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Maldaner lança Carta Aberta e pede posição do PMDB sobre governo Dilma

22 de outubro de 2015 7

O presidente de honra do PMDB catarinense, Casildo Maldaner, lançou uma “Carta Aberta”, em que faz reflexões sérias sobre a grave crise política e apela para que o PMDB nacional tome uma posição. E admite claramente ruptura com o governo da presidente Dilma Rousseff. Confira o texto com críticas ao atual governo federal:

“Pela democracia e legalidade

“Quanto a ela, discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca. Traidor da Constituição é traidor da Pátria. Conhecemos o caminho maldito: rasgar a Constituição, trancar as portas do Parlamento, garrotear a liberdade, mandar os patriotas para a cadeia, o exílio, o cemitério.
A persistência da Constituição é a sobrevivência da democracia”.
Ulysses Guimarães

Inegavelmente, o Brasil atravessa um delicado momento político e econômico. Esse tempo de incerteza exige, mais do que nunca, um posicionamento firme e responsável de seus líderes.
Coerente com nossa longa história de lutas, o PMDB de Santa Catarina não pode permanecer silente, devendo oferecer sua contribuição. Por tal razão, submeto algumas reflexões à análise de nossa Comissão Executiva Estadual para, se esse for o entendimento, levarmos uma posição firmada à Convenção Nacional do PMDB.
Ao avaliarmos a situação atual e as perspectivas de curto e médio prazo, deparamo-nos com um quadro aterrador: a crise política corrói as relações entre os Poderes. Os reflexos espraiam-se no desempenho de nossa economia, com riscos à estabilidade duramente conquistada.
“O PMDB exerce suas atividades políticas visando à realização dos objetivos programáticos que se destinam à construção de uma Nação soberana e à consolidação de um regime democrático, pluralista e socialmente justo, onde a riqueza criada seja instrumento de bem-estar de todos”. O mandamento, inscrito no art. 2º de nosso Estatuto, deve guiar nossas ações nesse momento nebuloso.
Não podemos olvidar o fato de que integramos o atual governo. Nesse momento em que a corda está por demais tensionada, um rompimento abrupto pode causar prejuízos incalculáveis à nação. Abandonar o barco, sem buscar soluções, é bater em retirada, é desertar, conduta que não se coaduna com nossa melhor tradição, desde Tancredo Neves à Ulysses Guimarães, de Pedro Ivo Campos à Luiz Henrique da Silveira, de buscar o entendimento em prol da democracia e da legalidade que nos guiam.
Com esse intuito o saudoso amigo Luiz Henrique se lançou em uma de suas últimas empreitadas, numa candidatura à Presidência do Senado. Apresentou-se, com a coerência que só sua trajetória política permitia, como alternativa à política baixa que hoje impera, num esforço de pacificação do ambiente político. E exatos três meses antes de partir, Luiz Henrique já alertava:
“A Nação está inquieta. O povo está aflito, nervoso, ansioso, atordoado. Há um clima generalizado de desânimo, de desalento, de descrença. Esse clima é refletido nas casas, nos clubes, nas ruas, nas praças, onde quer que o povo se reúna. E vem transbordando nas redes sociais. Alguns anos antes de morrer, o antropólogo Lévi Strauss, que morou e trabalhou no Brasil, entre 1935 e 1939, nos deixou uma grave advertência: “o Brasil corre o risco de envelhecer antes de amadurecer”. Temos, todos, a responsabilidade de não permitir que o país do futuro vire o país do passado. Somos responsáveis pelo futuro das novas gerações. Aliás, o futuro não existe. Existe o presente, que deve ser reformado, para que possamos construir o futuro”.

