Já que a Patrícia comentou sobre o livro mais recente da Patrícia Cornwell mas fez a ressalva de que talvez não seja a melhor obra para quem está tendo o primeiro contato com a personagem, eu complemento e aproveito para indicar o que eu considero a melhor apresentação da personagem recorrente da autora, a médica-legista Kay Scarpetta.

Post-Mortem, publicado nos Estados Unidos em 1990, é a primeira aventura da médica, e uma apresentação do universo que a cerca: o gabinete legal no qual trabalha, o policial gordo e desleixado com quem mantém uma relação pontuada de conflitos e uma investigação carregada de suspense à cata de um assassino serial que mata sem pistas. Quando a história começa, o maluco já matou três mulheres, sem nada aparentemente em comum: são de raças diferentes, moram em locais diferentes da cidade e não parece haver um plano em execução – o que seria de se esperar de um assassino serial.
O matador é metódico, invade casas em que mulheres estão sozinhas e as amarra na cama antes de violentá-las e matá-las. Ao examinar as vítimas, a doutora Scarpetta só tem como pista o fato de que uma estranha substância não identificada está em todos os cadáveres ligados ao caso, um composto que emite um estranho brilho quando analisado sob a luz ultra-violeta. Nem mesmo um teste de DNA pode ajudar a investigação, porque o indivíduo faz parte de uma categoria bastante comum de homens com sêmen não-secretor de DNA.
Para piorar a situação, as informações sobre o caso começam a vazar para a imprensa, e a polícia cometeu um erro no último assassinato, foi chamada pela vítima mas não compareceu ao local. Tudo parece estar se armando para que alguém leve a culpa pelos vazamentos de informação que podem arruinar o caso, e a possibilidade de que esse suposto bode-expiatório seja a própria Doutora Kay é grande.
Um bom cartão de visitas para a legista obcecada em tirar das ruas matadores cruéis.
Postado por Carlos André Moreira







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