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Posts de junho 2006

Complementando

30 de junho de 2006 3

Já que a Patrícia comentou sobre o livro mais recente da Patrícia Cornwell mas fez a ressalva de que talvez não seja a melhor obra para quem está tendo o primeiro contato com a personagem, eu complemento e aproveito para indicar o que eu considero a melhor apresentação da personagem recorrente da autora, a médica-legista Kay Scarpetta.

Não é o Poste do Morto, filho. É

Post-Mortem, publicado nos Estados Unidos em 1990, é a primeira aventura da médica, e uma apresentação do universo que a cerca: o gabinete legal no qual trabalha, o policial gordo e desleixado com quem mantém uma relação pontuada de conflitos e uma investigação carregada de suspense à cata de um assassino serial que mata sem pistas. Quando a história começa, o maluco já matou três mulheres, sem nada aparentemente em comum: são de raças diferentes, moram em locais diferentes da cidade e não parece haver um plano em execução – o que seria de se esperar de um assassino serial.

O matador é metódico, invade casas em que mulheres estão sozinhas e as amarra na cama antes de violentá-las e matá-las. Ao examinar as vítimas, a doutora Scarpetta só tem como pista o fato de que uma estranha substância não identificada está em todos os cadáveres ligados ao caso, um composto que emite um estranho brilho quando analisado sob a luz ultra-violeta. Nem mesmo um teste de DNA pode ajudar a investigação, porque o indivíduo faz parte de uma categoria bastante comum de homens com sêmen não-secretor de DNA.

Para piorar a situação, as informações sobre o caso começam a vazar para a imprensa, e a polícia cometeu um erro no último assassinato, foi chamada pela vítima mas não compareceu ao local. Tudo parece estar se armando para que alguém leve a culpa pelos vazamentos de informação que podem arruinar o caso, e a possibilidade de que esse suposto bode-expiatório seja a própria Doutora Kay é grande.

Um bom cartão de visitas para a legista obcecada em tirar das ruas matadores cruéis.

Postado por Carlos André Moreira

Crime à moda antiga

30 de junho de 2006 0

Detetive à moda antiga com e-mail e celular/Divulgação
Quando leio um livro da P.D. James (autora policial de títulos como Sala de Homicídios e O Enigma de Sally) fico com uma sensação estranha cada vez que um personagem manda um e-mail ou atende o celular, como se Sherlock Holmes ouvisse seu iPod enquanto investiga pegadas. Me explico: apesar de as histórias de P.D. James serem ambientadas nos dias de hoje, parecem tramas vitorianas. O livro recém-chegado às prateleiras, O Farol (Companhia das Letras, 456 páginas, R$ 46,50), é um bom exemplo.

Na investigação da morte suspeita de um famoso escritor, e-mails destoam de um universo povoado por mordomos devotados, tão esnobes quanto seus patrões, velhas senhoras cheias de dignidade tomando chá, mocinhas frívolas, como nos romances de Jane Austen, casarões com nomes pomposos e jantares à francesa.

Para completar, o protagonista é o policial-poeta Dalgliesh. O resultado agrada quem gosta de crimes e investigações à moda antiga: pistas que vão se somando em conversas em frente à lareira e personagens revelando facetas misteriosas até um desfecho surpreendente. A velha e bem-sucedida fórmula de Agatha Christie com um pouquinho mais de ação no final.

***

E falando em ação, há novidade da americana Patricia Cornwell nas livrarias: Mosca-varejeira. Para quem gosta de crimes com muito sangue, assassinos desumanos e intricadas tramas policiais em tom realista a escritora americana é uma excelente pedida. Mas vai uma dica: se você nunca leu nada da autora, não comece por esse título, porque os livros protagonizados pela médica-legista Kay Scarpetta, em especial os últimos três, podem ser lidos como uma grande e única narrativa em capítulos. Mas se você tem acompanhado as aventuras de Kay, prepare-se: Mosca Varejeira (Companhia das Letras, 504 páginas, R$ 46) traz uma grande revelação. Sem mais pistas para não estragar a surpresa.

Postado por Patrícia Rocha

Cassia me socorre

28 de junho de 2006 0

  A propósito, a editora do Clic e co-autora deste blogue me manda o endereço certo da página do Zini: zh.clicrbs.com.br/90minutos

Postado por Carlos André Moreira

O Brasil em sua melhor tradução

28 de junho de 2006 0

Pouca gente fez tanto pela literatura brasileira nos Estados Unidos quanto Gregory Rabassa, tradutor e professor do Queens College, de Nova York. Responsável pelas traduções de obras de Jorge Amado, Vinicius de Moraes e Clarice Lispector, Rabassa é também uma grande autoridade em literatura latino-americana, vertendo livros de Gabriel García Márquez (principalmente Cem anos de solidão), Julio Cortázar, Miguel Angel Asturias e Mario Vargas Llosa.

