Relato sobre dramática e vitoriosa operação de resgata de um pescador enfartado num barco de pesca, feito pelo soldado Ezequiel Onedi Debortoli, com informações do capitão Alessandro José Machado, 2ª Cia/ BAPM, a revelar a sucessão de ações de cidadania da Policia Militar. Relevante: o fato ocorreu no aniversário da PM catarinense. No site da corporação as fotos mostram detalhes da operação. Segue o relato, que é longo, mas merece leitura:
"No dia 05 de maio, data em que se comemorava o 177º aniversário de criação da Polícia Militar de Santa Catarina, a guarnição do helicóptero Águia 01, da 2ª Companhia do Batalhão de Aviação da Polícia Militar (BAPM), na cidade de Joinville, realizou um emocionante resgate em alto mar de um homem que, em uma embarcação, foi acometido de enfarto.
O trabalho realizado pelos policiais militares resultou no salvamento da vida da vítima, um homem de 25 anos de idade.
Confira, nas palavras do comandante da guarnição, capitão Alessandro José Machado, o emocionante resgate realizado no dia:
"A Polícia Militar de Santa Catarina, neste dia 05 de maio, completa 177 anos de serviços prestados à Sociedade Barriga Verde. Nesta data especial, um sábado chuvoso em Joinville, a guarnição de serviço na 2ª Companhia do Batalhão de Aviação da Polícia Militar recebeu um chamado do major Ibrain Franz Júnior, subcomandante do 1º Batalhão da Polícia Militar, sediado em Itajaí, solicitando o apoio da aeronave a fim de resgatar um pescador, cujo navio pesqueiro estava ainda muito distante do porto de Itajaí, seu destino final. Este pescador, por conta de informações da rádio marítima, estava enfartando e com fortes convulsões.
Após contato com o comando da embarcação, a vítima é transportada de bote para o resgate
Não havia à bordo médico ou enfermeiro, e a tripulação estava temerosa com as consequências e não dispunham de conhecimento nem material para atendimento de seu tripulante.
Neste mesmo espaço de tempo, o sargento Evandro, pertencente ao Corpo de Bombeiros Militar de Barra Velha, entrou em contato com o Comandante de Operações Aéreas da 2ª Companhia e solicitou nosso empenho, e após levantamento dos dados pudemos constatar que se tratava da mesma ocorrência. O sargento nos repassou o telefone da rádio marítima, onde a senhora Rosângela nos forneceu as coordenadas geográficas onde estava localizada a embarcação.
De posse das informações, os integrantes da tripulação do Águia 01 se reuniram na sala de operações para um rápido briefing operacional, onde foi plotado o ponto em carta de navegação com as coordenadas geográficas fornecidas.
O tempo em Joinville estava extremamente ruim. A chuva fina restringia em muito a visibilidade e o ponto indicado na carta de navegação mostrava uma embarcação muito fora do alcance de uma aeronave monoturbina, pois estava a algumas milhas náuticas da costa, o que representa aproximadamente alguns quiilômetros de distância. Decidimos que iríamos até onde desse, e caso o mau tempo persistisse quando chegássemos ao litoral iríamos retornar e solicitar à capitania dos portos que enviasse uma lancha ao encontro da embarcação.
O nosso empenho foi baseado primordialmente no tempo resposta em relação ao atendimento da vítima, pois de barco, do ponto em que se encontravam, levariam aproximadamente 4 horas para atracar e encaminhar o tripulante ao hospital mais próximo.
Decolamos às 10h05min. Devido ao mau tempo já relatado, não foi possível um deslocamento direto ao ponto, e nos obrigou a seguir pela baía da Babitonga, passando pelo Canal do Linguado até chegar ao litoral de Balneário Barra do Sul. Nossa altitude não passou de 300 pés, limite que nos permitia sem folga alguma livrar as linhas de alta tensão que cruzam o Canal do Linguado na altura da BR 280. Na passagem pelo Canal, foi solicitado pelo Comandante total atenção na visualização das linhas, e após isto, passar com a aeronave bem em cima da torre, evitando qualquer surpresa com o cruzamento dos fios. Ao livrar as linhas de alta tensão, a aeronave foi comandada a uma altitude baixa, sobre as águas da lagoa de Barra do Sul, pois era sabido que sobre aquelas águas não existem obstáculos até sua saída no mar.
