Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Duelo das Letras: Cheuiche x Galvani

30 de outubro de 2006 0

Dois patronos – Alcy Cheuiche, o atual, e Walter Galvani, de 2003, deram a largada no Duelo das Letras, chat do clicRBS entre duas personalidades realizado da Praça da Alfândega durante a Feira do Livro. Amigos de longa data, os dois conversaram com internautas sobre processo criativo, jornalismo literário, entre outros temas. Os dois mostraram ter familiaridade com a internet.

 

Pergunta internauta Palhares para Walter Galvani: O texto da Folha da Tarde poderia ser chamado de jornalismo literário?

Walter Galvani fala para Palhares: Em parte, sim. Mas, nem todos os textos, é claro. Mas, conseguíamos fazer grandes matérias, tínhamos um time de repórteres de primeiríssima. Que tinham um texto literáro, criativo, de alta qualidade.

 

Walter Galvani fala para Alcy Cheuiche: Não te preocupa com o teu coração que o doutor Luchese está aqui ao lado no estúdio da TVCOM com a Tânia Carvalho.

Alcy Cheuiche responde para Walter Galvani: Meu coração está feliz como o daquele personagem de Gabriel Garcia Marques em Amor nos tempos do cólera. Fiquei 39 anos apaixonado pela feira do LIVRO E AGORA SOU SEU PATRONO. valeu a pena esperar.

Walter Galvani fala para Alcy Cheuiche: Ora, Alcy, são 52 anos de amor pela Feira. Mas este amor cresceu mais, desde que eu fui patrono (fui não, patrono agora é vitalício…) e então o amor foi ao paroxismo. Reparto a noiva contigo.

 

Internauta Palhares fala para Alcy Cheuiche: O Galvani já te deu as dicas de como o patrono deve agir? Ou ele esconde o jogo?

Alcy Cheuiche responde para Palhares: Ele não esconde nada para ninguém. É uma figura incrível. Mas ser patrono depende muito da vivência literária nesta feira. O patrono deve ser um apaixonado pelos livros e não só pelos seus. Como acho que o Galvani e eu somos.

Alcy Cheuiche: Não tive nenhuma dificuldade (como patrono). Estou muito feliz com a recepção dos usuários da feira. Triste seria se este título fosse contestado.

 

Ju Lessa fala para todos: O que um patrono da Feira faz? Qual a responsabilidade dele?

Walter Galvani fala para Ju Lessa: Um patrono procura estar em tudo. Eu disse em TUDO. TODOS OS ACONTECIMENTOS. Mas, como isso é impossível, a gente procura prestigiar o que dá. Com isso, vai-se à sessões de autógrafos, participa-se de mesas, discute-se de tudo, porque a Feira, agora, trata de tudo. Até de livros e literatura… E o Patrono é uma espécie de Padrinho. Tem que estar em todos os atos que puder. Foi o que tentei fazer em 2003, quando foi a minha vez.

 

Alcy Cheuiche: Vou falar um pouco do Galvani escritor. Se os usuários ainda não leram, devem ler os livros dele todos, em especial Pedro Alvares Cabral, um romace histórico sobre a vida do navegador. Ganhou o Prêmio Casa de Las Américas, um dos mais importantes do mundo. Por isso, a nossa feira tem este prestígio. Temos escritores em Porto Alegre de nível internacional, como o Galvani.

 

Palhares fala para Walter Galvani: E livros, vcs dividem livros?

Walter Galvani fala para Palhares: Não livros, livros não. Nem mulheres, claro. Nós dois amamos as nossas. E, pelo menos é o meu caso, temos medo delas… Agora, quanto aos livros, sou muito ciumento… À bessa. Então, tenho uma coleção imensa de livros e pretendo doá-los… Não cabem mais na minha casa. Minha casa é pequena, mas eles, os livros, são mais de 5.000…

 

Alcy Cheuiche: Conheci o Galvani no Correio do Povo e na Rádio Guaíba. Na verdade, naquele tempo ele era chefe de redação da Folha da tarde, em 1967. Foi quando eu publiquei meu primeiro romance O Gato e a Revolução, que foi lançado na Feira do Livro daquele ano. galvani sempre apoiou a cultura.

 

Palhares fala para Walter Galvani: Agora a bronca é com vc Galvani. O que vc destacaria na obra do Alcy?

