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Carta de desabafo de policial que exonerou-se da Policia Civil de SC

30 de outubro de 2014 27

Sindicato dos Policiais Civis- Sinpol – está divulgando Carta de Desabafo do policial Ícaro Kruger Stuelp, que pediu demissão da corporação com várias críticas e desencantos. Leia:

“Dois anos, sete meses, dezoito dias. Esse é o tempo que estou na Policia Civil de Santa Catarina. Este é o tempo que “estou policial”. Estou policial pois é uma condição que se aplica, não nasci assim e vim comunicar aos colegas que não mais assim serei. Hoje entreguei a arma, o colete, a algema e a funcional. Pedido de exoneração já foi encaminhado. Hoje encerro minhas atividades na Policia Civil de Santa Catarina.

Dois anos, sete meses, dezoito dias. Foi um tempo em que aprendi muito, evoluí muito, e do qual me orgulho pelo que fiz e pelas pessoas com quem convivi. Hoje eu sei que eu aprendi nesse período coisas da vida que não aprenderia em lugar algum. Estou saindo não por ter passado em outro concurso, não pelo dinheiro não fazer falta, nem por simples e pura vontade.
Estou saindo porque aprendi, nos últimos meses, que o que mais vale para o ser humano é ser tratado como tal, o que mais vale para o ser humano é a qualidade de vida e o que mais vale para o indivíduo é ter um objetivo.

Sairei sem ter passado em outro concurso, sem poder me sustentar por conta, sem algo em vista. Mas sairei. Não aguento mais as condições de trabalho na Policia Civil. Não aguento mais ver as nomeações políticas para certos órgãos. Não aguento mais ver as pessoas reclamando de salário quando o maior problema é que não realizamos a nossa função. Se nós fossemos policiais no sentido literal da palavra não estaríamos registrando boletins de ocorrência que não vão dar em nada. Estaríamos investigando. Mas isso é privilégio de poucos.
O Estado perde muitos policiais por não saber valorizar a mão de obra que tem. Conheço muitos policiais que querem ser policiais e se todos fossemos colocados para realizar nossas funções trabalharíamos e renderíamos inúmeras vezes mais do que o esperado. Se pudéssemos ser policiais nós investigaríamos, passaríamos dias e noites resolvendo casos e nem nos preocuparíamos com as horas trabalhadas. A paixão de muitas das pessoas que estão na polícia e a paixão de muitas pessoas que deixam a polícia é a polícia. Eu não gostaria de sair. Mas a última coisa que sou é policial. Eu sou “beólogo”.

E olha que só no tempo que estou na DPCAMI de Joinville realizei, com o apoio de incríveis policiais que por aqui passaram e que por aqui continuam, quase uma centena de cumprimento de mandados de busca e apreensão, mandados de prisão, solução de casos emergenciais de “Maria da Penha” e prisões em flagrante. Infelizmente foram vários policiais que deixaram esta delegacia e que deixaram a Polícia Civil este ano. Comigo são seis pessoas a menos no efetivo da DPCAMI de Joinville, sem qualquer reposição.

Há policiais muito dedicados que estão saindo em busca de algo melhor. Policiais que fizeram muito pela polícia de uma forma geral. Dentre eles menciono a ex-policial Bia Alvarez, que trabalhou na DPCAMI de Joinville e que todos conhecem por sua notória garra, vontade e caráter. Ela fez muito pela polícia, mas infelizmente também nos deixou. Eu sinto a mesma coisa, não tive um terço da capacidade dela, mas me esforcei ao máximo para fazer o melhor, mas mesmo assim ouvi por algumas vezes que “prego que se destaca leva martelada”.

Desejo a todos que ficam uma boa sorte. Se quiserem continuar brigando por salário, continuem. Não vão melhorar nada e logo estarão brigando por salário novamente. Não é de dinheiro que somos feitos. É de objetivos. Se quiserem brigar a boa briga, se quiserem uma luta que valha a pena briguem para que a Polícia Civil possa cumprir sua função exclusiva, investigar e solucionar crimes. Aí a valorização do serviço será consequência necessária.

Desejo a todos a melhor das sortes. Obrigado a todos pelo tempo que passamos juntos.
Não se deixem usar. A vida é feita de decisões e decisões nunca são fáceis. Essa decisão não foi fácil pra mim, mas tenho certeza que foi a mais acertada. Gostaria de encerrar com a definição de Einstein para insanidade, que me fez muito sentido ultimamente. Para ele, insanidade é fazer repetidamente a mesma coisa e esperar resultados diferentes.

