O Xbox One surgiu para costurar ainda mais a relação do público, sobretudo os jogadores, com a TV. Se o novo conjunto aparelho-joystick-Kinect foi apresentado, os poucos jogos foram aperitivo do que será mostrado na importante feira E3 em junho. O objetivo hoje era claro: mostrar o uso maior do console, muito usado como centro de entretenimento no exterior.

O evento
Antes do evento desta terça a Microsoft tinha avisado que seria um evento em duas partes, uma hoje e outra na E3. Logo no início o kit foi mostrado, contrapondo o anúncio da Sony em fevereiro que não revelou (até agora) a face do seu novo console. Apesar do Xbox One parecer um pouco robusto, vale lembrar que nos últimos anos os consoles ganharam versões mais magras com o passar do tempo.
Apesar do fim um pouco abrupto da apresentação, a mensagem era “começa agora e termina na E3”. Foi um jogo muito seguro, guardando boa parte da munição para a E3 – até porque a Sony também terá munição pesada lá. A feira é a hora de causar impacto - e aqui vale lembrar da decisão mais correta da Nintendo de pular fora do ringue por não ter força.
Muitas pessoas reclamaram da ênfase na TV, mas vale lembrar bastante do uso do console nos Estados Unidos e Europa. A Live brasileira está em constante aumento, mas não tem a graça que a gringa tem. Isso é visto fora dos jogos, em aplicativos como a versão da ESPN – uma das melhores maneiras de ver eventos esportivos na tela da TV. Foi um dia para justificar a troca do aparelho, mostrar que ele faz mais coisas. E essa integração com dos jogos com a TV parece ser uma tendência, basta lembrar de Madden 25 que virá com um passe para ver a temporada da NFL online.
Os jogos
A Microsoft prometeu 15 títulos exclusivos no primeiro ano de vida, com oito novas ideias. O fim do ciclo do 360 será marcado por GTA e outros títulos em comum com o PS3 e o PC, guardando munição pro One. Forza Motorsport 5 foi anunciado, prometendo uma bela dose de realismo nas corridas.
Além disso, produtoras como Electronic Arts, Activision e Ubisoft confirmaram versões dos seus principais jogos para a plataforma. Call of Duty: Ghosts terá campo aberto para mostrar o seu poder, assim como Battlefield 4. A Ubisoft também anunciou que Assassin´s Creed IV e Watch_Dogs também terão as suas versões em alta definição. Uma das novidades foi Quantum Break, da Remedy - a mesma produtora de Max Payne.
A EA aproveitou para mostrar a Ignite, seu ambiente para criação de jogos que promete ainda mais realismo. Ao passo que Fifa 14 terá uma torcida mais real (uma das minhas reclamações principais), NBA 14 marca a volta dos jogos de basquete da casa. Madden 25 e UFC completam o pacote.
A questão dos jogos usados não foi excluída, porém os discos serão usados como um modo de instalação rápida. Uma vez instalado em uma máquina vinculada com um usuário da Live, só servirão caso o amigo que pegar o blu-ray pague uma taxa de instalação. Isso ainda vai dar muita discussão, ainda mais com a Sony ainda mantendo a compra de títulos usados mais um pouco. Resta ver quanto será essa taxa.
De uma maneira ou outra, há um encaminhamento para o uso do console sempre conectado. Isto não é obrigatório, mas cada empresa terá liberdade para usar o recurso ou não. Com o número maior de compras digitais, é possível notar que teremos jogos mais vivos (atualizados por DLCs ou pacotes gratuitos) enquanto a porta de entrada para quem não pode conectar o aparelho segue aberta – e algumas pessoas ainda estão nesta situação.
Também não haverá retrocompatibilidade com os jogos do passado. Com isto, jogadores com uma boa biblioteca do 360 vão manter os seus aparelhos rodando por um bom tempo ainda. A nova e a velha guarda também serão unidas pela Live.
Controles
Esse lema clássico está presente no Kinect e no joystick. O aparelho de captura de movimentos será essencial e agora captura vídeo em em 1080p, qualidade interessante quando o Skype vem integrado ao sistema. Não foi detalhado se a distância básica entre o sensor e o jogador continua a mesma. Esta nova versão também será levada para o Windows. O IllumiRoom também não apareceu.
O joystick está um pouco mais robusto, lembrando um pouco aquelas versões especiais da Razer. A maior diferença é uma integração com o Kinect para reconhecer o jogador.
Amigo da TV
O XONE, apelido dado, quer fazer o que Google TV e PSN não fazem, uma vasta carta de vídeos bem organizados. Com o novo Kinect, quer antecipar o movimento da Apple de comandar a tela grande com voz.
Assim, a briga do One NÃO é com a Nintendo e PASSA pela Sony. É um movimento numa guerra maior entre Google (conjunto Google TV, aparelhos com o Android, Glass), Apple (Apple TV, aparelhos com o iOS, cadastro na iTunes), e Microsoft (Windows, X360) que passa pelo consumo de conteúdo digital. A Microsoft é forte nisso lá fora, o Google é muito desorganizado (a falta de indexação correta joga contra o Google TV) mas anda bem pelos méritos do Android e a Apple precisa avançar uma casa porque não é mais tão soberana quanto antes. O cenário fica mais complexo com Sony oferecendo conteúdo 4K via PlayStation 4 e a Amazon daqui a pouco fecha o bote.. pois já amarra o público bem através do Amazon Prime e conjunto de entrega muito ágil com Netflix bem atualizado.
Cabe ressaltar que o uso do Kinect com movimento e sensor de voz antecipa o que era esperado para a TV da Apple. Enquanto a Siri (assistente pessoal da Apple) ainda não assume de vez a TV, o uso do Kinect pode ser interessante. Resta torcer para que aplicativos como o YouTube sejam aperfeiçoados, abrindo caminho para outras ideias interessantes mexendo no modo como olhamos TV.
A promessa de repensar a relação com a TV vem embalada por um seriado baseado na série Halo produzido por Steven Spielberg. Com todo o esforço da indústria audiovisual focado nos seriados (basta lembrar da Marvel investindo pesado em Agentes da SHIELD e Netflix com House of Cards, só pra recordar novas iniciativas), foi um modo interessante de dizer "estamos nessa - e com quem você gosta." E ainda há o uso do blu-ray, corrigindo a aposta errada no HD DVD no 360.
Veredito final
Muito óbvio, mas é cedo para dizer. Como Sony e Microsoft guardaram muitas informações para a E3, resta ver melhor a linha de jogos exclusivos e o preço. Mesmo com ambos estimados para o início de novembro, talvez o diferencial venha pelas redes. Há uma especulação – um rumor sempre é um rumor – que o console pode vir com uma versão mais barata vinculada com uma assinatura da Live, ao passo que outra mais cara não necessitaria disso.
O preço do console e as propriedades de cada rede, com um pouco de peso para os jogos usados, devem nortear as compras do final do ano.
Trailers exibidos
Call of Duty: Ghosts
Electronic Arts: Ignite
Electronic Arts: Ignite - True Player Motion
Electronic Arts: Ignite - Human Intelligence
Electronic Arts: Ignite - Living Worlds
Forza Motorsport 5
Quantum Break
Xbox and NFL: Changing the Game







































