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O Procurador e o Governador

30 de outubro de 2014 1

Do colaborador deste blog e Procurador Federal Georgino Melo e Silva, sobre a sessão solene da Assembleia comemorando o centenário de nascimento do Governador Jorge Lacerda, via e=mail:

“Caríssimo Amigo Moacir Pereira,
O Poder Legislativo de Santa Catarina, em feliz iniciativa dos Deputados Edson Andrino e Juarez Ponticelli, nos proporcionou um altíssimo momento cívico com a Sessão Especial em memória do Governador e homem de letras Jorge Lacerda.
O magnífico livro “Jorge Lacerda – Jornalista, Humanista e Estadista” de sua lavra de cronista da História política, cultural e social do glorioso Estado de Santa Catarina é um testemunho eloquente de que um país que tem entre os homens públicos, uma figura da estatura e da grandeza e da atualidade de Jorge Lacerda, não deve
nunca deixar que essa grandeza seja esquecida ou que essa atualidade seja ignorada.
Neste momento histórico que vivenciamos, carimbada pela desconfiança e pela desesperança ou pela suspeita de que nossos políticos sejam meros mistificadores, o seu lúcido e didático livro-depoimento nos revela que Jorge Lacerda é uma negação dessa obscura lenda com que se pretende desprestigiar, entre nós, a vida pública, a figura do político e a ação dos parlamentos que buscam realizar a vontade de seus representados.
Meu Caro Moacir, o seu livro evidencia que é uma falácia e uma superstição que a literatura enfraquece a atividade política. Aos que se apegam ao lugar-comum de que o exercício da política sufoca a
criatividade artística, Jorge Lacerda avulta-se como um grande intelectual, cronista, poeta e humanista.
Porque a verdade é que Jorge Lacerda é um escritor político, da mesma forma que é um político escritor. Político no amplo sentido em que atinge a abrangência aristotélica.
Na Literatura latino americana já não causa estranheza o fato de haver escritores que chegam à Presidência ou a altos cargos graças a seu prestígio humanista, ligado à capacidade de ultrapassar obstáculos. Jorge Lacerda é fruto dessa tradição de homens cultos, intelectuais habituados á lide política e faz essa ligação entre a
vida da intelectualidade e a ação da liderança política.
Este seu novo livro também é uma documentação de ação.
Jorge lacerda fez em Santa Catarina e no Brasil, o que os nossos maiores não conseguiram fazer. Mais do que isso: o que eles nem sonharam, nem ao menos ousaram sonhar. Tomo como exemplo a Usina Jorge Lacerda iniciada no governo do ilustre homenageado, esta obra é o sonho palpado com as mãos e convertido em realidade.
Lendo-se o seu lúcido e magnífico trabalho, contata-se com clareza, que Jorge Lacerda foi guiado por uma visão fáustica, em que Goethe pôs todas as forças dos ideais da civilização ocidental, “volúpia de agir e de beleza”, salvando o Fausto da desgraça pelo ato de semear,secar o pântano e erguer a cidade. Penso no que T.E.Lawrence escreveu: “Todos os homens sonham: mais não igualmente. Os que sonham noite adentro no poeirento recesso dos seus espíritos acordam de dia, para ver que tudo era vaidade; mas os sonhadores do dia são homens perigosos, porque
agem seus sonhos com os olhos abetos para fazê-lo possível”. Jorge Lacerda é desses homens perigosos. Feliz o nosso Estado de Santa Catarina que teve a sorte de tê-lo como Governador para fazer o sonho possível.
VIVA SANTA CATARINA! VIVA O BRASIL! VIVA JORGE LACERDA!
Receba o meu fraterno abraço maranhense e renovador.
Georgino Melo e Silva.”

Comentários

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Comentários (1)

  • gualberto cesar dos santos fln.sc diz: 30 de outubro de 2014

    Texto de excelente e talentosa expressão que exalta o sonho.
    O sonho vem – depois do sono.
    Quando o corpo relaxa pelo torpor de mecanismo metabológico.
    Ai o sonho brota em face do que a mente humana pode transpor do seu mais intrínseco para a mente consciente.
    Sonho um atributo das múltipla capacidade da mente humana.
    Sonhar faz bem – faz parte do mecanismo mental humano.
    E somente se sabe que se sonhou – ao acordarmos – para a realidade da vida como compreendemos cada um de nós – qual seja ela – a vida em vivendo.
    O texto nos leva não somente a uma reflexão sobre o que é onírico – mas também pode nos levar a realidade das interações das ideias que temos em face do que o nosso aculturamento nos permite perceber do passado – presente – futuro.
    Enquanto ainda pudermos dormir e sonhar sonhos de compartilhar com o semelhante as nossas capacidade de promover o bem comum.
    Não pelo que dizem os pensadores – mas pelo que nos mesmo temos a capacidade de enxergar a necessidade que se tem de um mundo sem tantas disputas de egos e vaidades que se esvaem quando a vida se vai.