Comentários

comments

Comentários (27)

  • souto maior diz: 30 de outubro de 2014

    É isso na policia civil, na militar, na saúde e na educação …..
    Lamentável….

  • Joaquim diz: 30 de outubro de 2014

    Será que o sindicato entendeu o desabafo? É, salvo engano, uma crítica, também, ao sindicato.

  • Jean do Amaral Lima diz: 30 de outubro de 2014

    Prezado Moacir, quando li o texto acima imediatamente projetei a angustia vivida pelo ex-colega da polícia civil nos meus vários colegas da polícia federal. Sou agente da polícia federal desde 2003 e hoje o DPF vive a maior crise de todos os tempos. A instituição está rachada. De um lado os delegados e do outro os agentes, escrivães, papiloscopistas e ultimamente os peritos. A gota d’água foi a “iniciativa” do governo federal em aceitar a pressão dos delegados e publicar a Medida Provisória 657/2014. Resumidamente, a MP 657/2014 condena o DPF a ser comandado em suas várias instâncias por pessoas inexperientes e/ou incompetentes já que somente um dos cargos (os delegados) poderão assumir funções de chefia.
    Hoje essa prática perversa já existe e agora vai virar lei. É um dos principais fatores de desmotivação dos servidores não delegados, já que os mesmos nunca são reconhecidos por suas competências. São cincos cargos que compõe a Carreira Policial Federal, todos de nível superior, e somente um deles, o delegado, tem a possibilidade de gerir o DPF.
    Estranhamente Moacir, a MP 657/2014 está tramitando a toque de caixa, todas as emendas foram rejeitadas, o texto foi aprovado em sessão fechada, não estão permitindo a discussão da matéria em audiências públicas, etc. Infelizmente, a crise da Polícia Civil é bem parecida com a vivida pela Polícia Federal e a segurança pública do nosso país continuará sendo um dos grandes problemas do Brasil.

  • marcelo diz: 30 de outubro de 2014

    Depoimento muito sério.
    Há tempos, lamentavelmente, o que a polícia menos faz é investigar.
    Os policiais vivem a registrar boletins de ocorrência. A atividade virou meramente cartorária.
    Isto sem contar aqueles lotados nas circunscrições de trânsito, fazendo documentos e lacrando placas. Isto já deveria passar para uma autarquia, liberando os policiais para a sua atividade fim: investigação.
    Depois não tem como reclamar se outras instituições também passam a investgar. O espaço vai sendo preenchido.
    Desejo ao ex-policial que se realize em outra profissão que o respeite.

  • Vera Lúcia Gonçalves diz: 30 de outubro de 2014

    Sei bem o que estás sofrendo, pois também fui professora estadual e requeri exoneração por receber salário inferior ao mínimo, por 20 horas aula.
    É sempre a mesma coisa, desvalorização, escárnio pelo que de mais caro temos, que é educação, segurança e no caso dos médicos saúde. Na hora de fazer campanha política prometem e depois simplesmente viram as costas para todos sem dó. Mas boa sorte na próxima profissão, vai dar certo!!!

  • DRM diz: 31 de outubro de 2014

    Nada contra o desabafo do colega em questão, até porque convivo no dia a dia as dificuldades que a segurança pública enfrenta, mormente no que diz respeito ao efetivo. Apenas vejo que a atitude em questão representa tão somente a convicção do ex-policial de que não estava na profissão correta e está transformando a sua exoneração num ato heróico. Lembro-me de um Secretário de Segurança Pública que contra atacou uma situação dessas, publicando o texto abaixo, que reflete também meu entendimento:

