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Um trecho para Hoje

31 de outubro de 2006 1

Capa de Olhos de Cadela/Divulgação
Semáforo

A menina, no amarelo
expõe a pele pagã
Pele dura, pele pobre
pobre pele dura e preta
pequena,
quase escondida
na caixa de papelão.

No vermelho, ela espalha,
devagar, seus olhos brancos
no branco dos olhos meus.
Olhos baços, olhos brandos,
velhos olhos de batalha.

No verde, a menina brinca
sem pressa, vestitidinho de algodão.
Carros buzinam, insistentes.
São dinossauros distantes
tanques de guerra, ilusão
que vidros escuros resguardam
dos que passam, dela não.

O poema acima está no livro Olhos de Cadela, da estreante Ana Mariano, publicado este mês mesmo, pela L&PM. Uma poesia que, sem medo de tematizar o sentimento, se apropria de elementos clássicos com os quais tece reflexões dolorosas sobre a conteporaneidade, fazendo de seus versos nos quais a memória é um fator indispensável uma ponte entre o hoje e o clássico. Ah, sim, é o livro sobre o qual o jornalista e professor Tatata Pimentel fala numa das respostas de seu site, um livro que ele não se lembrava do nome. Ana Mariano – pseudônimo de Ana Motin – autografa às 19h30min de hoje na Praça dos Autógrafos.

Postado por Carlos André Moreira

Comentários (1)

  • ana mariano diz: 11 de setembro de 2007

    Oi André, estou um ano atrasada para te dizer obrigada. Mas acho que, ao contrário de nós, obrigados não envelhecem. Um beijo, ana

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