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Posts com a tag "morte"

A tragédia e o avião sem dono do PSB

25 de agosto de 2014 8

Do blog de Reinaldo Azevedo:

“Hoje é dia 25 de agosto. Eduardo Campos morreu no dia 13. Até agora, ninguém sabe a quem pertence o avião. Marina, que voou muitas vezes naquele jatinho e que herda, pois, os instrumentos aos quais recorreu o PSB para fazer campanha, se nega a falar do assunto, como se ele não lhe dissesse respeito. Diz, sim!
Quem se pronunciou foi Beto Albuquerque, candidato a vice. Curiosamente, cobra explicações da Polícia Federal. Como? Aquele que era um dos homens mais próximos do presidenciável morto está exigindo respostas em vez de dá-las? O PSB, vejam vocês, inventou o avião sem dono.
Marina, a mais ética entre os éticos, não aceita doação, no caixa um — o oficial e registrado — de empresas disso e daquilo, mas faz ares de santa da floresta quando se questiona a quem pertencia um jatinho que custava alguns milhões. É essa a “nova política” de que tanto se fala? Vamos ver o que vem por aí: candidaturas e mandatos já foram cassados por muito menos. Que se apure tudo, mas há um cheiro fortíssimo de caixa dois na campanha, não é mesmo?”

Georgino homenageia Zury

22 de agosto de 2014 Comentários desativados

Do advogado e Procurador Federal Georgino Melo e Silva, em nova contribuição talentosa ao blog, desta vez para prestar sua homenagem póstuma ao colunista Zury Machado, ontem falecido:

“Querido Moacir,
Caso fosse possível definir um homem, eu diria que Zury Machado foi, durante sua longa e feliz existência, um verdadeiro CAVALHEIRO AMOROSO.
Toda cidade, na sua dimensão humana e amorosa, possui os seus enamorados, mas a nossa Ilha Mágica de Santa Catarina, por ser “um pedacinho de terra perdido no mar”, tem algo mais, pois tem enamorados e noivos. Zuri Machado foi um noivo de Florianópolis, pois sempre estava de mãos dadas com aquilo que Florianópolis tem de melhor: o seu povo e a sua gente iluminada por este sol com gosto de mar. O sol e o mar de Florianópolis são mais belos, pois são o sol e o mar de Florianópolis.
Hoje, 21 de agosto, numa manhã de sol divino eu vi o rosto de Zuri refletindo nesse mar aconchegante que tem as cores e o cheiro do amor e da eternidade, pois Zury foi chamado à Casa do Pai.
A cidade perde um pouco de sua alma e fica menor. Quando morre um irmão, também morre um pouco de nós. ” Não perguntem por quem dobram os sinos, eles dobram por ti.” (John Donne).
Zury Machado está imortalizado nas páginas de um belo livro de autoria do ilustre e culto Jornalista Luiz Henrique Tancredo, sob o título de “Zury Machado – Em Sociedade Tudo se Sabe”. Tancredo nos revelou a grandeza da bela figura humana que foi Zuri e exaltou a sua alta importância para a consolidação dos valores humanos e solidários que são inerentes ao espírito “manezinho”.
Manuel Bandeira, ao falar da morte, nos envolve com estes belos versos:
“A vida é um milagre.
Cada flor,
Com sua forma, sua cor, seu aroma,
Cada flor é um milagre.
Cada pássaro,
Com sua plumagem, seu vôo, seu canto,
Cada pássaro é um milagre.
O espaço, infinito,
O espaço é um milagre.
A memória é um milagre.
A consciência é um milagre.
Tudo é milagre.
Tudo, menos a morte.
? Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres.”

