esse risco não é apenas figurado, mas sim uma realidade diária. No confronto direto com a crescente criminalidade que assola nosso estado, vários militares estaduais tombaram em serviço na árdua missão de proteger suas comunidades.
Somente nos últimos dias a morte do Cabo Marco Antônio Cardoso, em Lages e do 3º Sargento José Antônio dos Reis, em Imbituba, ambos cumprindo a missão de colocar as suas vidas em defesa da comunidade é a materialização extrema de seus juramentos. O compromisso de produtividade tão propalado na administração pública estadual se traduziu, para os nossos militares estaduais, na perda de suas vidas e na dor da falta que farão.
A ausência de suas vidas é sentida pela PMSC, por todos os militares e, principalmente, por seus familiares. Hoje, eles fazem parte da história da Corporação e seu sangue marca indelevelmente o solo catarinense. Nenhuma outra profissão exige tamanho sacrifício de seus profissionais. Bem por isso, e por tal diferenciação que atinge o limite de perda do bem mais precioso do ser humano que é a vida, a sociedade necessita voltar as suas atenções para essa importante classe.
Aliado a isto, os militares estaduais possuem vedação de realizar greve, são proibidos de filiação partidária, proibidos de pertencerem a um sindicato e passam para a reserva remunerada caso sejam empossados em cargos eletivos. Ainda, estão sujeitos a regulamentos disciplinares rígidos e também ao Código Penal Militar. São a última linha de defesa da regular democracia frente a qualquer manifestação, revolta, greve ou tentativa de desestabilização do Estado organizado. Portanto, merecem ser tratados de maneira especial com a garantia de prerrogativas típicas para compensar toda essa dedicação.
Quer seja através de condições estáveis de trabalho, do respeito e consideração das autoridades e da sociedade organizada, ou da satisfação de necessidades básicas de uma existência digna e confortável, merecem uma série de medidas e ações que propiciem a estes homens e mulheres boas condições de vida. E isso deve ser a contrapartida estatal pela dedicada e arriscada missão que desempenham em prol da coletividade.
A história, infelizmente, nos deve explicações! Os militares estaduais na maioria das vezes têm dificuldade de ter a sua casa própria, seus filhos estudam nas escolas mais humildes, pouco podem dispor de lazer e entretenimento de qualidade, além de residirem em comunidades consideradas pouco seguras.
Quando o povo está em festa e comemorando, os militares estaduais estão trabalhando. Quando o povo está desamparado e sofrendo, os militares estaduais abandonam as suas próprias casas para socorrer e restabelecer a ordem da comunidade. Quando você está descansando no conforto do seu lar, saiba que existem milhares de militares estaduais prontos e alertas para garantir a sua tranquilidade e segurança.
Portanto, o momento é de reconhecimento e de valorização dessa importante plêiade que entrega a sua vida em prol da coletividade catarinense.
Chegamos ao nosso limite! Merecemos valorização.”

Comentários

comments

Comentários (17)

  • pauilo souto diz: 6 de setembro de 2013

    Numa batalha, o primeiro a morrer é o soldado. Seja na guerra ou na segurança pública. O último seria o Coronel ou General.
    Sequência: Soldado, Cabo, Sargento………Tenente………

  • Delegado Eduardo Senna diz: 6 de setembro de 2013

    Ratifico a manifestação do amigo e grande profissional também da atividade da aviação aeropolicial, acrescentando tratar-se de verdade que também abriga a Polícia Civil e Corpo de Bombeiros.

  • Ana Lavratti diz: 6 de setembro de 2013

    Parabéns, Moacir Pereira, pela sensibilidade de compreender que a cidadania depende da segurança… e a segurança depende de policiais militares exemplarmente cidadãos…

  • Tiago Teixeira Ghilardi diz: 6 de setembro de 2013

    Vivemos dias em que a Polícia Militar é vista de forma distorcida, não coerente com o papel que realmente desenvolve. Inúmeros policiais militares labutam incansavelmente para a paz social. Quando acontecem os desvios por parte de alguns, são apurados e punidos. Este artigo escrito pelo, sempre lúcido, major Carpes resgata um sentimento ufanístico em todos nós que vestimos a farda todos os dias. É um grito, um forte apelo ante às recentes perdas em nossas fileiras. Faço coro: “Chegamos ao nosso limite! Merecemos valorização.”

  • Rudney Medeiros da Silva diz: 6 de setembro de 2013

    Parabéns Carpes… foste claro preciso e conciso, apesar do tamanho do texto. A sociedade precisa saber quem somos e o que fazemos. Isto apenas nós e nossos familiares, talvez, sabemos. Somos como uma certa arma de fogo que não posso divulgar o nome/marca – 24/7.

    Sucesso.

