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Vicente Telles: o herói vivo do Contestado

25 de outubro de 2015 Comentários desativados

A primeira obra literária a tratar do Contestado teve a assinatura do escritor Guido Wilmar Sassi. “Geração do Deserto” inovou pela linguagem regional e pelo tema abordado, até então, proibido por mais de 50 anos.
Este clássico da literatura catarinense fundamentou o roteiro do filme “A Guerra dos Pelados”, dirigido por Sylvio Back, e lançado em rede nacional em 1970. Uma década que marcaria o início de uma sucessão de pesquisas, livros e filmes sobre o maior conflito da história do Brasil.
É deste período a iniciativa pioneira de Vicente Telles, um militar da reserva que, retornando à Irani, começou uma longa jornada para saber o que aconteceu em 1912 em sua cidade. Guerra que durou quatro longos anos e que era assunto proibido entre militares, autoridades e, em especial, entre os sofridos descendentes de caboclos e jagunços. De fato, a Guerra do Contestado ficou no subterrâneo entre 1916 e 1970.
Vicente Telles, exímio acordeonista desde a infância, dedicou os últimos 40 anos a pesquisar tudo o que trata do sangrendo episódio. Fixou-se no local onde se deu o “Combate do Irani”. Montou um memorial, o Museu do Contestado, ao lado do histórico Cemitério, o Parque temático. Tudo às margens da BR-153, cruzamento com a BR-282. Escreveu músicas, montou encenações teatrais, incentivou os estudiosos e, principalmente, fez e faz palestras frequentes para crianças e jovens, sempre com seu acordeon, falando das lutas, dos valores e da vida pura dos cablochos expulsos de sua terras. Agora, com o filho Vicentinho, produz uma opereta do Contestado.
Secretário dos Transportes, Esperidião Amin sensibilizou-se com a causa de Vicente Telles. Eleito governador, deu visibilidade ao confronto, incentivou pesquisas, apoiou projetos culturais, patrocinava tudo.
Vicente Telles incorporou o espírito caboclo. E virou o herói vivo do Contestado.

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