Olá, gente!
Se assustou com o título? Pois é; vou explicar melhor: estou falando do choro, ou simplesmente o chorinho, que, segundo especialistas no assunto, pode ser considerado como a primeira música urbana tipicamente brasileira. Os primeiros conjuntos de choro surgiram por volta de 1880, no Rio De Janeiro, antiga capital do Brasil. O choro nasceu nas biroscas do bairro cidade Vila Nova e nos quintais dos subúrbios cariocas. A maioria dos músicos eram funcionários da alfândega, dos correios e telégrafos, da estrada de ferro Central do Brasil - a rapaziada da época se reunia e o "choro comia"; em suas residências, em vários locais do bairro, onde moravam. E a composição instrumental desses primeiros grupos de chorões girava em torno de um trio formado por flauta, instrumento que fazia os solos; violão, que fazia o acompanhamento como se fosse um contrabaixo (daí a expressão: os musicos da época chamavam esse acompanhamento grave de "baixaria"); e, claro, não podia faltar o cavaquinho, que fazia o acompanhamento mais harmônico, com acordes e variações. Esse tipo de música também era conhecida na época como pau-e-corda, porque as flautas usadas naquele tempo eram feitas de ébano.
Mas a música que os chorões tocavam logo se distinguiu em muito daquelas tocadas nos nobres salões cariocas. Eu sempre digo que o chorinho é a primeira grande escola e quase que única para os grandes musicos intuitivos; o choro é uma musica feita de arquétipos que exigem do músico muito domínio de seu instrumento, e uma apurada percepção de códigos e senhas que se encaixam em gigantescos improvisos. O nascimento do choro e dessa sua fórmula de improvisação é 50 anos anterior ao jazz, no entanto se constrói da mesma forma que a música negra norte-americana; ou seja, é feito como se fosse um jogo criativo executado com muita habilidade e genialidade. Portanto, o tão falado improviso jazzístico já existia no Brasil dos tempos do Império.
As primeiras referências ao organizador desses conjuntos de pau-e-corda citam o flautista Joaquim Antônio da Silva Calado, ou apenas Calado. O repertório dessas bandas incluía polcas, xotes, tangos e valsas. Entre a turma de Calado estavam nomes como Viriato Figueira da Silva, Patóla, Saturnino, Luizinho e Silveira. Todos craques em fazer, propositalmente, modulações complicadissimas com intuito de "derrubar" os outros músicos. Bom, no século seguinte vieram nomes como Sátiro Bilhar, Dino e João Pernambuco (três excelentes violonistas); Lula Cavaquinho e Nelson Alves (cavaquinho); Patápio, aquele menino, o Pixinguinha, e o amiguinho Altamiro Carrilho (mestres da flauta), e Jacó do Bandolim. Não esquecendo de Donga, outro grande violonista. Hoje, músicos como Paulinho Da Viola, Paulo Moura (já falecido), Isaías, Hamilton De Holanda, Hélio Delmiro, Turíbio Santos e também os conjuntos Época De Ouro, Água da Moringa, Trio Madeira Brasil, Premeditando O Bréque, Galo Preto e muitos outros, mantiveram e mantêm em atividade essa manifestação instrumental popular que os grandes centros urbanos do país produziam e produzem. Aliás, foi induzido por essa música que Villa-Lobos criou uma de suas mais importantes composições, intitulada Os Choros. Também não podemos esquecer dessa grande mulher que deu voz ao choro, nos deixando no dia 27 de março, aos 91 anos de idade: Ademilde Fonseca, a Rainha do Choro.
Ah, ah... Pra finalizar... Quem não foi, perdeu! A Quarta Jazz Itapema, com o Choro Jazz, foi uma noite espetacular, principalmente para os amantes do gênero, na The Double Seven, um dos mais badalados cocktail-bar de Manhattan, que está em Florianópolis há um bom tempo. Boa música, num local aconchegante, e um atendimento diferenciado, seguindo exatamente a linha da matriz de Nova York. A noite de Choro Jazz contou com músicos de primeira: Maurici Ramos, Leandro Fortes, Giann Tomasi e Rafael Galcer.
É isso gente; mas que tal conferir esse menino ai... Aprendendo a fazer um "samba choro"? CLIK...
Por Edson Nunes
Comunicador Itapema FM