A vida de Zuri Machado foi milagre de Deus.
Um forte e fraterno abraço maranhense e renovador.
Georgino Melo e Silva”

Provedor despede-se de colunista

21 de agosto de 2014 Comentários desativados

O Provedor em exercício da Irmandade do Senhor dos Passos, Luiz Mário Machado, fez a saudação de despedida nos funerais do colunista social Zury Machado. Lembrou sua generosa atuação na instituição. Leia:
“A única coisa tão inevitavel quanto a morte é a vida.”
Charles Chaplin
(ninguem pediu pra nascer e a morte é inveitavel)

Poderia me dispor a falar do Cidadão Zury Machado, personagem de grande valor cultural e social. Poderiamos falar de tristeza, mas não era essa a personalidade do nosso querido Zury. Então vamos relembrar um pouco dele. Pois, sei que cada um dos presentes teria algo a dizzer desta longa convivencia dele conosco.

Vou me ater a falar daquelas qualidades do Zury que todos nós conheciamos e tinhamos sempre uma referência elogiosa a seu respeito.

Nascido em 7 nde setembro de 1922, registrado no Cartorio de Tijucas, filho de familia simples, seu pai era sapateiro em Tijucas. Zury Estava prestes a completar 92 anos.

Iniciou a vida como engraxate, trabalhou na MODELAR MOVEIS, SUL AMERICA SEGUROS, nos nas fabricas do Hoepeck, em 1961 passou a ser o Chefe do Cerimonial da ALESC onde se aposentou, e mesmo assim continuou a trabalhar, até o ano de 2008.

Amigo de toda a comunidade desta Capital dos mais simples aos mais abastados e privava de relaçoes com as mais diversos autoridade: politicos, militares, eclesiasticas e judiciarias, locais estadual e nacional.

Colunista de singular escrita e apresentação dos fatos sociais e pitorescos da vida cotidiana, era um incansavel promotor e organizador de eventos que prestigiavam a boa convivencia e o filantropismo, por mais de 65 anos e enquanto a sua energia lhe permitia.

Zury era conhecido como um homem vaidoso, fino e de alta educação, incapaz de se indispor ou de gerar situações de confronto, mas era determinado, discreto, atencioso e mais um fiel devoto do Senhor do Passos e desta magnifica Obra que é o Hospital de Caridade.

Somos testemunhas de que em dezenas de vezes renunciou ao lazer e a sua privacidade para, aqui, trazer uma palavra de consolo, de contribuição, de despojamento humano e espiritual.

Tal fé, despojamento e crença no Senhor dos Passos e esta magnifica obra do IHC motivou que Zury, em vida, doasse todo seu acervo artistico e patrimonial para a manutenção e continudidade do Hospital.

Gesto esse que jamais esqueceremos e da qual nos faz refletir sobre os reais valores da vida e da fé.

De vida discreta e regrada, foi um ativista social e da fé cristã catolica, ensinamentos deixados ja por seus pais.

A Irmandade SJP e o IHC estão muito mais triste com o desaparecimento deste Irmão, mas o vigor da sua idade nos dá energia para continuar, a exemplo dos seus passos, nesta caminhada de Caridade, Filantropismo e Fé.

Fique em paz Zury.
Voce fez a sua parte.
Nos continuaremos marchando juntos na busca da felicidade humana.”

As últimas homenagens a Zury Machado: homem bom que viveu para praticar o bem

21 de agosto de 2014 Comentários desativados

Depois de cerimônia na Capela do Menino Deus do Hospital de Caridade realizou o sepultamento no Cemitério da Irmandade do Senhor dos Passos do jornalista Zury Machado, o mais prestigiado, importante e querido cronista social do século passado em Florianópolis.

Grande número de amigos compareceu no velório. O padre Pedro Koeller, capelão do Hospital, seu amigo pessoal, prestou um emocionante depoimento sobre as atenções que Zury Machado dava ao Hospital, suas preocupações com os pacientes mais pobres e as incontáveis doações materiais que fez para melhorar a qualidade da assistência aos doentes.

