
Se o download de música pela rede se tornou o grande pesadelo das gravadoras, ainda não se pode dizer que um processo semelhante está acontecendo com os livros. Em parte porque copiar um CD para o seu computador leva no máximo quatro minutos, e depois disso alguém pode ter acesso a ele com um desses E-mule da vida, que não deve levar mais do que uma hora instalando, e isso se a sua internet é uma droga. Embora o aparelho de escaneamento exista há tanto ou mais tempo do que a tecnologia de conversão de sons para o computador, ainda é um processo folha por folha, e não temos tantos abnegados por aí dispostos a pôr na rede as 900 páginas do último livro do Thomas Pynchon (se ainda fosse a Playboy da Flávia Alessandra, aposto que haveria mais voluntários).
Até por gozarem desse terreno ainda não conflagrado, editoras lá fora começaram a se mexer para que o panorama não fique completamente imprevisível, como no caso das músicas. Como já há mais de um site que funciona como uma espécie de google de livros, como o A9, o Google Book Search e o da Amazon, as editoras estão começando a colocar no ar ferramentas de busca que permitem a alguém procurar uma %22provinha%22 de um livro de seu catálogo.
A editora Random House, por exemplo, pôs esta semana em atividade no seu site oficial (www.randomhouse.com) apresentou em seu web site uma ferramenta de busca que torna disponível trechos de 5 mil títulos, entre obras novas e de catálogo. O que a pesquisa apresenta como resultado para cada livro é o equivalente a 10% do número total de páginas – ou seja, quase sempre é só a capa, a introdução e o primeiro capítulo. A casa promete adicionar durante os próximos três meses milhares de novos títulos. Ainda não é possível pesquisar em todo o catálogo nem fazer uma busca geral, só funciona quando aparece no site da editora em cima de uma das obras o selo %22browse & search%22 (só pra lembrar para quem não se deu conta, os livros estão em inglês, e portanto os trechos também). A Random House é a editora, entre outros, do prêmio Nobel do ano passado, Orhan Pamuk, da hiperglicosada autora de best-sellers Danielle Steel e do escritor de thrillers %22quero-ser-Dan-Brown%22 Steve Berry.
É a segunda iniciativa do gênero que parte de uma grande editora só neste mês. Na semana passada uma ferramenta semelhante já havia sido posta em funcionamento no site oficial da HarperCollins (www.harpercollins.com), a editora gringa das obras de Paulo Coelho e Isabel Allende. A HarperCollins também publica, entre outros, Jonathan Safran Foer e Joyce Carol Oates.
Postado por Carlos André Moreira






"Sou agora o que você lembrar, o que você me disser. Sua memória será minha única forma de existir, até que eu me transforme em um pequeno ponto final, que desconhece o parágrafo que havia antes."





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