Chegando a Barra do Sul, mais precisamente na Praia do Ervino, avistamos as ilhas que repousam defronte ao litoral Francisquense e a baixa altura fomos até a Ilha dos Remédios. Combinamos que iríamos até aquela altura e que retornaríamos caso não fosse possível prosseguir. Após a Ilha dos Remédios já foi possível avistar as Ilhas do Lobo e Instripitinga, onde pudemos alcançar e perceber que dali por diante o tempo estava incrivelmente aberto. Parecia que saíamos de dentro de uma caverna de chuva. Foi particularmente uma sensação muito boa. Fomos direto ao ponto que nosso GPS direcionava. Ás 10 horas e 20 minutos localizamos o barco pesqueiro, nas cores azul e branca.
Através da comunicação com a rádio naval, entramos em contato com a tripulação do navio que nos confirmou a grave situação do tripulante embarcado. A aeronave em atitude pairada propiciava uma visualização da embarcação, enquanto pilotos e Tripulantes Operacionais Multimissão (TOMM) planejavam a melhor forma de retirar aquele enfermo. A primeira ideia foi a de um toque com apenas um esqui na borda da embarcação, porém não havia possibilidade devido às altas ondas movimentando o navio e aos enormes guindastes utilizados para a manipulação das redes de pesca. Concluímos que a melhor técnica seria a utilização do equipamento sling, içando a vítima até o litoral mais próximo e em seguida embarcá-lo na aeronave para transporte até o Hospital mais próximo, que era em Itajaí. O Comandante de Operações Aéreas solicitou ao Comandante da embarcação pesqueira que colocasse o barco de salvamento na água e transportasse o trabalhador até uma distância de uns 15 metros do navio, onde seria acessado por um Tripulante operacional. O cabo Da Silva foi lançado à baixa altura na água e nadou até a embarcação, ficando o soldado Alessandre de fiel da aeronave. O resgatista acessou o bote e iniciou o socorro ao pescador, que estava em visível situação de emergência, pois convulsionava e se contorcia muito.
Aliando a técnica de resgate com sling e resgate em altura, o cabo Da Silva adequou uma cadeirinha de rapel e além de aquecer a vítima a vestiu com o equipamento para o transporte até a areia. Após os preparativos foi sinalizado para a aproximação da aeronave e após o difícil pairado sobre o bote (o bote não estava fundeado, e com isso ficava ao sabor da maré dificultando a manutenção da posição da aeronave. Alie-se isso à falta de referência que existe nas situações de mar semi-aberto.) foi lançado o cabo de salvamento e içado o TOMM e a vítima. Cerca de cinco minutos depois, ou mais, não é possível precisar, alcançamos a praia de Barra Velha e os dois TOMM acessaram a vítima, colocando-a em maca rígida e acomodando a mesma na aeronave. Em seguida foi transportada até o Heliponto da Delegacia da Capitania Portos de Itajaí, onde um ASU do Corpo de Bombeiros Militar já nos aguardava. A vítima foi transportada em estado grave até o Hospital Marieta Konder Bornhausen e depois de medicada livrou-se do risco de morte, ficando em estado de observação. Pousamos na Capitania dos Portos às 10 horas e 55 minutos, após 50 minutos de operação.
O nome da vítima é Felipe Batista Serafim, de 25 anos de idade. Segundo informação médica, foi medicado e liberado no dia seguinte.
A normatização aeronáutica recomenda que uma aeronave monomotora pode se afastar da costa a uma distância de até 50 milhas náuticas, desde que possua sinalizadores, flutuadores de emergência, coletes de salvamento e possa manter contato com órgãos de controle aeronáutico. Ou, se em caso de não possuir tais equipamentos, afastado da faixa litorânea a tal ponto que possa pousar em caso de emergência na faixa de areia em segurança. A decisão de gerenciar o risco e prosseguir na missão, foi tomada baseada no juramento policial militar de defender a sociedade mesmo com o risco da própria vida. E uma vida foi salva neste aniversário da PMSC.
Guarnição de serviço: capitão Alessandro José Machado, capitão Márcio Leandro Reisdorfer, cabo Lucilano da Silva e soldado Alessandre Soares da Cruz.
Quartel em Joinville, 05 de maio de 2012"
Polícia Militar de Santa Catarina - 177 anos
Segurança: por pessoas do bem para o bem das pessoas."