    Rudney

  • Juliana Desterro diz: 6 de setembro de 2013

    Na batalha todos morrem,independe da hierarquia.Do bom soldado ao bom coronel.Não existe sequência,existe coragem.Parabéns ao Major PM Carpes,falou por todos,sem sequência.

  • MIRO AVAIANO diz: 6 de setembro de 2013

    PARABÉNS WALLACE, TEU RELATO PRECISO D’AQUILO QUE REPRESENTA A POLÍCIA MILITAR COMO UM TODO PARA O POVO CATARINENSE, TRADUZ PARA TODA A SOCIEDADE A VERDADE SOBRE O COTIDIANO DOS QUE REALMENTE LABUTAM, SEMPRE COM A PREOCUPAÇÃO DO MELHOR PARA OS JUSTOS!!!

  • liaseal diz: 6 de setembro de 2013

    ‘Menas, menas’. Os dois coitados que morreram em serviço não tiveram a sorte de estarem acoitados nos quartéis, nas casas civis, ALESCs e TJSCs da vida.
    Na função preventiva a PM deixa muito a desejar ou não estaríamos com medo até de abrir uma janela de casa. Quem dera todos os que estão expostos à violência pudessem portar e USAR uma arma para se defenderem porque quando as polícias chegam já estão mortos. Quem dera o professor de educação física, Adair José Marcon, tivesse tido a chance de atirar no seu assassino, ou que algum colega do professor tivesse tido a chance de mandar o marginal sentar no colo do capeta. O PM não vai voltar, mas seus pares sabem que ao menos alguma justiça foi feita… Aquele lixo não matará mais ninguém.
    E que lero é esse de aproveitar a morte de PMs para lamentar que precisam colocar os filhos em escolas ‘humildes’, vale dizer, ‘públicas’?
    É o que digo sempre… Todos querem ganhar bem para morar em lugares onde possam pagar porteiros e vigias e escolas privadas (como se nelas não houvesse marginais, vide caso do assassino de SP que matou 4 da família, ou o outro que matou coleguinha na escola adventista também em SP e que fez de tudo para abafar o caso e deixar a morte sem punição…).
    Esperem ao menos os coitados esfriarem nas tumbas antes de usá-los para choramingar ganhos a mais só para espancarem quem vai para as ruas pedir por mais justiça social e melhores condições de trabalho, de vida, também. Nos governantes não batem, menos ainda em seus ‘superiores’ exploradores…

  • Luis diz: 7 de setembro de 2013

    A PM agoniza. É mal remunerada, mal equipada, subdimensionada e foi perversamente contaminada pela politização, partidarização e o pior, a privatização. Esta última, a indústria do bico, transformando policial em segurança privada de prostíbulos, postos de gasolina, restaurantes, shoppings, supermercados, isto para não pensar no pior, a segurança do tráfico, do jogo clandestino e tanto mais. Não dá para creditar tudo ao desgovernador Colombo, o desmonte é processo iniciado bem antes. E quanto a partidarização, basta lembrar os tristes episódios envolvendo PMs e o caso Santana em São José e o do palanque do ex-prefeito Dario Moeda Verde. Tristes tempos.

  • LOURIVAL AFONSO diz: 7 de setembro de 2013

    Causa-me perplexidade quando o Sr. oficial afirma que existem policiais militares dentro das 36 secretarias regionais. Quando boa parte da sociedade pede urgentemente a extinção desses cabides de emprego e foi proposta de campanha do Sr. governador quando estava na oposição. Se em cada regional estiver no minimo dois Pms são 72 policiais tirados da rua onde deveriam estar a disposição da sociedade. Quanto a policial militar ser proibido de filiação partidária é pura falácia, pois muitos estão diretamente envolvidos com políticos, fazendo lobys e levando vantagens em detrimento de colegas de farda que realmente trabalham e estão sujeitos a fatalidades pois não tem a mesma sorte dos apadrinhados de permanecerem dentro das repartições públicas. O momento deve ser de respeito e de consideração não só do policial militar, mas sim do funcionalismo público estadual que foi abandonado pelo estado.

  • Filipe diz: 7 de setembro de 2013

    liaseal, quanta maldade e tendenciosismo neste seu cometário! Pobre infeliz que não sabe a realidade dentro dos quartéis, não vê as dificuldades que a PM, BM ou PC passam todos os dias. Procure se informar para não falar besteira, pois gente como você são as primeiras pessoas que vão pedir socorro no 190 e ainda falam mal.