    FAZER O QUE SE GOSTA

    Florianópolis – A escolha de uma profissão é o primeiro calvário de todo adolescente. Muitos tios, pais e orientadores vocacionais acabam recomendando “fazer o que se gosta”, um conselho confuso e equivocado.
    Empresas pagam a profissionais para fazer o que a comunidade acha importante ser feito, não aquilo que os funcionários gostariam de fazer, que normalmente é jogar futebol, ler um livro ou tomar chope na praia.
    Seria um mundo perfeito se as coisas que queremos fazer coincidissem exatamente com o que a sociedade acha importante ser feito. Mas aí, quem tiraria o lixo, algo necessário, mas que ninguém quer fazer?
    Muitos jovens sonham trabalhar no terceiro setor porque é o que gostariam de fazer. Toda semana recebo jovens que querem trabalhar em minha consultoria num projeto social. “Quero ajudar os outros, não quero participar desse capitalismo selvagem”. Nesses casos, peço que deixem comigo os sapatos e as meias e voltem para conversar em uma semana.
    É uma arrogância intelectual que se ensina nas universidades brasileiras e um insulto aos sapateiros e aos trabalhadores dizer que eles não ajudam os outros. A maioria das pessoas que ajudam os outros o faz de graça.
    As coisas que realmente gosto de fazer, como jogar tênis, velejar e organizar o Prêmio Bem Eficiente, eu faço de graça. O “ócio criativo”, o sonho brasileiro de receber um salário para “fazer o que se gosta”, somente é alcançado por alguns professores felizardos de filosofia que podem ler o que gostam em tempo integral.
    O que seria de nós se ninguém produzisse sapatos e meias, só porque alguns membros da sociedade só querem “fazer o que gostam”? Pediatras e obstetras atendem às 2 da manhã. Médicos e enfermeiros atendem aos sábados e domingos não porque gostam, mas porque isso tem de ser feito.
    Empresas, hospitais, entidades beneficientes estão aí para fazer o que é preciso, aos sábados, domingos e feriados. Eu respeito muito mais os altruístas que fazem aquilo que tem de ser feito do que os egoístas que só querem “fazer o que gostam”.
    Então teremos de trabalhar em algo que odiamos, condenados a uma vida profissional chata e opressiva? Existe um final feliz. A saída para esse dilema a aprender a gostar do que você faz. E isso é mais fácil do que se pensa. Basta fazer seu trabalho com esmero, bem feito. Curta o prazer da excelência, o prazer estético da qualidade e da perfeição.
    Aliás, isso não é um conselho simplesmente profissional, é um conselho de vida. Se algo vale a pena ser feito na vida, vale a pena ser bem feito. Viva com esse objetivo. Você poderá não ficar rico, mas será feliz.
    Provavelmente, nada lhe faltará, porque se paga melhor àqueles que fazem o trabalho bem feito do que àqueles que fazem o mínimo necessário.
    Se quiser procurar algo, descubra suas habilidades naturais, que permitirão que realize seu trabalho com distinção e o colocarão à frente dos demais.
    Muitos profissionais odeiam o que fazem porque não se preparam adequadamente, não estudaram o suficiente, não sabem fazer aquilo que gostam, e aí odeiam o que fazem mal feito.
    Sempre fui um perfeccionista. Fiz muitas coisas chatas na vida, mas sempre fiz questão de faze-las bem feitas. Sou até criticado por isso, porque demoro demais, vivo brigando com quem é incompetente, reescrevo estes artigos umas quarenta vezes para o desespero de meus editores, sou superexigente comigo e com os outros.
    Hoje, percebo que foi esse perfeccionismo que me permitiu sobreviver à chatice da vida, que me fez gostar das coisas chatas que tenho de fazer.
    Se você não gosta de seu trabalho, tente faze-lo bem feito. Seja o melhor em sua área, destaque-se pela precisão. Você será aplaudido, valorizado, procurado, e outras portas se abrirão. Começará a ser até criativo, inventando coisa nova, e isso é um raro prazer.
    Faça seu trabalho mal feito e você odiará o que faz, odiando sua empresa, seu patrão, seus colegas, seu país e a si mesmo.

    *Stephen Kanitz é administrador por Harvard (www.kanitz.com.br)

  • Adelino Renuncio diz: 31 de outubro de 2014

    PARABÉNS,íCARO!
    Pena que nem todos não possam tomar a tua decisão. Sempre há uma família a sustentar e uma responsabilidade já assumida. Na verdade o que está errado não é só na Polícia Civil. Todo o arcabouço legal está às avessas no Brasil. Os três poderes estão podres. Os políticos acomodados nos seus cargos sugando a pátria. A justiça mamando vergonhoso auxílio moradia. As igreja aproveitando a nojeira estabelecida para roubar. O que é que se salva?? Os porcos e podres exigindo respeito e os respeitáveis tolerando tudo. e pagando a conta. Resta-nos a crença na eternidade!

