
Saiu esta semana lá nos Isteites o novo romance de Thomas Pynchon, um dos mais esquivos autores norte-americanos, um dos mais paranóicos e autor de alguns dos melhores títulos de livros de todos os tempos, como o clássico Arco-Íris da Gravidade e este seu mais recente romance: Against the Day.
Um breve prâmbulo para quem não tem idéia do que estou falando: Pynchon não dá entrevistas, as fotos conhecidas dele datam dos anos 50, quando estava alistado na marinha, e ele também não badala em sessões de autógrafos. Ele é um daqueles escritores ermitões no melhor estilo J.D. Salinger, nos Estados Unidos, e Dalton Trevisan, no Brasil. Salinger e Pynchon, a propósito, protagonizam uma das mais bizarras lendas da boataria literária. Quem privou da intimidade de Salinger, como uma ex-namorada e uma filha dele, garante que, embora o autor tenha se recolhido e nunca mais publicado nada nos anos 60, ele continua escrevendo. Isso fomentou a boatariq de que ele na verdade havia apenas assumido o pseudônimo do inexistente Pynchon. Famoso por suas tramas densas e no limite da paranóia, Pynchon publicou seu primeiro romance, V, em 1963, o mesmo ano em que Salinger lançou seu último livro, o que só ajuda os boateiros. A última aparição pública, ou quase, de Pynchon, foi em 2004, quando participou como personagem de um episódio da 15ª temporada de Os Simpsons. Seu personagem era vivido por um escritor com o rosto escondido dentro de um saco de papelão. Foi a única vez em décadas que o escritor autorizou o uso de seu nome em uma produção televisiva.
Pronto, sabendo quem é Pynchon, agora podemos comentar por que o lançamento de um de seus livros é considerado um acontecimento. O sujeito é considerado um dos grandes nomes americanos da prosa contemporânea, e seu livro foi recebido lá fora com as doses generosas de amor e ódio que um nome desse porte desperta.
O crítico Steven Moore, do Washington Post, por exemplo, assim define o livro: Talvez não seja para todos, mas aqueles que embarcarem a bordo da aeronave de Pynchon terão a viagem de suas vidas. Aula de história, jornada mística, sonho utópico, metaficção experimental, meodrama marxista, comédia dos Irmãos Marx, – Against the Day é tudo isso e mais.
Já Michiko Kakutani, do New York Times, chuta o balde com uma crítica que muitos, (eu, inclusive), usaram recentemente para os novos livros de Rubem Fonseca e Dalton Trevisan: O novo romance de Thomas Pynchon, Against the Day, soa como o tipo de imitação que um obstinado mas canhestro fã do autor poderia ter escrito chapado de quaaludes [anfetaminas muito populares nos anos 70].
A história, no meio de várias referências, centra-se em um mineiro transformado em anarquista terrorista (em inglês eles não têm esse problema de rima com essa expressão) que é assassinado por pistoleiros contratados e dos esforços de vingança de sua família. Isso é uma linha muito fina sobre a qual se empilham dezenas de tramas paralelas. O livro ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.
Postado por Carlos André Moreira








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