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24 de julho de 2006 3

Animal agonizante, novela de Philip Roth/divulgação
Foi uma revolução improvisada de início, a revolução dos anos 60; a vanguarda universitária era minúscula, metade de um por cento, talvez um e meio por cento, mas isso não importava, porque a facção vibrante da sociedade logo foi atrás dela. A cultura é sempre conduzida por sua ponta mais estreita, e no caso das garotas desse campus a liderança era o grupo das Escrachadas de Janie, as pioneiras de uma mudança sexual completamente espontânea. Vinte anos antes, no tempo em que eu era estudante, os campi eram perfeitamente administrados. As normas dos dormitórios. A supervisão inquestionável. A autoridade emanava de uma fonte kafkiana distante – %22a administração%22 –, e a linguagem da administração parecia saída de santo Agostinho. A gente tentava driblar todo esse controle, mas até mais ou menos 1964 praticamente todo mundo que era vigiado respeitava a lei, eram todos membros honrados daquele grupo que Hawthorne denominava %22os que gostam de limites%22. Então ocorreu a explosão contida por tanto tempo, o ataque irreverente aos padrões de normalidade e ao consenso cultural do pós-guerra. Tudo que era inadmistrável irrompeu de súbito, e a transformação irreversível da juventude teve início. (página 48)

 

De O Animal Agonizante, mais recente novela de Philip Roth lançada no Brasil – embora não seja a mais recente publicada por ele nos EUA. Aqui, Roth retoma um de seus personagens menos conhecidos, um professor universitário que transita entre o cínico e o deslumbrado, e disseca com sua habitual prosa clínica sua perdição enquanto se torna obcecado por uma aluna décadas mais nova. Prosa satírica, carregada de um humor que revela o ridículo naquilo que o homem vê costuma ver de mais sagrado e intocável, como o sexo, a família, as instituições.

Postado por Carlos André Moreira

Comentários (3)

  • Lúcia Padilha Mesquita diz: 3 de agosto de 2006

    Alguém disse um dia que, cada vez que se faz uma pausa e sai em férias, na volta, se tropeça nas notícias. É a pura verdade. No retorno, encontro dez ZH, duas Vejas, além de outras leituras atrasadas. Então, só hoje, posso elogiar o belo texto ( matéria de capa) do Caderno Cultura sobre a Paz. Parabéns pelo resumo histório do Conflito.

  • PC, O PC diz: 27 de maio de 2008

    Báh, “os que gostam de limites”… boa frase essa aí. Eu odeio limites. Mas vai explicar isso pro meu broto e pro patrão, como diria Belchior, ha ha ha ahah Tchus…

  • Serjones diz: 28 de junho de 2008

    Estou lendo este livro e achando espetacular. Gostei mto da proposta do seu blog. Um abraço!

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