  • Agente Desanimado diz: 31 de outubro de 2014

    Caro Moacir,

    Obrigado por abrir esse espaço para mostrar a realidade da Polícia Civil de SC. O colega que agora deixa a instituição não falou nada de incorreto. Infelizmente esse é o mais fiel retrato da polícia civil catarinense: um órgão burocrático com alguns poucos que ainda fazem verdadeiro serviço policial. Interessante, ou melhor, decepcionante, é o fato de que, quando ingressamos na PC, nosso treinamento é totalmente voltado para o setor prático-operacional. Ministram-nos aulas de técnicas de combate em ambientes fechados, de progressão em favelas, defesa pessoal, uso da força e tiro prático, de investigação eletrônica, entre outras diversas vertentes do conhecimento policial. Agora, quando saímos da academia e chegamos ao local de lotação para começar a trabalhar… Quanta decepção! Quase que sempre colocam-nos sentados em frente a um computador e ali ficamos digitando o tal BO o dia todo, todos os dias, e por vários e vários anos… O pior é que esses registros em 99% das vezes são apenas e tão somente para gerar estatística, quase nada é feito em seguida. Eles não são investigados, pura e simplesmente, por falta de quem os investigue. Dirão alguns que isso é normal, que policiais novatos devem primeiro “aprender a ser polícia”, então nada melhor do que digitar BO para isso. Pois é, poderia ser verdadeira essa afirmação caso existisse investigação de verdade nas delegacias do Estado. Na maioria das comarcas investiga-se muito pouco, quase tudo acaba como começa, apenas no BO mesmo. Como disse o colega Ícaro, nós não somos policiais, somos “Beólogos”, somos apenas fazedores de BO’s. Soma-se a isso o fato de que, no tempo que não estamos “batendo BO”, saímos à rua apenas para entregar intimações, já que somos ainda o “Correio do Estado” e pronto, a decepção com a Polícia Civil derruba até o mais puro dos idealistas.

    Jornalista, nossa segurança pública está à míngua, e isso não é de agora. Menos policiais trabalham hoje do que aqueles que trabalhavam na década de oitenta do século passado. Enquanto a população do Estado mais que dobrou, o número de policias diminuiu. Como prestar um serviço de qualidade dessa maneira? Impossível! Para finalizar, certa vez outro colega que também já “abandonou o barco”, brincando, afirmou : “O Estado finge o que dá segurança à população enquanto essa finge que está segura.” É de se pensar..

    Forte Abraço!

    Obs.: Por motivos óbvios faço uso de pseudônimo.

  • Lucio diz: 31 de outubro de 2014

    Sou Policial Civil. Concordo em partes com o que foi dito pelo colega, contudo, discordo quando diz para não lutar por salário melhor! Afinal, não é só de satisfação pessoal que vivo. Tenho contas a pagar, escola, carro, prestação de casa, mercado e etc. Se não tiver um salário digno, não consigo sobreviver e ter minha qualidade de vida! Não tenho o luxo de largar uma carreira, que mesmo com suas mazelas, me sustenta!

  • Carlos Alberto Bertoldo dos Santos diz: 31 de outubro de 2014

    OLÁ ÍCARO,
    Sou aposentado ,quero deixar aqui o meus parabéns pela sua atitude de um verdadeiro servidor público que acreditou na hora em que efetuou o concurso de carreira na Policia Civil, e com o passar do tempo observou esse vazio, que acontece com as pessoas de boa índole, com certeza a maioria de nossos políticos e servidores são o espelho de nossas instituições.
    Italo sucesso em sua nova carreira e que Deus te proteja em todos os seus atos,” e quem é feliz no caminho, feliz será em qualquer lugar que vá.”