Aos 84 anos, Rabassa ainda ensina que o Brasil é tão diferente da América espanhola quanto dos Estados Unidos e Machado de Assis é um dos maiores escritores de todo o mundo em todos os tempos. Em uma entrevista ao jornalista Lucas Mendes tempos atrás, Rabassa disse que quanto mais bem escrito o livro, mais fácil de ser traduzido e acrescentou que o grande escritor indica ao tradutor a direção a ser seguida.

Com estes ensinamentos, ele conclui que Guimarães Rosa é intraduzível e confessa que ao traduzir um romance de Jorge Amado – no caso Tocaia Grande (em inglês Showdown) – se complicou com a quantidade de sinônimos que o escritor baiano colocou para definir o órgão sexual masculino. %22Em português há muitos termos. Em inglês não, e eu precisava ficar me repetindo%22.

Postado por Márcio Pinheiro

Mistério financeiro

28 de junho de 2006 0

 Sempre fui péssimo em matemática no colégio – a piada recorrente entre jornalistas é que a maioria de nós escolhe essa profissão porque era ruim demais com os números para passar em qualquer outra coisa.

Agora, enquanto pesquisava algumas coisas para atualizar este blogue, me caiu uma ficha, um assunto que eu já havia comentado na tarde de hoje com o colega Luiz Zini Pires, aqui da Zero Hora e titular do blogue 90 Minutos, na turma que escreve sobre Copa. Procurem o endereço em algum lugar aí do lado, clicando em blogues.

Contava o Zini que foi a uma livraria hoje à tarde para bisbilhotar o preço dos romances policiais, que ele consome com voracidade, e se surpreendeu ao pôr o olho em um volume de uma autora bastante conhecida do gênero custando 45 pilas.

Isso ressoou na minha cabeça com um pensamento que eu já vinha formulando há meses, enquanto escrevia sobre lançamentos em geral: todo llivro agora parece custar de 35, 40 pilas pra cima. O que houve com o antigo livro a 25 reais? Esse inexplicável estouro dos preços se dá em um momento em que a inflação não é das maiores e quase dois anos depois de a indústria do livro haver sido contemplada com a isenção de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O que deveria ter garantido ume redução no valor de compra que o consumidor desembolsa.´

Considerando que a porcentagem que o autor recebe sobre o preço de capa continua a mesma – ínfima na maioria dos casos – o que eleva os preços a esse patamar tão alto?

Não sei responder, ainda. Mas agora fiquei com vontade de fazer uma reportagem sobre o tema. Aguardem o resultado para breve.

Postado por Carlos André Moreira

Canalha

28 de junho de 2006 2

“Não raro, os próprios jornalistas aceitam fazer o papel de escribas do poder, reproduzindo o comportamento dos correspondentes enviados a Canudos, que não mencionaram – ou apenas registraram, muito de passagem – a degola de homens, mulheres e crianças. Muito poderia ser escrito sobre as razões que determinam tal comportamento – do triunfo momentâneo do pensamento neoliberal, para o qual o mercado é a lei inexorável da existência, ao puro e simples oportunismo de carreiristas que sabem o que devem escrever e falar ‘para se darem bem’ na profissão(…)”.

O texto citado acima foi retirado do livro O Jornalismo Canalha, do jornalista José Arbex Jr., que faz uma série de levantamentos éticos e ideológicos sobre a cobertura jornalística feita sobre a guerra entre Estados Unidos e Iraque, iniciada em março de 2003. O livro tem 195 páginas de uma leitura fácil, com palavras simples e abordagens práticas, todas ligadas à visão socialista de ver o mundo. Não só nesse livro mas em outros títulos que já escreveu, como por exemplo: Showrnalismo, Arbex coloca à disposição do seu leitor a bagagem de quem já lutou contra a ditadura, faz militância político-esquerdista, teoriza as condições sociais e existências do ser humano, edita e escreve para veículos como a revista Caros Amigos e leciona na PUCSP.

O Jornalismo Canalha faz duras críticas ao ataque norte-americano, qualificando-o como uma invasão sem propósito, uma conspiração política de auto-sustentação dos pensamentos de George W. Bush, uma “carnificina” com objetivos escusos sobre as riquezas naturais iraquianas, sendo tudo isso muito mal ou parcialmente coberto pelos veículos de comunicação. Não por vontade própria ou incompetência de seus profissionais, mas pela imposição por grande parte do exército americano, que usa da força para impedir que a realidade seja mostrada nua e crua ao mundo. No livro, encontramos afirmações que indicam o ataque intencional de tanques e soldados Yankees a instalações de jornalistas que ousaram desobedecer às ordens do que deve e não deve ser noticiado.

É uma boa leitura, indicada para os que desejam pensar, discutir, criar saídas para os povos mais pobres frente ao comportamento imperialista adotado pelos países superdesenvolvidos. Ah, falta dizer que este livro é editado pela Casa Amarela.