Devoto do Senhor dos Passos há décadas, Zury Machado comparecia com frequência com contribuições materiais que recolhia entre amigos empresários e profissionais liberais da Capital para os quartos e apartamentos do Hospital.
O Provedor interino da Irmandade, Luiz Mário Machado, fez a despedida em nome da instituição, com várias homenagens e gratidão ao jornalista falecido. E informou que Zury Machado doou todo seu patrimônio material e artístico para a manutenção e melhoria do atendimento no Hospital de Caridade.

A gerente administrativa do Hospital de Caridade, Vera Regina Sobrosa, que era considerada uma segunda mãe pelo extinto, relatou as últimas atividades de Zury Machado. Na semana passada foi com ela a Brusque com um único objetivo: comprar toalhas para renovar as peças do Hospital de Caridade.

Antigos e novos profissionais de saúde que conheciam este extraordinário e silencioso trabalho de Zury Machado estiveram nos funerais e manifestaram profunda admiração pelo jornalista.

Homenagem a Eduardo Campos

18 de agosto de 2014 6

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Cerca de mil pessoas participaram do encontro estadual de lideranças políticas da coligação Santa Catarina em Primeiro Lugar, realizado na Pousada Rural do Sesc, em Lages. O evento durou três horas e reuniu militantes, presidentes de partidos integrantes da coligação, além dos candidatos. O evento começou com homenagem póstuma ao ex-governador Edaurdo Campos, com um minuto de silêncio. O governador Colombo pediu humildade, união e muito trabalho a todos os participantes do encontro durante a campanha eleitoral.

Marina tem 21% e venceria no 2o. turno

18 de agosto de 2014 12

De Gabriel Garcia, sobre a última pesquisa Datafolha:

“A primeira pesquisa eleitoral para presidente da República após a morte de Eduardo Campos, realizada pelo Instituto Datafolha, põe a ex-senadora Marina Silva (PSB) com 21% das intenções de voto.

Marina desbanca o senador Aécio Neves (PSDB) na segunda posição. Aécio aparece com 20% das intenções de voto, o que representa empate técnico. A presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, tem 36% da preferência do eleitorado.

As informações foram divulgadas nesta segunda-feira pela Folha de S.Paulo.

Com Marina, praticamente está descartada a chance de a eleição ser definida no primeiro turno.

Na próxima quarta-feira, o PSB se reúne para decidir se lança ou não a ex-ministra como candidata a presidente pelo partido, em substituição a Eduardo. Tal fato é dado como certo. A reunião servirá mais para sacramentar o nome do candidato a vice. O mais cotado é o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS).

Em uma simulação de segundo turno, Marina venceria Dilma, com 47% das intenções de voto contra 43% da petista – situação de empate técnico.

Se o candidato no segundo turno for Aécio, Dilma venceria por 47% a 39%. É o que diz o Datafolha. Dilma ampliou sua vantagem sobre Aécio. Em julho, o cenário era de 44% a 40%.

De acordo com a pesquisa, a diferença agora está na queda do número de eleitores sem candidato. Com Eduardo, as intenções de voto nulo ou em branco eram 13%. Com Marina, a taxa cai para 8%. Indecisos passaram de 14%, em julho, para 9%, no levantamento atual.

Sem Marina na disputa, segundo o Datafolha, Dilma venceria no primeiro turno, com 41% das intenções de voto, 8% a mais do que a soma dos demais concorrentes.

Por outro lado, houve leve melhora na avaliação do governo. A taxa de rejeição de Dilma – aqueles eleitores que não votam de jeito nenhum em determinado candidato – passou de 35% para 34%. Mesmo assim, ela lidera tal índice. Aécio tem 18% de rejeição e Marina Silva, 11%.

O Datafolha ouviu 2.843 eleitores em 176 municípios nos dias 14 e 15 de agosto. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.”

Morre em Florianópolis professor Evaldo Pauli

17 de agosto de 2014 3

Faleceu hoje em Florianópolis, aos 89 anos de idade, o professor Evaldo Pauli. Nascido em Antônio Carlos, foi padre católico entre 1950 e 1967, integrou o magistério da Faculdade de Filosofia e realizou altos estudos de filosofia no Brasil e no exterior. Era Doutor em Filosofia e fundou a Academia Catarinense de Filosofia e integrou a Academia Brasileira.