  • Roberto – Joaçaba diz: 31 de outubro de 2014

    Sinto pelo funcionário mas ao mesmo tempo eu acho que faria o mesmo procedimento, DESCASO do governo com os funcionários da segurança, saúde e educação, foi feito alerta pelo SINPOL que iria acontecer (LEIA-SE JULIANO PEDRINI) além de vários funcionários que estão se aposentando agora vem mais essa bomba, funcionários indo embora, para outras áreas, outros rumos por que não tem futuro nenhum permanecer, assim está com a educação, os professores querem e com justiça melhores salários, um funcionário da Celesc tem como vale alimentação 800 reais enquanto um professor 200 e poucos reais, não que o funcionário da Celesc não mereça é o dos professores que está baixo. Não existe prisão, condenação, se não houver polícia investigativa e olha que esse pessoal da PC é bom, trabalham direito, são ótimos profissionais, assim como são os PM, convivo com eles, são meus amigos e sei do trabalho que realizam, muitas vezes mais além do que suas obrigações, imaginem se fossem realmente reconhecidos e bem pagos, com aparato e condições de trabalho que merecem, lamentável que o funcionário tenha que chegar nessa situação, pessoal da saúde também muitas vezes sem condições de trabalho e salários baixos, falta de equipamento, governador Raimundo, olhe com não com carinho , com real necessidade para estes três setores no contexto do nosso Estado, vamos nos ajudar, esquecer o partido, somos gente trabalhadora, nos orgulhamos de nosso Estado, é realmente SANTA E BELA CATARINA, mas podemos ser mais, vamos pensar um novo governo, deixar de lado os partidos, os ajustes que a moeda política faz, pensar mais no povo, nas pessoas, afinal batem corações, colocar técnicos que sabem desempenhar seu trabalho do dia-a-dia, pessoas competentes, podem até ter compromisso político, mais o verdadeiro compromisso é com a população, é o mais importante, é essencial. Meu caro Ícaro, só posso lhe desejar boa sorte na nova empreitada, seja feliz… um forte abraço para você e sua FAMIÍLIA…

  • silvio diz: 31 de outubro de 2014

    Beólogo: Bela definição…

  • Arilson Carlos Nazario – Diretor Sinpol/SC diz: 31 de outubro de 2014

    [correção] Nosso Ícaro NÃO se deixou absorver pelo “fascínio” do Mister policial civil, afirmando que, como ser humano não admite ser tratado diferente desta condição. Até onde a vocação e a vibração de ser Policial suportam a precariedade estrutural da PCSC? Até a cabeça e o corpo emitirem sinais de desgaste na saúde! Mesmo assim, alguns ainda tentam ignorar tais sinais e além de rumarem para a enfermidade, muitas vezes passam a desacreditar na Luta da categoria. Mas digo a todos e tod@s, a LUTA é o que nos resta. Não só como policiais civis/servidores públicos, mas também como usuários dos respectivos serviços. É preciso que JUNTOS, o sindicato da categoria, gestores institucionais e governo do estado promovam a REENGENHARIA da PCSC.

    “Policiais Civis é que somos. Promover a INVESTIGAÇÃO CRIMINAL é nossa maior missão!”

    Boa sorte Ícaro. Segue a Luta!

    Arilson Carlos Nazario
    Agente de Polícia Civil/PCSC (há 20 anos)
    Diretor Assuntos Profissionais e Divulgação – Sinpol/SC

    “O sonho de Ícaro!” – Mitologia grega

    [...] No entanto Ícaro não ouviu os conselhos do pai e tomado pelo desejo de voar próximo ao Sol, acabou despencando e caindo no mar Egeu,[...]

    Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dcaro

  • Leandro diz: 31 de outubro de 2014

    Quero ajudar o governador e o secretario da fazenda e administração a resolver o problema da segurança, fecha a sdr da grande florianopolis que gastam por mês com alugueis do preio, dos carros e os gastos com papel, estagiarios, terceirizados, luz, agua, internet e comissionados economizava em torno de 120.000 por mês, os serviços que là fazem são os mesmos que as secretarias setoriais fazem.

  • Lourival Afonso diz: 31 de outubro de 2014

    A Policia Civil esta acéfala há muito tempo, os comandantes estão mais ultrapassados que os comandados. Foi a inércia dos comandantes que deixou a base da policia civil nessa situação, olharam para o próprio umbigo e se esqueceram da instituição. Se quando ganhavam mal os senhores delegados não fizeram nada para salvar a instituição, imagine agora que estão ganhando muito bem. A tendencia são os velhos se aposentarem os novos procurarem novos rumos e quem ficar bater continência e aguardar a falência. Os que torcem e colaboram para a falência da base da policia civil, tem nome, endereço e CNPJ só não ver quem não quer ou só não viu quem não quis e deixou a situação chegar a esse ponto.

