Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Será Porto Rico a nova Grécia?

31 de julho de 2015 0

Por Fernando Naiditch*

Enquanto o mundo inteiro acompanhava a crise na Grécia e os rumos que a zona do Euro iria tomar, os americanos observavam também uma crise parecida ocorrendo dentro de casa, na zona do dólar.

Porto Rico tem pelo menos 72 bilhões de dólares em dívidas e o governador deste território americano, Alejandro García Padilla, já anunciou, em alto e bom som, que a dívida é, em suas palavras, “impagável.”

Porto Rico é considerado parte do que os americanos denominam de commonwealth, a organização de estados independentes sobre a tutela de um governo central.

Ao contrário dos outros estados americanos, porém, Porto Rico é um território e não tem status de estado. Sendo assim, não goza de muitos dos privilégios que um estado ou cidade americana tem, como, por exemplo, a possibilidade de pedir falência, como aconteceu com a cidade de Detroit no estado de Michigan em julho de 2013, para poder reestruturar sua dívida.

Porto Rico

Imagem: resortvacationstogo.com

Assim como na Grécia, o governo de Porto Rico deveria ter previsto a crise econômica e financeira em que se encontra. A ilha vive uma recessão há pelo menos uma década. Somente 40% dos adultos em Porto Rico participam da força de trabalho. Mais de 5% da população abandonou a ilha em busca de melhores oportunidades e trabalho no continente americano.

A diferença com a situação na Europa, porém, é que a Grécia deve dinheiro a vários países, instituições, e investidores. A dívida de Porto Rico está praticamente toda com os americanos. A Grécia tinha a opção de sair da zona do euro e assim, livrar os outros países da zona de financiar uma economia que não tem como se tornar viável em um futuro próximo. Esta não é uma possibilidade para Porto Rico, que não tem como sair da zona do dólar e que, certamente, continuará a se beneficiar de uma rede de segurança social e fiscal financiada por Washington a um alto custo ao contribuinte americano.

Como Porto Rico chegou nessa situação? A resposta é simples e similar ao que aconteceu na Grécia. O governo da ilha gastou mais do que arrecadou e acabou se endividando para poder honrar seus compromissos.

Além disso, a taxa de desemprego na ilha é de 12,4%. Os jovens que não veem futuro em permanecer em Porto Rico, têm partido da ilha, o que causa uma diminuição na população economicamente ativa, uma queda na renda familiar, e consequentemente, uma crise no mercado imobiliário.

Para se ter uma ideia, somente 46.1% da população de Porto Rico (maiores de 16 anos) estava incluída na força de trabalho em 2012 e a população da ilha diminuiu em 4.8% de 2010 a 2014. Daí a dificuldade do governo em arrecadar dinheiro suficiente para financiar até mesmo serviços básicos quando menos da metade da população está empregada e aqueles que podem contribuir com o mercado de trabalho optam por abandonar a ilha.

A solução para a crise porto-riquenha ainda está longe de acontecer e, por enquanto, o governo americano tem dado o suporte econômico para manter a estabilização no território. Para sair do buraco, Porto Rico necessitará de mudanças estruturais sérias. Depois do que aconteceu na Grécia, alguns economistas preveem medidas similares, com imposições e restrições para que a situação da ilha não afete ou desestabilize o resto dos Estados Unidos.

Porto2

Imagem: colimdo.org

*Fernando Naiditch é doutor em Educação Multilingue e Multilcultural pela Universidade de Nova York (NYU). Mora em Nova York ha 16 anos e atualmente é professor na Montclair State University.

 

 

Envie seu Comentário