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Tatata Pimentel fala sobre literatura em Chat

29 de outubro de 2006 1

Professor tecla com internautas/Maíra Kiefer
Logo após o programa Café TVCOM, o professor e jornalista Tatata Pimentel participou de chat do clicRBS na Feira do Livro no final da tarde de sábado.

Pergunta internauta Trju: Tu acompanhas a Feira do Livro desde quando?
Tatata Pimentel: Antes de existir a feira eu já freqüentava de noite o Clube do Comércio na Praça da Alfândega.E me lembro perfeitamente da Feira do Livro quando era uma ruinha apenas.

Pergunta internauta Rafa: Que livros você está pensando em comprar nesta feira do livro?
Tatata Pimentel: Já li muito na minha vida. E hoje freqüento a livraria francesa comprando livros de filosofia ou de literatura. Fui 40 anos professor de francês do Julinho. Estou muito curioso no livro de poesias Bruto, do Thedy Corrêa, que é uma novidade. Compro livro durante o ano inteiro, por isso, não compro tanto na feira.

Pergunta internauta André: Professor, que jovem escritor o senhor destacaria na literatura gaúcha? Quem DEVERIA fazer sucesso nessa Feira?
Tatata Pimentel: O livro de poesias de Ana Motin. Ela assina com outro nome. É a estréia dela. A editora não sei, e o nome do livro não sei, de tão apaixonado que fiquei com o conteúdo do livro. No título tem alguma coisa de cadela.

Pergunta internauta Mexicano: Esse ano marca os 150 anos do nascimento de Freud. O que significou o advento da psicanálise para a produção literária?
Tatata Pimentel: Existe uma crítica psicanalítica que o próprio Freud fez no famoso texto sobre Gradiva, dos poemas do Michelangelo, do parricídio em Dostoiévski. Hoje com a obra de Lacan todos os psicanalistas estão voltados para a literatura.

Pergunta internauta Trju: Você grava diariamente? Vivendo uma vida agitada, como fica o tempo para a leitura?
Tatata Pimentel: Primeiro, durmo o mínimo possível, pois leio depois de Gente da Noite até às 6h da manhã. A minha vida é agitada de trabalho. Vejo muito pouca televisão e não saio de casa para festas.

Pergunta internauta Rafa: Qual livro você não conseguiu ler até o fim?
Tatata Pimentel: Foi o livro do Elias Caneti, Auto-da-fé.

Pergunta do internauta André: O senhor tem lido muita poesia, pelo visto. É seu gênero preferido? Alguma inspiração no Centenário do Quintana?
Tatata Pimentel: Tive o prazer de conversar com Mario Quintana durante os últimos anos da vida dele. Ele me presenteou com vários manuscritos que guardo carinhosamente. A obra completa dele da Editora Aguilar, organizada pela saudosa professora Tânia Carvalhal deveria estar presente em todas as bibliotecas de gente que lê língua portuguesa.

Pergunta internauta gata gostosa tatuada: Qual o melhor livro q você já leu?
Tatata Pimentel: Há um ciclo de romances do autor francês Marcel Proust. À procura do tempo perdido. São sete romances, cada um mais fenomenal que o outro. Já li mais de cinco vezes a coleção completa tanto em português quanto em francês. Isto é obra para ser lida durante toda a vida e tu deves ter bastante tempo para começar a ler Proust, que é muito difícil.

Tatata Pimentel: Retomando a resposta anterior sobre a Ana Motin. O nome é Ana Mariano, com o livro Olhos de Cadela. É o melhor livro de poesia publicado este ano. O mais espantoso é que é o primeiro livro desta moça. Ela e Thedy Corrêa autografam no dia 31, às 19h.

Pergunta internauta Rafa: Qual um livro que você gostaria de ter escrito?
Tatata Pimentel: Nossa senhora das flores, do escritor francês Jean Jenet.

Pergunta internauta trju: Sei que o assunto do chat é a Feira do Livro, me desculpe, mas não posso deixar de perguntar… E amanhã? As eleições? O momento atual que vivemos na política renderia um bom livro? Ou seria daqueles que não conseguimos ler até o final?
Tatata Pimentel: Este livro deve ser escrito para deslendar a situação política do Brasil. Acho que já há vários historiadores segurando a caneta para discutir o caos dos partidos políticos brasileiros e as linhas cruzadas da ideologia.

Pergunta internauta Marcos Sá: Quais seus filósofos favoritos?
Tatata Pimentel:
O meu filósofo favorito é praticamente jovem, é francês, é bonitinho. Chama-se Michel Onfray. Ele está relendo a filosofia de uma maneira muito pessoal. Procura no Google por Michel Onfray e tu vais conhecer a universidade que ele fundou que se chama Universidade Livre de Caen.

Pergunta internauta André: Quais as suas pretensões literárias?
Tatata Pimentel: Sou cronista de duas revistas em Porto Alegre: a Comqually e a Versatille. Escrevo crônicas já há algum tempo para essas revistas. Acho que não passarei da crônica. Para mim, a crônica é um grande gênero, é a rainha do escrito jornalístico ao qual eu pertenço.

Pergunta internauta Everton Rigatti: Como é para o intelectual Tatata Pimentel ter que eventualmente entrevistar para a TV aquelas madames cuja literatura máxima que conseguem ler é Paulo Coelho?
Tatata Pimentel: Paulo Coelho também é leitura. Mas madame não lê Paulo Coelho, elas não lêem absolutamente nada. Existe madame maravilhosamente inteligente. E gente que não lê tem em todas as classes sociais, sexos, religiões e categoria econômica.

Pergunta internauta Rafa: Qual o escritor você mais gostou de entrevistar e por quê?
Tatata Pimentel: Mario Quintana, pela simplicidade e pela amizade. Foi uma das melhores entrevistas da minha vida.

Internauta André: Valeu, professor! Vou conferir o livro da Ana Mariano! Um abraço.

Tatata Pimentel: Leitura ainda é a melhor coisa da vida. Principalmente para um velhinho como eu.

Postado por Maíra Kiefer

Comentários (1)

  • ana mariano diz: 11 de setembro de 2007

    Oi Tatata, não sabia que tinhas falado tão bem de mim assim, por escrito. Já faz um ano, mas busco o tempo perdido para te dizer obrigada, ana

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