Pertenceu às seguintes instituições: Academia Catarinense de Letras, Academia Catarinense de Filosofia, da qual é fundador, Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, Academia Brasileira de Filosofia, FAT (Filosofia Asocio Tutmonda, associação de filósofos esperantistas, da qual é presidente e fundador), Academia de Ciências de San Marino, membro da UEA (Universala Esperanto-asocio) com sede em Rotterdam.

Entre os livros publicados destacam-se:

Estética Geral, 1963
Tratado do Belo, 1963
Que é pensar? Fenomenologia do Conhecimento, 1964
Primeiras luzes do Pensamento, 1965
Cruz e Souza – Poeta e Pensador , 1973
A Fundação de Florianópólis,1973, 2ª Ed. 1987
Desafio aos Olhos Azuis Romance, 1978
Manual de Metodologia Científica, 1979
Esperanto Básico – Baza Esperanto, 1985
Hercílio Luz, Governador Inconfundível, 1976
Rekta Pensado, 1983
Pri Dubo kaj Certeco, 1985 – com publicação também em francês
Enkonduko en la kategoriojn de Aristotelo, traduzido do grego ao esperanto e com comentário (1984).
Mil jaroj de la Kristana Filozofio (1985)
Filosofia do dia a dia (1995).

É autor de vários outros trabalhos, alguns inéditos, disponíveis na internet, integradas à Enciclopédia Simpozio, que é uma enciclopédia universal on-line e bilíngüe, com artigos e tratados escritos em português e na língua internacional Esperanto, sendo provedora e patrocinadora a Universidade Federal de Santa Catarina.

PSB emite "Comunicado à Nação"

17 de agosto de 2014 Comentários desativados

Diretório Estadual do PSB divulgou “Comunicado à Nação”, emitido pela direção nacional do partido. Confira:

“Eduardo Campos nos legou o dever de tornar realidade sua luta, que é a de todos nós: construir um Brasil próspero e justo – a bandeira do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Sua tragédia aumenta nossos compromissos com a defesa do crescimento e da Justiça social. Seu exemplo de luta e vida é nosso compromisso com a nação, que procurava o sopro renovador.
Sepultado nosso líder, o PSB abre o processo de consultas visando a construção de alternativa política consensual a ser adotada pela sua Executiva Nacional, instância partidária adequada para decisões dessa magnitude. Com esse objetivo, o presidente do PSB inicia consultas, começando pela companheira Renata Campos, a vice Marina Silva e os partidos que integram a coligação Unidos pelo Brasil.

Não vamos desistir do Brasil.

ROBERTO AMARAL
Presidente Nacional do PSB.”

A tragédia e o exemplo de família

17 de agosto de 2014 Comentários desativados

A natureza humana costuma ser generosa com os que morrem. Virtudes não proclamadas em vida despontam após o falecimento. Na vida pública, até os adversários passam a reconhecer qualidades que combatiam. Uns, por sinceridade e outros por oportunismo.

A semana encerra com um capítulo sinistro na história brasileira com o desaparecimento de Eduardo Campos. A noticia impactou a nação. Consternou todos os segmentos. Gente simples, que acompanhava à distância à distância a campanha presidencial, externou sua perplexidade pelo acontecido em Santos.

O amplo noticiário veiculado pela imprensa, em especial pelas redes de televisão, revelou um líder nacional muito mais preparado e completo do que aquele desenhado pelo perfil da tradição.

Reservado nos assuntos privados, Eduardo Campos despontou após a morte por outros atributos ignorados pela maioria. Além das inúmeras credenciais para o exercício de funções públicas, era um exemplar marido e dedicado chefe de família. O vídeo que seus filhos postaram no Dia dos Pais e agora amplamente divulgado pelas redes sociais, foi a última prova.