Vilões

28 de junho de 2006 0

Ainda da série brincadeiras inúteis: apesar da alta literatura refletir o mundo – ou ao menos tentar – respeitando a complexidade do real, grandes livros, antigos e modernos, ainda se assentam no carisma de um grande vilão, perverso, insidioso e por vezes maniqueísta. Principalmente no que aqui se costuma chamar de literatura infantil – uma distinção que não existe tão claramente nos países de língua inglesa, onde livros para crianças ainda são livros antes de qualquer coisa.

Pensando nisso, a livraria Bloomsbury colocou no ar um site com uma enquete sobre qual o maior vilão da literatura infantil em língua inglesa. Veja aqui.

A lista de indicações já foi previamente definida pelo pessoal que pôs o site no ar, por critérios que eu desconheço, são quarenta nomes que englobam de clássicos a autores contemporâneos e até – aqui alguns puristas vão chiar – quadrinhos.

A página está em inglês, mas a maioria dos vilões indicados são nomes conhecidos nossos. Estão lá Artemis Fowl, o menino gênio do crime, curiosamente um vilão que é protagonista de sua série de livros; o Lobo Mau da história de Chapeuzinho Vermelho; Blofeld, chefe da S.P.E.C.T.R.E das aventuras de James Bond; o Capitão Gancho da peça Peter Pan; o Conde Olaf das Desventuras em Série dos irmãos Baudelaire; o Fagin de Oliver Twist e o inevitável Lord Voldemort dos livros de Harry Potter. Além da Cruella De Vil dos 101 Dálmatas – que toda minha vida eu chamei de Malvina Cruela antes de essa nova versão cinematográfica com a Glenn Close resolver usar o nome original em inglês, lá no fim dos anos 90.

Batem ponto também Magneto, dos X-Men, Lex Luthor, das histórias do Superman, e o insano Coringa, do Batman.

Quem se achar em condições de dar pitaco nesta eleição, confira a lista completa aqui.

A volta da neta do Cuspida

28 de junho de 2006 0

Não ouse reduzi-la ao rótulo de blogueira, que ela vira fera. De qualquer maneira, não dá para ignorar que foi assim a filha de Hique Gomes (o maestro Kraunus Sang de Tangos & Tragédias) virou a escritora Clarah Averbuck. No mesmo estilo umbiguista do começo, a porto-alegrense de 27 anos que é verbete na Wikipédia anda aparecendo de vez em quando em Adiós Lounge. Vale dar uma passada por lá.

Quer entender o título do post? Olha aqui.

Postado por Cássia Zanon

Eu sou você amanhã

27 de junho de 2006 1

Aproveitando que a Larissa tocou no assunto: está saindo pela editora Editora Conrad um livro escrito pelos jornalistas Juliana Calderari e Ivan Finotti em que ambos reúnem uma série de hipóteses sobre o que acontecerá com Harry Potter no final da série. A propósito, quem não leu ainda os livros e quer preservar a surpresa pare de ler este texto agora, senão não me responsabilizo por sua curiosidade frustrante.

O livro O Destino de Harry Potter alinhava, com base numa análise quase detetivesca da trama até aqui, várias teorias possíveis e/ou prováveis para as surpresas preparadas pela autora J.K. Rowling até aqui. A mais delirante, com certeza, é a de que Harry Potter e o falecido Dumbledore (ah, você não tinha lido o sexto livro? Mal aí, mas eu avisei) seriam a mesma pessoa, Dumbledore seria o Harry idoso que voltara no tempo para ajudar a si mesmo contra o maligno Voldemort – ok, viagens no tempo já ocorreram no terceiro livro, mas se eu bem me lembro, havia a impossibilidade clara de quem voltou ao passado ter contato com sua manifestação presente (passada, no caso).

Como qualquer previsão futura sobre uma história que ainda está em produção virará lixo assim que o sétimo e último livro for publicado, os autores também reunem o que se costuma chamar de fanfics: ficções de fãs, histórias paralelas e finais alternativos escritos por leitores da série aproveitando os elementos da obra original. Com o advento da internet, esse tipo de produção (que não se limita a literatura, vejam os milhares de curtas amadores dirigidos por fãs de Guerra nas Estrelas), antes restrita a um círculo de iniciados e a congressos de fãs, ganhou um amplo veículo de divulgação. Harry Potter é um dos personagens com o maior número de fanfics na internet.

Adeus, Harry?

27 de junho de 2006 0

Harry Potter já rendeu a sua criadora, a inglesa J.K. Rowling, um patrimônio estimado em mais de US$ 1 bilhão, uma das mais vultosas fortunas do Reino Unido, segundo a revista Forbes – e agora o bruxinho pode morrer.

A escritora revelou ontem, em um programa de TV em Londres, que o protagonista talvez seja um dos dois personagens condenados ao triste fim no sétimo e último livro da série, que ela ainda está escrevendo. O capítulo final da saga foi escrito em 1990, antes de o primeiro volume ser lançado, e está muito bem escondido.

Postado por Larissa Roso