Walter Galvani fala para Palhares: Ora, os livros dele são de ótimo nível e mais ou menos num msmo padrão. O %22Sob os céus de Paris%22, a biografia do Santos Dumont, é maravilhoso e nos aproxima muito, porque, como canoense, eu amo os aviões. Eles viviam passando sobre a minha cabeça. Tem uma base aérea e o quartel general do V Comar. Eu própro queria ser aviador. Mas rodei no exame de matemática para a Escola de Cadetes do ar. Fiquei em terra. Sorte dos futuros passageiros…

Alcy Cheuiche responde para Palhares: Galvani e eu sempre convivemos muito bem. Também gosto muito da mulher dele, a Carla, e ele é muito amigo da minha mulher, Maria Berenice e da minha filha Zilah. Temos feito muitos programas juntos de rádio, televisão e hoje, pela primeira vez, estamos conversando neste Chat. Somos companheiros também na Academia Rio-Grandense de Letras.

 

Ju Lessa fala para todos: Como é a transição do jornalismo para a literatura? É um processo automático?

Walter Galvani fala para Ju Lessa: Claro que não, Ju. É preciso estudar e muito. Aprender. Lendo e escrevendo. É o que faço. Mas fazia antes mesmo de iniciar a minha primeira experiência jornalística. Como em qualquer profissão e a literatura, sim é uma profissão, e portanto envolve uma técnica que precisa ser aprendida. Meus mestres são o Assis Brasil, o próprio Alcy e os autores que eu amo, como Dostoiewski ou Tolstoi ( veja que amo os russos). Mas tambem os brasileiros, os jovens, como o Fabrício Carpinejar. Aprendo muito com eles. E com todo o mundo.

 

Alcy Cheuiche: Hoje estou lançando na feira uma Antologia Poética Publicada pelo martins Livreiro. A capa é da primeira foto que me fizeram depois de eleito patrono, junto da estátua do Mario Quintana. Embora seja mais romancista do que poeta, fico feliz em voltar conviver com os leitores que gostam de poemas.

 

Palhares pergunta para todos: Como é o processo criativo de vocês?

Alcy Cheuiche responde para Palhares: Para mim, o computador, acima de tudo, é o meu instrumento de escrever. E como escrever é a coisa mais importante para mim, hoje não posso viver sem ele. Quanto a esta experiência, participei do clicRBS pela primeira vez na feira do Livro do ano passado e achei super interessante.

Walter Galvani fala para Palhares: Meu processo criativo é assim: mergulho no tema, pesquiso, esboço o primeiro lead. Depois o segundo e o terceiro e assim por diante. Depois, o assunto me pega pela mão e me arrasta. Lá adiante volto ao lead. E depoiis leio, releio, reescrevo, emendo.

Alcy Cheuiche responde para Palhares: No romance, começo por escolher um tema que me impressione, principalmente na história. Por exemplo, eu não sabia, há dez anos atrás, que santos dumont já era famoso antes de voar com o 14Bis. isso porque ele dera dirigibilidade aos balões. Conseguira colocar um motor a gasolina sob um balão e fazê-lo voar para onde ele queria. Isso foi uma grande revoluição no ano de 1898. A partir desse fato, e de uma foto de S.Dumont voando em torno da torre Eiffel, comecei a ler tudo o que conseguia a respeito dele e visitar os lugares onde nasceu e viveu. Como morei três anos em Paris, consegui pesquisar em jornais e revistas francesas da época. O personagem é extraordinário. O livro Nos céus de Paris foi o que me deu mais prêmios.

Walter Galvani fala para todos: Não tenho tempo definido para isso ou aquilo, em matéria de literartura. É o tempo que dura, e pronto. Ficção é de um jeito, pesquiisa é de outro, romance histórico ou biogafia é de outro jeito. Mas, texto literário não tem medida. Pode ser curto, longo, sei eu.

 

Alcy Cheuiche responde para todos: Ainda temos treze dias de feira para aproveitar. Venham todos para a Praça da Alfândega. Aqui fazemos história, para depois contarmos no Chat. Abraços a todos! Viva o livro lido!

 

Walter Galvani fala para todos: O livro que eu gostaria de ter escrito? Bah, modéstia aparte, o Hamlet não é mesmo… Que enorme pretensão! Já me contentaria com algum texto maravilhoso e importante, sobretudo importante, do Jean-Paul Sartre. Tipo %22As palavras%22. Porque elas são o meu instrumento de trabalho. E o livro que eu não li todo?:

 

Walter Galvani fala para todos: Bem, o livro que eu não li até o final foi… %22Jean Christophe!%22 do Romain Rolland. Não tive tempo. Era em cinco volumes e menti que tinha lido todo e devolvi para o dono que me havia emprestado. Walter Galvani fala para todos: Fiquei sabendo agora que o Moacyr Scliar também não conseguiu ler o %22Jean Christophe%22. Então estou em boa companhia. Obrigado Moacyr. E obrigado a todos que conversaram conosco aqui. Um abração. Walter Galvani.

Postado por Maíra Kiefer

Envie seu Comentário