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Begley aqui e lá

13 de janeiro de 2007 0

Capa de Naufrágio/Divulgação
Nascido na Polônia, mas com todos os méritos um autor norte-americano, o veterano Louis Begley tem lançado no Brasil outro de seus romances ao mesmo tempo em que sai nos Estados Unidos sua mais recente narrativa longa. Para quem não ligou o nome à pessoa, Begley é autor dos dois livros com o personagem Schmidt, transposto para o cinema com Jack Nicholson no papel principal – embora a riqueza que o personagem apresenta nos romances Sobre Schimidt e Schmidt Libertado tenha se perdido na tela grande.

Mas Begley é autor de uma obra consistente que não se resume apenas a Schmidt, especialmente O Olhar de Max e Despedida em Veneza. Agora sai por aqui outro de sus romances que vão nessa linha, a de mapear a angústia das relações modernas usando pitadas distorcidas de gêneros consagrados. Assim como o desenvolvimento errático de Schmidt flutua entre a melancolia e a comédia amarga, seu novo romance publicado no Brasil, Naufrágio (Companhia das Letras, 240 páginas, R$ 42,50), flerta com o thriller misturado a sexo e ao personagem mais ou menos recorrente na ficção americana atual: o escritor, personagem que serve como desculpa para que autores como John Updike, Philip Roth, Paul Auster e outros com menor cancha teçam suas próprias opiniões sobre o mundo, a literatura e o mercado literário.

O personagem principal de Naufrágio é também ele um escritor, John North, em visita à França para uma série de entrevistas promocionais de seu romance mais recente. Seguem-se as perguntas e respostas padrão, retratadas com humor e um sarcasmo que eu particularmente acho engraçado, mas não sei se tem um apelo tão grande para o leitor que não é crítico, escritor ou profissional ligado a esse mercado de alguma forma. Fica aqui a minha dúvida e abro espaço para manifestações. Agora, voltando: North concede uma entrevista a uma charmosa jornalista francesa da Vogue, Léa Morini, e do papo surge a identificação, da identificação o flerte, do flerte uma aventura sexual consumada. O problema é que North é casado e não tem a intenção de se divorciar da esposa, uma médica e pesquisadora conceituada. A aventura, contudo, o deixa nas mãos de Léa, e o caso de uma noite se transforma em armadilha.

Nada, como se vê, que não se tenha visto antes. O que salva o livro de seu mais-do-mesmo é o domínio narrativo e técnico de Begley, capaz de alternar na história em primeira pessoa a elegância e o desespero de North, encalacrado na teia chantagista de Léa.

Já nos Estados Unidos, Begley publicou este mês seu romance mais recente em inglês: Masters of Honor, um relato sobre três jovens amigos estudantes de Harvard. Tem dividido opiniões. Alguns, como o crítico do New York Times Michiko Kakutani (imagino que seja uma crítica, com esse nome), reclamam que o novo livro não parece o melhor de Begley, não tem suas melhores qualidades e parece tert emulado as piores da autora Mary McCarthy. Também deve ser lançado em breve por aqui pela Companhia.

Postado por Carlos André Moreira

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