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Saiba quando “pular da barca”

21 de julho de 2015 0

Por Maximiliano Carlomagno*

A quantidade e intensidade das mudanças no ambiente de negócios faz com que mesmo empresas líderes tenham que inovar. As vantagens competitivas são temporárias, como frisou a professora Rita McGrath, de Columbia O modelo comercial, de produção, produto ou captura de valor de sua empresa são escolhas dinâmicas http://innoscienceblog.com.br/2014/06/20/o-que-a-eliminacao-da-espanha-na-copa-ensina-para-sua-empresa-sobre-inovacao-e-estrategia/ que precisam se reinventar periodicamente. Para tanto, você precisa ter a disciplina de perceber quando sua forma de jogar o jogo se esgotou ou foi superada.

Melhorar incrementalmente o desempenho de uma charrete não a fará uma alternativa competitiva ao automóvel. Quando a oportunidade acabou, não há outra saída que partir para outra. É nesse momento que muitos empresários perdem todo o dinheiro que conquistaram nos tempos de bonança.

Quando eu era executivo em uma instituição financeira, recebi um empreendedor do ramo de semi-jóias que enfrentava um declínio de seu negócio em função do esgotamento de sua estratégia. Os últimos 3 anos haviam apresentado queda de resultado de 10, 20 e 30% respectivamente até atingir um prejuízo significativo. Ele já havia feito uma série de melhorias, reengenharias e tentativas de ganho de produtividade. Já tinha se desfeito de todo o caixa e lucro acumulado nos anos anteriores. Havia tomado empréstimos acima da capacidade de pagamento da empresa. Optou, em decisão com a família, por hipotecar sua casa para tentar “dar a volta” como ele se referia. Não foi possível. Ele perdeu a casa e estava buscando um local para morar em comodato por falta de condições de pagar aluguel.

Aquilo me marcou para sempre. Percebi que saber a hora de “pular da barca”, expressão que ficou conhecida por meio do jogador do Internacional Dalessandro na saída de um jogo no qual havia perdido, é decisivo.

MAX1

O ciclo de vida das oportunidades

Somos todos ensinados a fazer a criação e o crescimento de novos negócios. Mas não sabemos como nem quando sair do negócio. Isso envolve aspectos emocionais, no entanto, é preciso abordar essa tarefa com método e disciplina. O melhor caminho é entender o ciclo de vida das oportunidades. As oportunidades e nossa capacidade de ganhar dinheiro com elas seguem um ciclo de vida. Navegar adequadamente em cada fase determina quem ganha mais ao final do jogo.

O ciclo é marcado por uma fase inicial de introdução da vantagem no nascimento da oportunidade. Nesse momento, o pioneirismo aliado a capacidade de estabelecer barreiras futuras de imitação garantem quem sai vencedor e se prepara para seguir vencendo.

A segunda fase, de crescimento, estabelece outras prioridades relacionadas a ganhar presença, escala e acelerar a curva de aprendizagem para fazer mais volume na oportunidade. Quem demora para ganhar escala ou não encontra um modelo de negócio para capturar valor fica para trás.

A terceira fase envolve a maturidade da oportunidade e é onde o jogo muda, dado que uma série de players está presente e a eficiência passa a dominar o jogo.

A quarta e última fase trata do declínio da atratividade de determinada oportunidade e da possibilidade de obter vantagem com o mesmo modelo de negócio. Nesse momento não adianta você querer fazer melhor. É preciso entender quando a oportunidade acabou. Um aparelho de Fax mais rápido, menor e mais fácil de usar não iria garantir consumidores quando estes migravam para o email e outras formas de comunicação. O desenvolvimento de um programa de email mais bonito, colorido ou que organize melhor suas pastas não irá proteger sua empresa do impacto que o WhatsApp http://innoscienceblog.com.br/2014/10/07/por-que-o-facebook-comprou-o-whatsapp/ teve na comunicação um-a-um e entre grupos.

O valor migra entre oportunidades num mesmo setor. Por exemplo, na indústria de microcomputadores, a oportunidade migrou do hardware para o software. Na telefonia foi da voz para dados. Por isso você precisa ter um processo estruturado de identificação de oportunidades e fontes de vantagem antes que a sua solução atual tenha se deteriorado. Mas além disso, você precisa entender quando o seu negócio está perdendo performance porque está com execução ineficiente e quando ele está estruturalmente ultrapassado. O equivoco nessa análise pode levar você a não saber a hora de “pular da barca” e sair da oportunidade com ótimos resultados e acabar desperdiçando todo resultado tentando melhorar algo que já não tem mais potencial.

Até a próxima inovação,

Maximiliano Selistre Carlomagno, colaborador do Mundo dos Negócios na área de inovação, dá dicas e conta o que há de novo sobre o tema nas empresas no Brasil e no exterior. Sócio fundador da Innoscience, Consultoria em Gestão da Inovação, é autor do livro Gestão da Inovação na Prática e do e-book A Prática da Inovação. É mentor Endeavor e presidente do Comitê de Inovação da Amcham.

ATENÇÃO:

Hoje, o Mundo dos Negócios traz para você uma apresentação do nosso colaborador na área de inovação, Maximiliano Carlomagno, no TEDx. Não Perca.  Clique aqui para assistir.


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