Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Conheça 5 tendências da educação executiva

24 de janeiro de 2017 0

Por Maximiliano Carlomagno*

Imagem Pixabay

Imagem Pixabay

O primeiro treinamento corporativo a gente nunca esquece. O meu foi sentado numa classe que me lembrava o colégio, com apostila impressa e quadro branco. Um instrutor caído de paraquedas. Eu não havia sido preparado sobre o que eu iria encontrar, menos ainda sobre o que deveria fazer com o que saísse de lá. Resultado: Não lembro de absolutamente nada. Nunca apliquei o que deveria ter aprendido.

Não sei se você sabia mas as empresas gastam 100 bi de dólares por ano em treinamentos corporativos. Por incrível que pareça, muitos deles são feitos de modo similar ao que eu participei há 20 anos atrás.

Imagem Pixabay

Imagem Pixabay

 

De lá pra cá, tive a oportunidade de vivenciar, praticamente, todos os formatos disponíveis de capacitação. Presencial, online, formal, informal, de curta e longa duração. Fiz desde cursos em Berkeley, Stanford, Columbia e MIT até programas da Perestroyka, Casa do Saber, Amana-Key e Academia Draft. Também tive experiências mais acadêmicas, como a pós graduação e o mestrado. Depois do mestrado, passei a ministrar aulas em programas de pós graduação na área de negócios. Por fim, na Innoscience, realizamos programas in company, online, palestras e workshops sobre inovação corporativa para grandes empresas. Sentei dos dois lados do balcão, digo, da sala de aula. Não é fácil identificar que os modelos atuais estão ultrapassados.

A educação, especialmente a executiva, está em profunda transformação em função da nossa mudança de comportamento e da revolução digital. Pesquisa recente com os principais responsáveis por treinamento e desenvolvimento em grandes empresas evidenciou desafios estruturais.

• Apenas 57% dos mais de 1.200 respondentes afirmaram que seus programas estão alinhados as prioridades estratégicas.
• Somente 52% entendem que seus programas de capacitação contribuem para o atingimento dos objetivos de negócios.
• Em torno de 40% entendem que suas iniciativas são ineficazes na redução do gap de competências de seus funcionários.

A experiência como professor e aluno, bem como o contato com novas tecnologias me estimularam a pesquisar e consolidar um conjunto de 5 tendências para a educação executiva ser mais eficaz, pertinente e adequada pra que traga os resultados que corporações e alunos almejam.

1. Blended entre on e off-line
O Online e Offline deixarão de ser alternativas excludentes. Os programas online crescem de forma exponencial em quantidade e alcance. Consolidam-se plataformas como MITOpenCourseware, EDX, Coursera, Udacity e tantos outras. Apenas como exemplo a Innoscience desenvolveu um curso sobre ‘Ferramentas Práticas para Inovar’ com a Endeavor que já teve mais de 15.000 participantes, algo impossível presencialmente. Além disso, veremos cada vez mais programas blended que mesclam momentos presenciais e online. Os programas de MBA executivo incorporaram definitivamente esse formato. Escolas como IE e IMD já oferecem essas soluções. A IE, uma das mais prestigiadas do mundo, já oferece um Doutorado em business nesse formato.

2. Mobile e Always on
Treinamento corporativo que desconsidera a plataforma mobile não entende o que está acontecendo com a sociedade. Não estamos mais on ou offline. Estamos sempre online, no smartphone. Segundo dados, a indústria de aprendizado via mobile, sozinha, irá crescer e atingir 37 bilhões de dólares até 2020. As pessoas já aprendem e se atualizam mais de forma mobile do que de qualquer outra. Somente os programas de capacitação e desenvolvimento não perceberam essa imensa ameaça e potencial oportunidade de complementar os programas com soluções mobile. Imagine o que será possível com recursos de geolocalização. Você num curso de marketing e, ao passar na frente do McDonald’s, recebe um push em seu celular o convidando para assistir a um vídeo sobre as novas tendências do marketing de varejo.

3. Experiencial no contexto presencial, virtual ou mixed
A eficácia da aprendizagem não passa unicamente pela disponibilidade do conteúdo mas, naturalmente, pela qualidade da experiência. Os recursos de realidade virtual e realidade aumentada devem catapultar as experiências em sala de aula e fora dela para um novo estágio. Já existem cursos que se utilizam de óculos de realidade virtual para desenvolver competências técnicas e comportamentais de profissionais. Essas plataformas permitem ainda mais a transformação da capacitação em um game, algo bem alinhado com o perfil dos executivos do futuro. O mercado de gamificação da experiência, outra forma de diferencia-la, irá atingir 3 bilhões de dólares em 2017. Sim, este ano!

4. Conectado com o trabalho do dia a dia
Não há dúvida de que a adoção de novos comportamentos exige distanciamento do dia a dia. O professor de Harvard Ronald Heifetz chama de “momento do balcão” a necessidade dos profissionais deixarem a “pista de dança” periodicamente para refletirem sobre seus comportamentos. Por outro lado, a aplicação imediata dos novos aprendizados é fundamental para sua adoção. Dessa forma, tenderemos a ver cada vez mais iniciativas intercaladas com capacitação, aplicação, avaliação de resultados, feedback e correção de rumos ao invés do “one shot” onde o aluno recebe uma carga de conteúdo e deve, sozinho, fazer a migração do conteúdo da sala de aula para o seu dia a dia.

5. Absolutamente personalizada
O modelo de “one size fits all” era útil quando havia homogeneidade das competências a serem desenvolvidas e o custo marginal para fazer outros treinamentos era alta. A demanda por competências mais sofisticadas e a disponibilidade de tecnologia muda tudo. Reduz custo e habilita o fornecimento de soluções totalmente personalizadas. Os recursos tecnológicos de big data podem potencializar a personalização das soluções de capacitação executiva. A projeção é que o mercado de big data e analytics de aprendizado alcance 48 bilhões de dólares em 2019. Pense num software que identifica onde um profissional tem maiores dificuldades e oferece customizadamente novas soluções.

Imagem Pixabay

Imagem Pixabay

Já estão disponíveis no mercado soluções aproveitando-se, em parte, dessas tendências. Os desafios empresariais e a necessidade de inovação continuada amplia as exigências de capacitação, formação e desenvolvimento. Configurar suas soluções de capacitação a partir dessas pode fazer toda diferença para tornar seus programas úteis para indivíduos e corporações. Há um novo ambiente digital, mobile, compartilhado, onde os usuários geram conteúdo. Programas personalizados, que aproveitem o mobile, o on e offline para gerar experiências incríveis, serão, definitivamente, inesquecíveis.

Até a próxima inovação

* Maximiliano Selistre Carlomagno, colaborador do Mundo dos Negócios na área de inovação, dá dicas e conta o que há de novo sobre o tema nas empresas no Brasil e no exterior. Sócio fundador da Innoscience, Consultoria em Gestão da Inovação, é autor do livro Gestão da Inovação na Prática e do e-book A Prática da Inovação. É mentor Endeavor e presidente do Comitê de Inovação da Amcham.

Envie seu Comentário