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Meu nome é Pamuk

17 de outubro de 2006 0

O escritor turco Orhan Pamuk/Tolga Buzoglu/EFE

Vê como são as coisas. Na sua edição deste mês, a revista EntreLivros, uma das mais legais editadas sobre literatura atualmente no Brasil, publicou em suas páginas um artigo traduzido do New York Review of Books sobre Neve, o oitavo romance de Orhan Pamuk, um escritor turco que, quando a revista saiu, poucos de seus leitores provavelmente tinham ouvido falar. O que chamava a atenção era justamente a assinatura de quem fez a resenha: a canadense Margaret Atwood, um dos nomes mais profícuos da prosa em língua inglesa e que teve recentemente republicado pela Rocco sua obra mais conhecida, O Conto da Aia. A própria Atwood é um nome que volta e meia surge nos prognósticos dos vencedores do Nobel e não corro o risco de queimar a língua em afirmar que o nome dela, embora não seja de dimensões populares colossais, é mais conhecido do que o dele.

Neve estava já no prelo para ser lançado pela Companhia das Letras, que também pubicou aqui no Brasil o magistral Meu Nome É Vermelho, um romance histórico lírico, sutil e voraz que põe em discussão uma série inacreditável de aspectos da interação entre Ocidente e Ocidente. Embora passado no século 16, Meu Nome é Vermelho enumera questões que são reconhecíveis ainda hoje, como oposições entre fé e fundamentalismo, como a disussão do papel do artista, de sua importância como criador versus sua inescapável condição de artesão, o trânsito de idéias e estilos entre o Oeste, europeu, e o Leste, muçulmano, ou o exotismo que cada um enxerga na condição do outro.

Neve, que como se disse, já estava prestes a ser lançado pela Companhia, é uma história que também se passa no passado, mas um passado imediato: a década de 1990. Um jornalista turco ocidentalizado, que passou os últimos anos na Alemanha, fica isolado durante uma viagem a uma minúscula aldeia na Turquia para onde viajou com a idéia de escrever um artigo sobre suicídios de jovens muçulmanas que, aparentemente, se matam para protestar contra a proibição oficial de usar o véu. Novamente o olhar de um homem ocidentalizado testemunha o conflito entre a tradição feroz e as inovações ao modos ocidental.

E daí? Daí que se você leu jornal com alguma atenção na última semana, deve se lembrar que Pamuk é o novo laureado pela Academia Sueca com o Prêmio Nobel de Literatura, uma distinção que a já mencionada Margaret Atwood comenta com um elogio emocionado em artigo no jornal inglês Guardian, que você pode ler (em inglês), clicando aqui.

Fica aqui uma palhinha, o primeiro capítulo do texto, traduzido mal e porcamente pelo autor deste post:

Orhan Pamuk, o celebrado romancista turco, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Seria difícil conceber um vencedor mais perfeito para estes nossos tempos catastróficos. Assim como a Turquia está situada na encruzilhada do Leste Muçulmano/Oriente com o Oeste europeu e norte-americano, a obra de Pamuk habita o solo movediço de uma crescentemente perigosa sobreposição cultural e religiosa, na qual ideologias, bem como personalidades, colidem.

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