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Procurador Federal homenageia Eduardo Campos

14 de agosto de 2014 2

“Caríssimo Amigo Moacir Pereira,
Lendo hoje cedo a sua prestigiosa Coluna, ainda sob o impacto do lamentável acidente que ceifou prematuramente a vida de Eduardo Campos, refleti que a nossa condição humana não consegue explicar os mistérios insondáveis da vida e do destino. O que vemos do mundo é uma ínfima fração do que existe. Pois bem, deixemos de lado as especulações filosóficas para fazer algumas considerações sobre a figura exemplar de Eduardo Campos. Tive a honra e o privilégio de conhecer Eduardo Campos quando o ilustre pranteado era Ministro de Estado de Ciência e Tecnologia e este seu modesto amigo exercia o cargo de Procurador da Universidade de Brasília. Ele era um homem de elevado espírito público, tinha orgulho de suas raízes nordestinas e era um apaixonado pelo Brasil. Homem de sólida formação técnica, cultural e humanística Eduardo Campos não conseguia e nem concebia um Brasil com um Nordeste subdesenvolvido. Eduardo Campos tinha um projeto político, econômico e social vigoroso para resgatar o Nordeste e consolidar as regiões que já se encontram em um avançado estágio de desenvolvimento, numa perfeita integração e harmonia de todas as regiões que formam o nosso país.

Entre as virtudes cívicas e pessoais de Eduardo Campos, a generosidade saltava à vista. Ele tinha o dom da persistência num mundo de desistências; coerência na era dos ziguezagues; lealdade num tempo de novas e velhas alianças; fidelidade quando é fácil trair; convicções profundas reagindo à futilidade dos ventos erráticos de cada conjuntura. Desse solo ético fecundo brotou a reconhecida capacidade política e administrativa deste grande brasileiro que foi tragado pela morte inesperada.

A morte de um líder nos deixa com menos vida, sinto que morreu um pouco de mim. John Donne nos ensina: “Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti?.

Neste instante de grande comoção o que me conforta é saber que a morte é o grande início do reencontro definitivo com o Criador. Cora Coralina, do alto de sua imortalidade, nos conforta:

“Morta? serei árvore
serei tronco, serei fronde
e minhas raízes
enlaçadas às pedras de meu berço
são as cordas quebradas de uma lira

Enfeitai de folhas verdes
a pedra de meu túmulo
num simbolismo de vida vegetal.

Não morre aquele
que deixou na terra
a melodia de seu cântico
na música de seus versos?.
Ao Eduardo Campos a nossa homenagem e nosso pranto de saudade com a
certeza do reencontro definitivo.
Receba o meu fraterno abraço maranhense e renovador.
Georgino Melo e Silva.”

Comentários

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Comentários (2)

  • Giulia diz: 15 de agosto de 2014

    Bonita homenagem.

  • Christini Bardini diz: 15 de agosto de 2014

    Nos faz refletir ! Linda mensagem !!