O servidor público Jefferson Jorge de Souza encaminhou artigo para publicação. Leia a íntegra.
Está aberta a temporada de greves nas prefeituras do Estado. O motivo principal é a reposição salarial, que para os servidores, está abaixo do reivindicado, ou em muitos casos, extremamente defasada.
Em Joinville os funcionários já pararam, em Blumenau podem parar e em São José devem cruzar os braços na próxima semana. Claro, são prefeituras onde seus servidores possuem sindicatos atuantes e atentos ao clamor de seus associados.
Porém, um fator significativo pode ser pano de fundo destes e de outros movimentos na área pública onde o servidor busca nada mais que as reposições que ocorrem em todas as categorias e que os administradores insistem em travar.
Uma das questões é: o salário nas prefeituras do Estado para funções de nível médio por exemplo está entre R$ 900 e R$ 1.000 reais mensais, ou seja, pouco mais que um salário mínimo para 40 horas de trabalho semanais. Poderíamos citar aqui um sem número de outros empregos que oferecem bem mais que isso aos seus trabalhadores.
É importante salientar que estes servidores que enfrentam esta situação, cumpriram uma série de exigências para ingressarem no setor público. E mesmo depois que obtiveram aprovação em concursos cada vez mais concorridos terão que enfrentar longos 3 anos de estágio probatório com acompanhamento periódico de desempenho. Enquanto na vida privada, o trabalhador passa por alguns meses de experiência, no setor público o servidor enfrenta 36 meses de teste. Benefícios são poucos, muitas vezes o plano de saúde é o mais simples, isso quando existe. Ocorrem casos do servidor ser atendido surpreendentemente com mais rapidez no postinho. Nunca é demais lembrar que servidor público não tem FGTS e no momento que resolver ir embora sai com a remuneração do mês e só.
Perante estas colocações fica muito claro que o servidor insatisfeito com a remuneração deveria mesmo retornar ao setor privado, correto?
Talvez possa ser a solução, pelo menos para parte da categoria. Mas e aquilo que ficará para trás em salas, departamentos, postos de saúde, salas de aula, etc?
Se hoje a situação no atendimento da saúde, só para citar um exemplo, já é caótica e muitas vezes são os funcionários lá da ponta que fazem as vezes da falta de médicos tentando pelo menos acalmar o cidadão em busca de atendimento - e na educação onde professores desestimulados por causa de agressões e mais agressões temem entrar no próprio local de trabalho -, como ficará o cidadão comum se não houver servidores preparados e bem remunerados para atender a grande população, para levar ensino aos nossos filhos, para atender nossos idosos, nossas gestantes, para garantirem a manutenção das nossas ruas e a circulação e fiscalização nas nossas avenidas?
Sem dúvida, é um desafio que, hora ou outra, terá que ser enfrentado pelos nossos governantes. Se isso não ocorrer num curto espaço de tempo, a pena será uma só: aquilo que hoje nem é tão bom assim, pode ficar muito pior.
Voltar ou não para o setor privado, eis a questão! Um dilema para os dois lados, do servidor público ao cidadão, ambos, insatisfeitos.