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Modismos americanos de 2015 que seguem firmes em 2016

06 de janeiro de 2016 0

Por Fernando Naiditch*

Todo final de ano, as revistas e jornais adoram publicar listas com os assuntos mais importantes e comentados do ano que passou, as pessoas mais influentes, as modas. A última edição da revista People de 2015 não deixou por menos e publicou uma série destas listas. Interessante para a coluna foi a relação de modismos que assolaram os Estados Unidos em 2015 e que devem continuar a crescer em 2016. A lista me inspirou a buscar mais informações sobre esses modismos. Confira os principais:

1. Livros de colorir para adultos

As editoras publicaram inúmeros livros de colorir buscando atingir o público adulto que, além de querer reduzir o estresse, também busca desesperadamente recapturar momentos e experiências da infância. Livros de colorir para adultos também foi moda no Brasil. A Floresta Encantada e O Jardim Secreto, ambos da autora Johanna Basford, viraram best sellers e chegaram a vender 13 milhões de cópias em 2015. A tendência continua em 2016. As livrarias americanas agora têm até seções específicas dedicadas a esse tipo de livro. As novas tendências no setor incluem colorir livros de literatura ilustrados como O Pequeno Príncipe, que foi sucesso de vendas no Natal americano e até mesmo shows the televisão. A adaptação de Games of Thrones da HBO ganhou versão para colorir e também foi lançada antes do Natal. As fotos abaixo mostram os livros e a seção especial bem na entrada da livraria Barnes& Noble em plena Union Square em Nova York:

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Imagem: Fernando Naiditch

2. Brinquedos de Gênero Neutro

Em agosto de 2015, a loja de departamentos Target, uma das maiores do país, decidiu eliminar qualquer menção à gênero e tirou todos os rótulos que diziam ‘meninos’ ou ‘meninas’ em sua seção de brinquedos, deixando claro que brinquedo é para todos, sem categorias. A moda se espalhou e chegou até na fabricante de brinquedos Mattel, que produz a icônica boneca Barbie. Em novembro, já em preparação para as vendas de Natal, a Mattel lançou um comercial da Barbie que mostrava um menino brincando com a boneca pela primeira vez (veja imagens abaixo). A marca de design Moschino se associou à campanha e lançou uma Barbie para todos os gêneros. A atenção e a repercussão valeram a pena pois trouxeram à tona a discussão sobre esteriótipos ligados a gênero e sexo. Segundo especialistas, a tendência é cada vez mais eliminar gênero de produtos, especialmente os dedicados ao público infantil.

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Imagem: wivb.com

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Imagem: npr.org

3. Hoverboards

Sendo vendidos por até $2.000 dólares, esses ‘scooters’ de auto-equilíbrio tomaram as ruas das cidades americanas. As celebridades adoraram a moda e ajudaram a alavancar as vendas. Justin Bieber, Wiz Khalifa e Bella Thorne são somente algumas das que registraram suas aventuras no hoverboard em suas redes sociais. Com a popularidade, chegaram também os problemas, que começaram a surgir antes do Natal. Esses hoverboards têm bateria de ion lithium recarregável na tomada e têm causado curto circuitos que acabam em chamas. Teve até casa pegando fogo porque o dono esqueceu o hoverboard na tomada. Muitos deles simplesmente explodem sem aviso prévio. Foram tantas as reclamações no serviço de proteção ao consumidor que novas regulações estão sendo criadas. Tem cidade até que está proibindo o uso nas calçadas porque os usuários estão atropelando os pedestres. As empresas aéreas americanas proibiram o porte dos hoverboards em aviões, mesmo sendo despachados, devido a possibilidade de auto combustão e o perigo que isso pode causar. Alem disso, a associação médica dos Estados Unidos também adverte para o perigo nas quedas que podem causar desde fraturas até concussão. O uso do capacete se tornou obrigatório. Até Mike Tyson postou foto no Instagram de sua queda usando o hoverboard.