  • Roberto diz: 31 de outubro de 2014

    Moacir, meu caro.

    Gente desse tipo é que seria merecedora do auxilio moradia, não àqueles concedidos.

  • Pragmático diz: 31 de outubro de 2014

    A parte em que ele foi convidado por um amigo para advogar, e ganhar dinheiro (carpintejar, louva-deus, mascada), ficou estrategicamente de fora do “desabafo”. “Não é de dinheiro que somos feitos”?? Sei…
    Cara entra ontem na parada e acha que decifrou o enigma da Polícia. Sinceramente: Vá, seja feliz, rico, digno, humano, mas não força por que temos mais o que fazer…. A Polícia Civil agradece. Não sei se posso dizer o mesmo os milhares de vocacionados que ficaram de fora porque acertaram menos “X” do que ele no concurso…

  • Juca diz: 31 de outubro de 2014

    Eu sempre ouvi dizer que polícia é vocação, não um serviço como outro qualquer.
    O que vejo hoje em dia é uma série de jovens, sem qualquer vocação, que querem apenas a estabilidade do funcionalismo público, e só. Esta é a grande verdade.
    Ao serem cobrados, afrontados, se desesperam e nao sabem como agir.

  • Janaina Ferreira diz: 31 de outubro de 2014

    Como falar em vitórias, avanços, investimentos, se o que se vêem são cenas lamentáveis nas nossas instituições públicas. Políticos em seus balcões de negócios negociam diariamente o Estado, e se sentem insatisfeitos com seus salários, que quiçá deveriam receber! São os representantes do povo, e assim deveriam agir, em prol do bem público, não do crescimento patrimonial individual. Desabafos como este de Icaro, demonstram toda a falência de um sistema esquecido pela boa vontade, ficam os interesses políticos e particulares em primeiro lugar, enquanto a população, e mesmo os peixinhos dessas instituições, como é a Polícia Civil, de mãos abanando e sofrendo dia-a-dia com tal descompromisso descarado dos nossos “administradores”.

  • André diz: 31 de outubro de 2014

    apenas respondendo ao comentário do DRM que afirma ter o policial exonerado por não estar na profissão correta, cito aqui o meu caso;

    também fui policial civil do estado de Santa Catarina por aproximadamente 4 anos e amava a profissão. Contudo não dá pra trocar a dignidade a troco de uma instituição e um governo que não valoriza seu servidor.
    Também pedi minha exoneração para buscar algo melhor e que me desse dignidade como pessoa e um salario condizente com minhas aptidões.
    Infelizmente isso continuara acontecendo e quem perde é a policia civil que caminha a passos largos para o caos.

  • Ícaro diz: 31 de outubro de 2014

    Pragmático. Eu vou advogar, sim, vou ganhar dinheiro, talvez, na medida do meu esforço. Mas se você me conhece sabe que tive oportunidades de sair para ganhar o dobro do que um delegado ganha e não sai por isso. Se me conheces não és homen o suficiente para assumir sua postura e não se esconder em um pseudônimo. Se me conhece acho que apenas pensa que me conhece, mas jamais teve a hombridade de manter uma conversa comigo e tentar entender o modo como vejo o mundo. E se não me conhece eu sei que não tens noção do que estás falando.

  • Junior Maciel diz: 1 de novembro de 2014

    Concordo com o colega a respeito da substituição das SDR’s por mais homens no efetivo policial. Tenho conhecimento da SDR da minha região onde soh serve para cabides de emprego e auto promocao política. Um verdadeiro descaso debaixo de nosso nariz. As SDR’s servem para contratar a turma que não se elegeu e teve de entregar a prefeitura ao outro partido que não seja do governador. Vamos reagir, não quero patrocinar politico que perdeu eleicao , quero ir e vir, andar de ônibus sem medo. Quero confiar na policia.
    Quero ter minhas coisas e que não sejam roubadas. Não quero viver trancado em minha casa, ter que criar caminhos alternativos para escapar de emboscadas. Quero ser livre e preservar meu direito a segurança, que esta na constituição. Se esta na constituição tem que ser cumprido. Vamos exigirm

  • Robson Barreto diz: 1 de novembro de 2014

    Sou delegado de Polícia no PR, sendo que já fui policial em SP, MG e MT … o desabafo do Ícaro na realidade não se concentra somente nas instituições policiais, mas em todos os órgãos públicos, seja Judiciário, Ministério Público, Saúde e especialmente na Educação … é um problema crônico de esfacelamento do serviço público, nivelando as políticas por baixo … vou me aposentar ano que vem e sinceramente penso em morar fora do Brasil, pq o brasileiro como um todo está se transformando em “Ícaros”, na busca de utopias que não podem ser alcançadas em “terra brasilis”. Deus nos proteja !!!

