Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

O nome dele é... bem, você sabe

22 de janeiro de 2007 4

Agora que o filme já fez milhões de bilheteria e consolidou o orelhudo brucutu Daniel Craig como o novo James Bond, pode ser o momento de dar uma conferida didática em quantas mudanças são necessárias no momento de adaptar a trama de um livro (ainda que repleta de ação) para o período curto de um longa-metragem.

Aproveitando a onda em volta da nova produção da série de filmes do 007, a Record lança no Brasil uma nova tradução do filme que foi levado às telas, Cassino Royale (ou melhor, que foi em parte levado às telas, já que as alterações são significativas e eficientes, como veremos daqui a pouco). A edição anterior de Cassino Royale por aqui era da gaúcha L&PM.

Assim como o filme está sendo apresentado como a origem do agente, antes das marcas consolidadas que hoje são sinônimo da série, como as traquitanas tecnológicas, o supervilão com um plano normalmente ridículo para dominar o mundo e o martini, mexido, mas não batido, o livro é também o primeiro da série, ou seja, aquele no qual o autor, Ian Fleming, estava apenas exercitando a fórmula que mais tarde reprisaria nas aventuras do agente britânico.

No livro Cassino Royale (Record, 210 páginas, R$ 29,90), Bond, exatamente como no filme, é um jovem recém-promovido, impetuoso, muitas vezes descuidado, um agente em formação que cai nas mãos do inimigo em uma cena de tortura particularmente violenta (e reproduzida a contento no filme com algumas alterações, não substanciais). Um espião russo chamado Le Chiffre, um gordo cruel e impiedoso que chora sangue devido a um ferimento que afetou seu canal lacrimal, é um espião russo que precisa ser tirado do jogo (real e metaforicamente), algo que só será possível se Bond derrotá-lo numa rodada de Bacarat nas mesas do Cassino Royale, em Royale-Les-Eaux, em Montecarlo – algo, que a exemplo do filme, com muitas tribulações, Bond realmente acabará fazendo, apenas para descobrir que a conspiração que buscava debelar estendia-se inesperadamente muito além de Le Chiffre.

Na atualização para o filme, necessária numa época em que espiões russos mais devem ter medo de seu presidente do que propriamente meter medo em alguém, os roteiristas de Cassino Royale (um deles o oscarizado diretor de Crash, Paul Haggis) foram felizes em retirar de cena o espião “do outro lado”, cria da maniqueísta Guerra Fria, e transformar Le Chiffre em um banqueiro internacional de terroristas, um personagem fruto desta complexa realidade pós-11 de setembro. Uma alteração que dá mais substância às ações do personagem, ele próprio em perigo depois de perder graças a uma intervenção de Bond milhões depositados por revolucionários milicianos africanos – milhões obtidos do tráfico internacional de diamantes, o que estabelece um sutil e surreal ponto de contato entre Cassino Royale, Diamante de Sangue e outro filme que passou há pouco tempo nos cinema nacionais, O Senhor das Armas.

O estilo de Fleming é aquela escrita funcional de best-sellers: ênfase na descrição, frases em ordem direta sucedendo-se umas às outras e o máximo de elaboração formal são metáforas cruas e vez por outra, referindo-se normalmente a objetos concretos, não abstratos.. É uma prosa quase de relatório, um estilo que se ajusta ao tipo de romance ao qual os livros de Bond se filiam.

Comentários (4)

  • Vitor Hugo Rinter diz: 22 de janeiro de 2007

    Ainda não vi, mas certamente verei o novo filme do Bond. Foi bom ler a crítica do Carlos A. Moreira. O cara (Craig), tirante suas orelhas, acredito que possa, quem sabe, dar nova vida a esse personagem que foi um dos meus prediletos, quando ainda na minha mocidade, vi sua estréia na pele do grande Connery em Dr. No, no cine Cacique (ah! que saudades dos bons cinemas da rua da Praia nos idos anos 60…). Um Bond mais “marginal”, sem culpas, típico dos nossos tempos, sem aquela pinta de galã?

  • Paula diz: 22 de janeiro de 2007

    Tb achei ele orelhudo!

  • Samir diz: 4 de junho de 2012

    Gosto tanto do filme quanto do livro, também não achei as alterações significativas. Mas discordo numa coisa: o modo “relatório” do Fleming escrever pode ter sido o pai do estilo best-seller, mas ele tem um apego à descrições e a momentos anticlimax que a meu ver, deixam ele num nivel superior de caracterização e ambientação.
    E a referência a diamantes no filme, embora eu tenha pensado também no Diamante de Sangue na época, acho agora que foi uma piscada de olho pro Os Diamantes são Eternos, o livro no caso, que foca uma boa parte do começo no tráfico de diamantes africanos.

Envie seu Comentário