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24 de julho de 2006 0

Nick Bantock/www.nickbantock.com
Aproveito para responder por aqui mesmo à pergunta que a nossa leitora Lúcia Padilha Mesquita deixou nos seus amáveis comentários. Ela me pergunta se eu já li ou se já ouvi falar dos livros do Nick Bantock, inglês que escreveu e ilustrou a série Griffin e Sabine, uma história contada por meio de cartas trocadas entre os dois personagens principais – com algumas outras pessoas aqui e ali participando da correspondência.

Lúcia, confesso que do Bantock só li mesmo a trilogia de Sabine e Griffin – pra quem não ouviu falar: nos anos 90, quando os três livros foram editados aqui no Brasil pela Marco Zero, ele provocou um certo rebuliço, mais ou menos como hoje provocam os livros de Nick Hornby ou as Desventuras em Série – não que os livros de Bartock tenham qualquer coisa a ver com esses que eu citei, só falei para dar uma idéia da sensação que o livro causou, não do livro em si..

O livro me pareceu uma das experiências mais originais em termos de literatura que já havia visto, e não tanto no âmbito literário, mas na construção do livro, o livro mesmo como obra, e não apenas sua história. A trilogia Griffin & Sabine mostra uma troca de cartas entre um artista gráfico criador de cartões postais (Griffin Moss), residente em Londres, e uma outra artista, residente nas Ilhas Sicmon, no Pacífico (Sabine Strohem), que trabalha na criação de selos. Embora ambos não se conheçam pessoalmente, logo fica claro que eles têm uma série de interessem em comum, gostos, mesmo concepções da arte e de seu papel no mundo muito semelhantes. E é também inevitável que a certa altura da correspondência ambos estejam apaixonados, só restando agora o mistério sobre em que momento vão se encontrar – ou não.

Romances epistolares não chegam a ser uma novidade – Relações Perigosas, por exemplo, escrito por Choderlos de Laclos, ou Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, que são ambos do século 18. já eram romances compostos de cartas – e foi justamente essa antigüidade que, durante um tempo, deixou o gênero com cheiro de mofo. A grande sacada de Bartock ao contar a história de Sabine e Griffin foi que o livro é um romance epistolar composto REALMENTE das cartas que lhe dão forma: cartões postais selados, páginas de cartas, páginas de agendas (algumas das cartas são manuscritas) dentro de envelopes afixados nas páginas – que o leitor precisa abrir para ter acesso ao conteúdo (uma idéia maravilhosa, mas absolutamente trágica para quem é desastrado e pode acabar perdendo as cartas pelo caminho). Há também anotações, bilhetes, notas manuscritas nas bordas dos cartões. 

Postado por Carlos André Moreira

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