  • Policial diz: 1 de novembro de 2014

    A julgar por alguns comentários, há quem ainda acredite que é possível responder ao chamado da vocação e passar fome feliz. Se a Policia Civil de Santa Catarina exige alta qualificação e quer ter em suas fileiras profissionais de excelência, tem de remunerá-los como tal, ou, na atual conjuntura, se tornará uma instituição de “passagem” para seus bons servidores. Os “tiras” raízes, que tem pouca escolaridade e, por isso, “vestem a camisa”, se sujeitando à exploração desumana e ilegal, estão se aposentando… Nesse ritmo, o último a sair, apague a luz.

  • Falando a verdade diz: 1 de novembro de 2014

    É fácil falar que se tem que fazer o que gosta. Fazer o que gosta mesmo ganhando pouco???? Acontece que até 2009 existiam cargos de nível médio na Polícia Civil. Resolveram passar a obrigatoriedade para a entrada na Polícia Civil para Nível Superior e qual a mudança salarial? NENHUMA Isso mesmo. Tiveram a cara de pau de mudar o requisito de entrada sem modificar a remuneração, para mim, algo inconstitucional.
    “Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão conselho de política de administração e remuneração de pessoal, integrado por servidores designados pelos respectivos Poderes.
    § 1º A fixação dos padrões de vencimento e dos demais componentes do sistema remuneratório observará:
    I – a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos cargos componentes de cada carreira;
    II – os requisitos para a investidura;
    III – as peculiaridades dos cargos.”

    Ou seja o DESgoverno mudou os requisitos sem mudar a remuneração.
    Sem falar na famigerada data base em que fizeram a lei em um ano e no ano seguinte já descumpriram.
    Agora vieram com subsídio… Simplesmente foi criado um abismo entre agentes e delegados. O salário FINAL dos agentes será R$ 6.000,00 A MENOS (!!!!) que o INICIAL dos delegados. É fácil fazer o que se gosta ganhando bem. Agora fazer o que se gosta possuindo nível superior e ganhando como nível médio. Nível médio sim é só olhar os níveis médios de TRE, TJ e vejam quanto ganham. A diferença do inicial do agente e delegado chega a quase R$ 14.000,00 QUATORZE MIL REAIS DE DIFERENÇA!!!!!!!!! Motoboy ganha 30% de periculosidade e agente de polícia não, eles dão 17% que vale pra periculosidade, insalubridade, adicional noturno, e tudo mais. Tiraram o adicional de pós que fazia com que os policiais continuassem estudando. Esperem e verão a debandada para a aposentadoria a partir do ano que vem. Acompanhem quantos desses novos agentes que passaram no concurso vão ficar. Enquanto o salário não melhorar a Polícia Civil será sempre trampolim de concurseiro.

  • Pesquisador Decente diz: 3 de novembro de 2014

    Enquanto isso, como se pode comprovar pela consulta ao site da Transparência SC, há carreiras da Secretaria de Estado da Fazenda recebendo ajuda de custo por uso de veículo próprio, no valor aproximado de R$ 4.000,00/mês, de forma linear, sem necessidade alguma de comprovação. Há moralidade? Indenização não deveria ser comprovada? Isso entristece muito.

  • João de Deus diz: 5 de novembro de 2014

    Bacana trazer um texto de Harvard para nossa realidade caótica e tupiniquim! Perfeitamente aplicável, da mesma forma que é perfeitamente confiável a contra-argumentação feita por alguém que ocupa um cargo político, nomeado pelo Governador. Deve ser isenta, portanto! Ícaro, boa sorte e sou testemunha do bom Policial que você foi. Eu te desejo sorte, assim como a desejo a mim também, pois possivelmente te acompanhe. Porque também quero um tratamento digno, humano e que igualitário. De preferência, que respeite a CF 88. Boa sorte. Foi uma decisão acertada, com certeza!