Em nome desses nobres companheiros, nosso partido preciso buscar a paz e o entendimento, e liderar um esforço suprapartidário em prol do desenvolvimento social e econômico do país. Nessa senda, o apoio e participação dos setores produtivos será consequência natural. Eventual ruptura com a presidente Dilma Rousseff, ainda que não possa ser totalmente descartada, deve ser tratada como última ratio, em função de seus potencias efeitos lesivos ao país.
Também por isso, nosso partido não pode omitir-se diante da situação do atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Seu afastamento da função, até que reste provada sua inocência, é medida que se impõe e da qual não podemos nos omitir.
Não tenho a pretensão de apresentar fórmulas definitivas, que serão construídas conjuntamente. Os anos de caminhada política e a leitura atenta da história de nosso país ensinaram que, no campo político, há sempre espaço para o diálogo e construção. Ou, como reza o adágio que sempre me acompanhou, mais valem duas horas de diálogo que cinco minutos de tiroteio.
Que o PMDB de Santa Catarina, sem omitir-se a seus deveres com o Estado e o Brasil, possa contribuir mais uma vez com o fortalecimento da democracia e respeito à legalidade.

Casildo Maldaner
Presidente de Honra – PMDB-SC
Florianópolis (SC), em 22 de outubro de 2015.”

Comentários

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Comentários (7)

  • giovani diz: 22 de outubro de 2015

    “E admite claramente ruptura com o governo da presidente Dilma Rousseff”
    Gostaria que o senhor indicasse onde, tão claramente assim, o sr. Maldaner defende ruptura com o governo Dilma. Ou será apenas a sua vontade?

  • Joao da Silva diz: 22 de outubro de 2015

    Quanta demagogia! Todos sabemos que a Dilma continua e o PMDB continua com ela. Não há a hipótese de ”ruptura” . Nem a democrática(com impeachment sem nexo) da Dilma, nem a política com a saída do PMDB do governo. E por uma razão muito simples: o vice é do PMDB e o PT e o PMDB ganharam a eleição de 2014 ”juntos”, para governar até 2018. O que há é que os perdedores ainda estão em campanha.

  • Luiz Fernando diz: 23 de outubro de 2015

    Parabéns Maldaner, até que enfim o PMDB resolve se posicionar, saindo do muro a favor do Brasil. Só tem que convencer a banda podre do partido, que hoje é a que manda!

  • SIDNEY – Brasília diz: 23 de outubro de 2015

    Isso não vai dar em nada.
    Quem manda no PMDB é o
    Eduardo Cunha.

  • Aloisio Antoni diz: 23 de outubro de 2015

    Pertencer ao PMDB atualmente é um drama. To be or not to be, that is the question , parafraseando a tragédia de Hamlet … Ser comensal da imundície moral que assola o Planalto como o fazem os donos do partido (que se apossaram de uma sigla que marcou história de nobreza no passado) ou insurgir-se contra esta lama que invadiu a nação, mostrando que ainda existe um resto de nobreza com força moral para reagir . Meu apoio Casildo, mostre tua garra de outrora.

  • JEAN REINERT diz: 23 de outubro de 2015

    Tolos, estes aí de cima (ou de baixo, não sei… Mauri, Cesar Irineu, Marta), que não entendem da NECESSIDADE do PMDB estar junto na tomada de decisões e na direção deste estado e deste país. É claro que pra estar junto, também participa com CARGOS. E junto disso, com o ônus de ser governo. E MUITO coerente, a carta do sempre senador Cacildo.

    Mas o que me traz aqui, é questionar se 90 dias para discussão e entendimento na eleição do diretório do PMDB de Itajaí, não seria muito. E será que nesses momentos não é bom também uma eleição, para que haja uma ruptura, separando o joio do trigo por aqui?

  • luiz fernando diz: 23 de outubro de 2015

    Interessante a posição deste senhor! Sempre vinha com um discurso de que o PT fora parido pelo PMDB, por isso os apoios de segundo turno e as coligações deveriam, preferencialmente, ter prioridade entre eles.
    Parece que ele tinha razão: o PT é o mesmo que o PMDB! Só fisiologismo e outras coisas mais!
    E a Ponte senhor Casildo?