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Impressões de primeira leitura

31 de janeiro de 2007 0

Sem juízo de valor nesta afirmação, mas Sidney Sheldon sempre foi um autor muito popular entre mulheres (sem falar no fato de que muitas de suas histórias são protagonizadas por heroínas, no que eu poderia qualificar como efeito tostines: era popular entre mulheres porque sua personagem era mulher ou criava mulheres como protagonistas porque sabia que seu público era composto, na maioria, por mulheres?) Sheldon, muitas vezes, representava a versão mais requintada (e com exemplares mais caros) da chamada %22literatura de verão%22 do trio Júlia, Sabrina e Bianca: livros rápidos, empolgantes, românticos (os dele tinham mais sexo, muito mais sexo) e geralmente lidos na praia ou nas férias (ou nas férias na praia, tanto faz). E o que pôde ser comprovado assim que chegou aqui na redação a notícia da morte dele é que ele e sua obra repousavam como uma memória afetiva simpática nos corações e mentes de muitas de minhas colegas de redação. Pedi a algumas delas, mas que considero leitoras qualificadas e de comprovados dotes intelectuais, que me fizessem o favor de partilhar em breves linhas uma lembrança de suas leituras de Sidney Sheldon. A maioria não me respondeu, o que comprova que meu cacife anda baixo, mas reproduzo agora testemunhos que recebi de três colegas, que, inadvertidamente, meio sinalizam com uma comprovação de toda a teorização que eu fiz neste texto: a sensualidade como uma das características marcantes de Sheldon, sua presença como literatura de praia e seu caráter de livro que, ao ser lido com prazer, pode sedimentar um hábito e abrir caminhos para coisas mais profundas (a moça do segundo depoimento recentemente terminou uma pós-graduação em literatura portuguesa, o que comprova que seu prazer de leitura não se esgotou quando ela deixou os best-sellers pela literatura mais elaborada):

%22Num verão, peguei um exemplar de um livro de Sidney Sheldon do qual não lembro o nome. Tinha 12 anos, talvez não devesse estar lendo aquele livro, mas o peguei das estantes do apartamento da praia. Fiquei chocada quando deparei com um trecho em que uma oriental faz uma banana split com o pênis do seu amante. Com três bolas de sorvete. Naquele verão, não comi mais banana split. Só sundae.%22 (M.)

%22O primeiro livro %22adulto%22 que li foi a Outra Face. Isso aconteceu no verão de 1991, quando eu tinha lá os meus 13 anos. Do enredo, pouco me lembro, sei que não dormi antes de acabar o livro, fiquei acordada até quase de manhã, empolgada com a história. Lembro também que a linguagem era muito mais dinâmica e direta do que eu estava acostumada. O segundo do Sheldon que li foi o O Outro Lado da Meia-Noite, e até hoje lembro da cena em que a Catherine, depois de ser abandonada pelo namorado, descobre estar grávida e, sadicamente, espera o feto se desenvolver para fazer o aborto, usando o gancho de um cabide. Adorava a forma como ele descrevia as cenas, principalmente de sexo, costumavam ser ricas em detalhes. Eu me sentia muito adulta lendo esse tipo de livro, tanto que nessa mesma época, li vários outros títulos dele (e de outros autores de best-sellers do gênero). Foi um verão inesquecível%22. (P.)

Na casa de praia da minha família, nunca faltaram Agathas Christies e Sidneys Sheldons nas estantes para preencher as noites insones de quando eu era feliz e não sabia, passando três meses por ano lá. Mas só fui colocar as mãos num livro do segundo depois de ter sido fisgada por uma minissérie que passou na Globo naquele final de anos 1980. Era Se Houver Amanhã, e Tracy Whitney de repente virou a mulher que todas as meninas gostariam de ser quando crescessem. Ler o livro umas três vezes seguidas naquele verão serviu de cola para que duas cenas grudassem no meu cérebro até hoje: a Madolyn Smith sacudindo o longo e sedoso cabelo negro, com uma roupa colada e também negra, enquanto roubava diamantes em algum lugar do mundo, e antes, quando ela se prepara para fugir da prisão e acaba se jogando em uma represa, lago, sei lá, para salvar a filha do diretor do presídio. (M.) 

Postado por Carlos André Moreira

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