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Imagem: telegraph.co.uk

 

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Imagem today.com – Mike Tyson e sua queda no hoverboard

4. Óleo de Côco:

O óleo de côco virou mania nacional em 2015 e as vendas continua em alta nos Estados Unidos. Essa é uma notícia boa para a indústria brasileira que exporta a fruta, o óleo, o leite e a água de côco para os Estados Unidos. O óleo de côco é utilizado pra cuidados com a pele, tratamentos de cabelo, na cozinha e até para gargarejo. Os benefícios estão sendo exaltados por dermatologistas, esteticistas e nutricionistas. Muitas celebridades se tornaram adeptas ao óleo e não poupam elogios. A supermodel Miranda Kerr, por exemplo, se diz fã de carteirinha do óleo de côco e o adiciona em saladas e no chá verde. Ela têm aparecido na mídia para falar dos efeitos milagrosos do óleo no seus cabelos sedosos e na pele renovada e sem marcas. Como ela, muitos têm utilizado o óleo como loção hidratante, para toucas no cabelo e também o adicionam a diversos alimentos. Apesar do óleo de côco ser uma gordura saturada, ele não tem colesterol e estudos comprovam sua habilidade de estimular a função da tireóide

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Imagem: dailynexus.com

5. Espartilho

Criado em meados do século 16, o espartilho tem sido constantemente reinventado na indústria da moda feminina. Em 2015 não foi diferente. A moda do uso do espartilho, ou waist training, como é conhecida nos Estados Unidos, tomou conta do universo feminino e, é claro, veio tomada de controvérsias. A idéia é que o uso contínuo do espartilho funciona como um modelador de cintura, que além de diminuir a cintura, deixa o corpo com a silueta de uma ampulheta, a forma conhecida como ‘corpo violão.’ O acessório tem sido vendido por até $130 dólares e a recomendação é utilizá-lo por quatro horas diárias para eventualmente modificar a forma do corpo. A moda foi estimulada por celebridades como Kim Kardashian, Amber Rose, Jessica Alba e Blac Chyna. As irmãs Kardashian viraram símbolo dos resultados que podem ser obtidos com o uso contínuo do espartilho. O problema são as consequências para a saúde da mulher. O Dr. Oz, por exemplo, não se cansa de alertar as mulheres para os efeitos colaterias do corsete em seu programa na televisão. A associação médica americana também tem advertido as consumidoras dessa moda e não recomenda o uso do acessório. Para atingir o objetivo de dimunuir a cintura da mulher, o corsete força o corpo a fazer ajustes. Alguns deles incluem espremer os órgãos e puxá-los para cima do corpo, com o acontece com o diafragma, os rins, o fígado e a vesícula. Além disso, a caixa toráxica é empurrada contra o lado do fígado, criando uma serie de reentrâncias. Na tentativa de moldar a cintura do corpo, o espartilho acaba por alterar a composição no interior do organismo. Apesar de produzir resultados reais, o waist training também produz consequências reais. Infelizmente, a moda parece que veio para ficar e está influenciando jovens a adolescentes americanas que estão sendo bombardeadas por propagandas que ilustram somente os benefícios do uso do espartilho e ignoram seus efeitos colaterias. O endorso das celebridades também não ajuda e até motiva as mulheres que querem se parecer com essas personalidades da mídia.

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Imagem: dailymail.co.uk – Kim Kardashian, a rainha do corsete.

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Imagem: hercampus.com – Snooki, Khloe Kardashian e Amber Rose são algumas das celebridades que aderiram ao uso do corsete

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Imagem: hercampus.com – Dr. Oz fala sobre as consequências do uso do corsete em seu programa.

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Imagem: viviannesblog.wordpress.com – Exemplos do abuso do uso do corsete

*Fernando Naiditch é doutor em Educação Multilingue e Multilcultural pela Universidade de Nova York (NYU). Mora em Nova York ha 16 anos e atualmente é professor na Montclair State University.

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