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Cresce procura por carne de búfalo do RS

16 de janeiro de 2017 0
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Foto de Roberto Cangussu

Já comentei aqui no blog sobre as vantagens da carne de búfalo e sobre o fato de pecuaristas do Rio Grande do Sul estarem investindo nos rebanhos de bubalinos. Os criadores estão apostando nas qualidades da carne e também no potencial da mozzarela de búfala para incrementar os negócios.

E o ano começou com boas perspectivas para a bubalinocultura no Rio Grande do Sul.  A Associação Sulina de Criadores de Búfalos (Ascribu), que em setembro próximo completará 39 anos, planeja firmar parceria para a instalação de um centro de manejo de búfalos no Estado. Além disso, a carne produzida pelos criadores está despertando interesse no mercado paulista de processamento de hambúrguer.

Um dos interessados na carne de búfalo gaucha é István Wessel, herdeiro de uma das mais respeitadas grifes de carne no Brasil. Hoje o blog publica uma reportagem escrita pelo jornalista Carlos Alberto Machado de Souza, que conversou com o especialista paulista:

 Carnes Wessel prepara novidades e cogita oferecer hambúrger de búfalo ao mercado

A Wessel, de São Paulo, prepara novidades para 2017, entre as quais não descarta lançar hambúrger de búfalo. Nascida na Hungria em 1830, a empresa está na quinta geração da família Wessel, que desembarcou no Brasil em 1957 – portanto, comemorará seis décadas de sua chegada ao país no novo ano.

István Wessel, membro da quarta geração da família, conhecido do grande público por comentários sobre carne na mídia e  recorrentes entrevistas a prestigiadas publicações, revela que está programado, por exemplo, o lançamento de hambúrger bovino com recheio, como bacon, queijo. “Por que não pensar em hambúrger de búfalo? Podemos pensar, sim. Também vamos lançar em breve hambúrger orgânico e nessa linha de produto um pouco diferente poderia entrar hambúrger de búfalo. Para isso, precisaria receber carne desossada no Sul”, diz ele.

Wessel teve uma experiência inesquecível com carne de búfalo, anos atrás, quando comprava bezerro do criador gaúcho João Ghaspar de Almeida, vice-presidente da Associação Sulina de Criadores de Búfalos (Ascribu). “Essa é uma carne muito boa”, declara o especialista, dando ênfase ao advérbio “muito”.

Para ele, aliás, não existe muita diferença de sabor e maciez entre a carne de búfalo e a bovina. A maciez, tanto de um como do outro, vai depender da idade com que o animal é abatido. Quanto ao sabor, como a diferença é pequena, ninguém vai comprar porque é mais e deixar de comprar porque é menos saborosa. “A carne de búfalo é uma boa carne, não há nada contra ela”, afirma Wessel sobre o produto que é reconhecido pela ciência por ter 40% menos colesterol, 12 vezes menos gordura; 55% menos de calorias; 12% a mais de proteína; e 10% a mais de minerais.

Istvan Wessel - arquivo pessoal

Istvan Wessel – arquivo pessoal

Domínio do hambúrguer

A Wessel trabalha com cerca de 250 toneladas de carne por mês, das quais pouco mais da metade (140 t) destina-se a hambúrger. Os principais mercados são São Paulo (a capital primeiro e depois o interior), Rio de Janeiro e Nordeste.  Mas o Rio Grande do Sul (na rede Zaffari), como outros estados, também recebem produtos da marca Wessel.

As novidades para 2017 não se limitam a produtos, mas também à ampliação de mercado. Wessel começa a mirar o exterior, preferindo atingir “o primeiro mundo do terceiro mundo”, como classifica China, Rússia, Egito. Ele descarta o primeiro mundo propriamente dito, caso dos Estados Unidos, porque acha que é para players com porte bem maior que o seu.

História

Desde a abertura do primeiro açougue Wessel, em 1830, na Hungria, passaram-se 186 anos. Os Wessel chegaram ao Brasil em 1957 a bordo do navio francês Provence, que atracou em Santos. Eles traziam uma já longa experiência com carnes, a coragem típica dos imigrantes e muita vontade de vencer.

Em pouco tempo, ajudaram a consagrar a picanha, assim como a arte do churrasco, como preferência nacional.

Hoje a empresa produz aproximadamente um milhão de hambúrgueres por mês e fornece carnes para restaurantes e hotéis.

Em 1969 introduziram a técnica da carne maturada, decretando o fim da carne dura. Esta foi a primeira grande mudança feita pela Wessel no mercado de carnes.

O carpaccio, que se encontra em inúmeros restaurantes pelo Brasil, foi outra inovação. Em 1980, a carne crua finíssima, criada no Harry’s Bar, em Veneza, agregaria um efeito até então impensável à Wessel. Em 30 anos, venderam nada menos do que 10 milhões de caixinhas de 250 g de carpaccio. Um case de sucesso.

“É com muito orgulho que dizemos que as carnes Wessel são escolhidas a dedo (e são mesmo), pois são produzidas de forma artesanal a partir de matérias-primas da melhor qualidade e com uma supervisão pessoal da família”, diz o empresário.

Imagem Pixabay

Imagem Pixabay

A  CARNE DE BÚFALO

A carne de búfalo é mais magra e mais saudável que a carne bovina. E, apesar de terem sabor semelhante, a de búfalo ainda é vista com restrições. Puro preconceito. Estudos publicados pelo USDA (United States Department of Agriculture), no Hand Book número 8, Composition of Foods, demonstram que a carne de búfalo, em relação aos bovinos, tem 40% menos colesterol, 12 vezes menos gordura; 55% menos calorias; 12% a mais de proteína; e 10% a mais de minerais. Além disso, o búfalo tem uma grande velocidade de aumento na criação e é uma alternativa em pequenas propriedades, próximas a cidades, com uso de cerca elétrica e infestação de Capim Anoni. Considerado uma verdadeira praga, o Capim Anoni é aproveitado pelo búfalo, que mantém sua expansão dominada. No Brasil existem quatro raças: Murrah, Mediterrânea e Jafarabadi, que são as predominantes, além da raça Carabao, búfalo de pântano, existente basicamente na região Norte, maior produtora do país.

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