  • Cristian Dimitri Andrade diz: 7 de setembro de 2013

    Retransmito o e-mail postado pelo Sr Sérgio Lima e Silva: “ADEUS SGT. ANTÔNIO. Estive ontem no velório e enterro do sgto. Antônio. Uma pessoa muito querida e quem tive o privilégio de conhecer e trabalhar há mais de 4 anos durante as montagens dos eventos da Proerd em Imbituba. O ginásio coberto estava lotado. O capelão, T.Cel. Valdemar Groh foi muito vibrante e suas palavras e cheias de emoção. A morte de um policial, que combate o crime e está ao lado da sociedade, não pode e não deve passar despercebido pela sua população. No caso do sgto. Antônio, não foi preciso muito esforço. Em Imbituba ele era conhecido e amado por todos. Crianças, adolescentes, jovens, pais, professores e toda a comunidade o viam como um anjo protetor. Conversando com algumas pessoas, fiquei ainda mais impressionando. Escutei o comentário de um mecânico que, emocionado, disse que o sgto. Antônio mudou a forma que a população via a polícia. Ele ensinou a todos “gostar da Polícia”. Incrível isso!!! Todos seus amigos e admiradores estavam presentes no velório. Ao lado do caixão, a sua esposa (que ainda tinha força para consolar os mais emocionados), familiares, o secretário da SOL, colegas mais diretos do programa de combate às drogas, onde sua ligação era ainda maior, o efetivo policial do GEIB, comandante da PM de Imbituba, o comandante regional e, ex-comandante geral de Imbituba e, o comandante geral da PMSC, coronel Nazareno Marcineiro, eram só lágrimas. A parte mais emocionante foi a entrada do mascote da Proerd ao som da canção do projeto. Eram muitas e muitas crianças por todo o ginásio chorando e, muitas correram para ficar ao lado do caixão aguardando a aproximação da figura do leãozinho que simbolicamente esfregava a sua mão nos olhos como um sinal de choro! Muito emocionante e muito triste. O capelão, padre Waldemar, já ao final da cerimônia, lembrou o seu trabalho no combate às drogas no município, como que um alerta às crianças e a nova geração. O comandante geral PMSC entregou a bandeira que estava enrolada no caixão para a viúva. Mais emoção o comandante da PM de Imbituba, maj. Evaldo Hoffmann fala a todos sobre o exemplar policial e amigo e que, este, estaria indo para a reserva em 7 meses. Em seguida, o corpo é levado por um grupo num corredor formado por seus colegas (muito triste essa cena) e sai do ginásio. Lá fora, mais emoção: uma salva de tiros na praça antes do corpo subir no carro de Bombeiros e seguir para o cemitério. Ao longo de todo o trajeto, com a sirene ligada, a população, de todas as formas, se despedia do seu amigo policial e herói morto em combate. Sai do evento emocionado e com um nó na garganta!!! Adeus amigo ou como disse o padre, até breve”! (Sérgio Lima e Silva)

  • Curió diz: 7 de setembro de 2013

    liaseal salgou a santa ceia!

  • fava diz: 7 de setembro de 2013

    Eita!! É àquela choradeira de sempre!! Diria que os praças merecem nosso reconhecimento, por que estes sim dão a vida pela população. Já os oficiosos, que usualmente se escondem nos gabinetes, estes já são bem reconhecidos pelo que fazem, ou seja, nada!!!!

  • Fernando diz: 7 de setembro de 2013

    O major fazendo Loby com a morte do soldado e do Sgt. Na verdade quem mais DESvaloriza os policias militares são os oficias da PM. Morreram também PRFs, PCs, e tantas outras vitimas da violência. Alias quantos policias morreram esse ano? dez? Já cidadães comuns ( não policias)? Centenas… Mas fica a duvida justiça social quem faz?

  • Juliano Menezes diz: 9 de setembro de 2013

    Somente os policiais conseguem observar a profundidade destas palavras. Concordo com a linha de pensamento do escritor. Somos diferentes e devemos ser diferenciados do restante do funcionalismo. Incluo a PC e o Corpo de Bombeiros. Felizes os que leem além das palavras. Aos que tombaram que o Grande Criador do Universo os receba em seus braços, aos guerreiros que aqui estão, que contemos com a sua proteção.

    Abraço Moacir.

  • Nascimento diz: 11 de setembro de 2013

    Realmente alguns não sabem a realidade das Policias, são verdadeiros heróis, o povo não sabe um terço do que a segurança deste estado tem que fazer para manter a tranquilidade e a ordem pública, a polícia não atente nas ruas somente questões de criminalidade, basta ter um cavalo solto,nas ruas ou um poste mal iluminado adivinhem para quem eles ligam?? … para prefeitura ??? duvido… 190 é o primeiro numero que lhes veem a cabeça… mas não tem problema mesmo assim a policia vai até la e tira o cavalo da rua, a Policial é realmente o único braço do estado que o povo tem 24 horas diuturnamente….. experimente tirar a policia das ruas por apenas 24 horas para ver o caos reinar e esse tolos hipócritas verem que esses bravos homens não só são necessários …mas sim essenciais ao convívio social pacifico. Desejo força e que deus acompanhe sempre esses nosso guerreiros da paz, mal remunerados e mal entendidos pelos hipócritas da sociedade.