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Um vampiro, um lobisomem, um saci-pererê

31 de outubro de 2006 0

Pererê e seu amigo Tininim, no traço de Ziraldo
Como espero que vocês tenham lido na capa de hoje do caderno da Feira, o dia que hoje na cabeça da gurizada já é associado incontornavelmente com o Halloween, a festa das Bruxas norte-americana, pode vir a ser transformado por lei em %22Dia do Saci%22 – como já é em São Paulo, aliás. Fomos à praça para ver o que o pessoal lá achava disso, mas aqui no espaço do blogue reservei algumas linhas para falar sobre a origem do Saci, um mito brasileiro que surgiu entre os guaranis, possivelmente no final do século 18, adaptado de um pássaro que, segundo informa o grande pesquisador da cultura nacional Luís da Câmara Cascudo, tem origem em uma ave que os indígenas chamavam de Yasi Yateré, mais tarde batizado de Matiaperê, uma ave de penugem preta com uma crista vermelha na cabeça, que, ao cantar, parece enganar os caçadores justamente por seu canto se projetar de modo tão exótico que os predadores seguem o som vindo de um lado quando o pássaro está de outro. Como o pássaro também parava no galho em um pé só, a lenda indígena contava que a forma de pássaro era o disfarce de um curumim travesso que protegia as matas enganando os caçadores.Um personagem que vez por outra se confundia com o próprio Curupira, aquele que tem os pés virados ao contrário para confundir o perseguidor.

Com a chegada dos portugueses e a adoção da escravidão negra, muitas histórias populares foram transmitidas às crianças pelas negras mucamas que cuidavam dos filhos dos senhores. Nesse processo de transmissão oral, o curumim virou um negrinho de uma perna só, usando barrete vermelho e pitando um cachimbo. Às noites, o Saci, agora já definitivamente mais próximo do que seria um %22duende%22 brasileiro, sai para dar nós nas crinas dos cavalos e confundir os passos dos viajantes que atravessam as matas. O Saci mora no meio de um redemoinho, não atravessa córregos e pode ser capturado usando-se uma peneira com uma cruz marcada no fundo da tela. Outra lenda diz que se alguém passar a mão em sua carapuça poderá exigir um desejo da arteira entidade.

Além de uma rica tradição de nosso folclore, o Saci agora é um símbolo – e não apenas do Internacional, que o têm como seu torcedor-símbolo. Por sua popularidade, em grande parte devida a Monteiro Lobato e seu Sítio do Picapau Amarelo, o Saci é um mito nacional identificável de norte a Sul.

– Acho que é o símbolo perfeito da identidade nacional – diz o cartunista Ziraldo, autor das populares histórias em quadrinhos da Turma do Pererê nos anos 60.

Acredite, existe até a Sociedade de Observadores de Sacis, a SOSACI, que, em sua página na rede (http://www.sosaci.org) enumera versões da lenda, os projetos de leis pelo Brasil afora que tentam instituir o Dia do Saci no dia 31 de outubro, e até casos curiosos de avistamentos de Saci.

Postado por Carlos André Moreira

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