Numa época em que a família é tão massacrada, Eduardo Campos ofereceu um magnífico exemplo sobre princípios imutáveis na relação humana e social. Esposa e filhos, com coragem, estão repetindo na dor estes valores herdados do grande líder político sobre o significado da família para qualquer ser humano.

"Morto, Eduardo Campos deu vida à terceira via"

17 de agosto de 2014 4

Do blogueiro Josias de Souza, na UOL deste domingo:

“Os restos mortais de Eduardo Campos chegaram à base área de Recife na noite passada, às 23h05. Marina Silva e a viúva Renata foram receber o esquife. Lá estavam também, entre outros, os cinco filhos do morto. Excetuando-se o caçula Miguel, de sete meses, os demais apareceram, por assim dizer, uniformizados. Vestiam camisetas amarelas. Na altura do peito, uma inscrição: “Não vamos desistir do Brasil”.

A frase fora pronunciada por Eduardo Campos no encerramento da entrevista que ele concedera ao Jornal Nacional, na noite da última terça-feira, horas antes de embarcar, na manhã do dia seguinte, no jatinho que o transportaria para a morte. Seguiram-se ao acontecimento funesto as indagações que costumam perseguir os mortos moços, sobretudo os que nascem condenados a um futuro promissor.

Mas já? E por que ele, no frescor dos seus 49 anos? Por que assim, despedaçado num mergulho fatal do avião no solo? Por que agora, a menos de dois meses da sucessão presidencial? As interrogações e as circunstâncias da tragédia fizeram de Eduardo Campos um cadáver paradoxal —cheio de vida.

A inscrição na camiseta dos filhos, ecoada numa faixa fixada na lateral do caminhão de bombeiros que desfilou o impensável pelas ruas da capital pernambucana, potencializa no imaginário coletivo a sensação de que a morte, às vezes, não mata. O corpo de Eduardo Campos —ou o que restou dele— será enterrado neste domingo como um homem realizado. Ele sobrevive na disputa presidencial com chances de obter o que não conseguira produzir na fase em que ainda respirava: a abertura de uma terceira via.

Vice de Eduardo Campos, Marina Silva vai à cabeça da chapa na próxima quarta-feira. Com um potencial de votos duas ou três vezes maior do que a do titular, a ex-coadjuvante reassume o papel de protagonista como um estorvo para Dilma Rousseff. Prevalecendo a lógica, a esperança da candidata do PT de reeleger-se no primeiro turno está na bica de ser enviada para o beleléu.

Convertida numa espécie de viúva-política de Eduardo Campos, Marina pode tornar-se uma ameaça também para Aécio Neves. Beneficiária da atmosfera de comoção, ela entra na briga com chances de ultrapassar o candidato tucano. Se tiver competência para combinar a utopia da “nova política” com uma dose do pragmatismo do companheiro morto, Marina flertará com o segundo turno.

Antes da tragédia, o eleitorado parecia fadado a lidar com uma pergunta que, pela sexta vez em duas décadas, marca a sucessão no Brasil: PT ou PSDB? Numa entrevista que concedera em maio de 2013 à revista Teoria e Debate, da Fundação Perseu Abramo, o presidente do PT federal, Rui Falcão, minimizara as chances de Eduardo Campos tornar-se um ator relevante na disputa de 2014.

“Não acredito que haja espaço para uma terceira via. Há o governo e a oposição”, dissera Falcão. Ele previa que faltaria nexo a Campos quando ele tivesse de injetar ideias em seu discurso: “É possível que haja mais de uma candidatura de oposição, mas não há candidatura do mesmo campo da presidenta Dilma.” Para Falcão, haveria um replay do Fla-Flu que faz de todas as sucessões presidenciais meras gincanas do PSDB contra o PT.

“Esses são os dois projetos que têm concepções diferentes sobre o Brasil. Um, a concepção liberal privatista; e nós, uma concepção de desenvolvimento sustentável, de projeto social e de um Brasil em outro patamar, diferente do que tivemos como legado”, afirmara Falcão.

Nessa época, Marina Silva ainda recolhia assinaturas de apoiadores para fundar a sua Rede Sustentabilidade. Mas Falcão desdenhava da ex-petista: “Não tem partido, nega partido, mas está tentando construir um. Ainda é um projeto de candidatura. Se vier, será com o discurso da eleição passada, com alguns ajustes, mas já foi testado e aparecerá como oposição.”

Decorridos cinco meses dessa entrevista, a Rede teve o registro negado pelo TSE. E Marina abrigou-se no PSB de Campos. Para surpresa geral, aceitou a condição de segunda da chapa. Fez isso numa fase em que sete legendas lhe ofereciam a vaga de presidenciável. Entre elas o PPS de Roberto Freire.

Imaginou-se que Marina proporcionaria a Campos uma transfusão de parte dos 20 milhões de votos que obtivera em 2010. Porém, transcorridos dez meses de campanha, o candidato do PSB não conseguiu firmar-se como meio-termo viável entre Dilma e Aécio. Parecia que lhe faltavam firmeza e credenciais para sintetizar o sentimento de mudança escancarado nas pesquisas.

Eduardo Campos mordia Dilma. Mas soprava Lula. Ele enxergava méritos na era FHC. Mas ficava tiririca quando Aécio dizia que estariam juntos no futuro. A ‘nova política’ de que tanto falava o parceiro de Marina era um conceito vago, condicionado à geografia. Em Brasília, a “nova política” serviria para “mandar Sarney à oposição”. Em Pernambuco, era uma coligação de 21 partidos.

Eduardo Campos dizia que Dilma entregaria um país pior do que recebeu. E Lula retrucava: “Creio que o Eduardo não pode exagerar nas críticas porque ele sabe que é o mesmo projeto, o projeto do qual ele participou e que tantos avanços trouxe para Pernambuco e o Brasil.”

Para complicar, PSB e Rede têm dificuldades para chegar a um consenso sobre o mundo, antes de reformá-lo. Vivem um drama descrito na piada de Millôr Fernandes sobre a tecnologia da engenharia chinesa: de um lado da montanha, colocam 10 mil chineses para cavar. Do outro lado, mais 10 mil. Se os dois grupos se encontram no meio da montanha, inaugura-se um túnel. Se não se encontram, inauguram-se dois túneis.

Ao continuar cheio de vida depois da morte, Eduardo Campos oferece aos sobreviventes a oportunidade de cavar um único túnel. As altas taxas de eleitores sem candidato indicam que a polarização da política brasileira entre PT e PSDB já torrou a paciência de muita gente. As duas legendas são identificadas como responsáveis pelo fisiologismo e pelos atentados ao erário praticados em nome da governabilidade.

Para enfrentar o PT, o tucano Fernando Henrique uniu-se ao rebotalho da política nacional. Para prevalecer sobre o PSDB, Lula levou a parceria com o arcaico às fronteiras do paroxismo. Num cenário assim, a morte prematura de personagens como Eduardo Campos, a despeito de todas as suas contradições, leva as pessoas a refletirem sobre as mortes procrastinadas.

Na política brasileira, há tantos vivaldinos que as pessoas ficam tentadas a enviar-lhes coroas de flores ou a atirar-lhes na cara a última pá de cal. Vem daí a atmosfera de comoção que permite a Eduardo Campos respirar nos dizeres da camiseta dos filhos: “Não vamos desistir do Brasil”.

Em momentos como o atual, a história parece se mover. Resta saber como Marina Silva irá percorrer a terceira que, morto, Eduardo Campos ressuscitou. Em 2010, Marina costumava dizer que um governo ideal reuniria os melhores quadros do PT e do PSDB. Eleita, cuidaria de unir as duas forças. Terminou virando a escada que o tucano José Serra subiu para chegar ao segundo turno na condição de candidato favorito a ser derrotado por Dilma. A diferença é que não havia nessa época o voto-comoção.”