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Posts de março 2007

O último Harry Potter já tem capa

28 de março de 2007 0

Capa da edição britânica/Divulgação/AP Photo
A capa de %22Harry Potter and the Deathly Hallows%22, sétimo e último volume da saga do bruxinho Harry Potter, escrita pela britânica JK Rowling, foi divulgada nesta quarta-feira, na Grã-Bretanha. O livro será lançado em 21 de julho no país. A foto ao lado mostra a capa da edição britânica. Também foram lançadas outras duas versões da capa: a edição norte-americana e a edição britânica adulta (veja abaixo).

De acordo com o site G1, no Brasil, a nova aventura do aprendiz de feiticeiro deve se chamar %22Harry Potter e as Insígnias Mortais%22 e está prometida para lançamento em português antes do Natal.

O livros da série já venderam, entre os seis primeiros volumes, mais de 325 milhões de cópias em todo o mundo, em 64 idiomas diferentes.

A capa da edição norte-americana

A capa da edição britânica adulta

Veja a foto ampliada da capa britânica

Postado por Isabela Vieira

Tribunal diz que O Código da Vinci não é plágio

28 de março de 2007 2

Tom Hanks e Audrey Tautou em cena do filme/Divulgação
O Tribunal de Apelação de Londres decidiu hoje que o escritor norte-americano Dan Brown não cometeu um plágio ao escrever o romance O Código da Vinci, livro que virou filme e que (quase) todo mundo leu ou viu.

O tribunal rejeitou um recurso apresentado por dois dos três autores do livro The Holy Blood and the Holy Grail, de 1982, Michael Baigent e Richard Leigh. Eles argumentavam que o autor havia baseado seu romance em suas pesquisas.

Como perderam o recurso, os dois autores deverão pagar o custo do processo, estimado em 600 mil libras (ou € 900 mil), que se somam às despesas do julgamento anterior, de quase 3 milhões de libras. Isso é muito, mas muuuuuito dinheiro!

Conforme a agência EFE, Baigent e Leigh expressaram hoje sua decepção com a decisão da Justiça e asseguraram que não apresentaram o recurso como parte de uma %22conspiração de relações públicas%22, mas para proteger sua obra, que foi %22um trabalho de amor%22.

Os autores dizem que o grosso da trama do romance de Brown se baseia nas teses que eles defendem em seu livro, que estão protegidas pelos direitos autorais.

As duas obras afirmam que Jesus Cristo sobreviveu à crucificação e se casou com Maria Madalena, com quem teve um filho cuja descendência continua até os dias de hoje, protegida por uma ordem secreta denominada Priorado de Sião.

Postado por Danilo

O Negocismo do Iluminócio

24 de março de 2007 2

Robert Darnton no Fronteiras do Pensamento. Foto: Marcos Nagelstein, ZH

No caderno de Cultura desta semana temos uma entrevista exclusiva com o historiador Robert Darnton, 68 anos, um escritor de livros sobre livros.A obra que
consolidou seu prestígio acadêmico como um pioneiro na história do livro – não como literatura mas como produto – foi O Iluminismo como Negócio (1979), um ambicioso e magistral retrato da empreitada intelectual dos filósofos franceses que organizaram a Enciclopédia.Darnton esmiuça o processo de organização, de encomenda de artigos, as progressivas edições, os lucros produzidos pela obra e até esboça um perfil do público leitor da primeira edição do mais ambicioso projeto literário do Iluminismo.

Embora declare a obra do sociólogo francês Pierre Bourdieu como fundamental para seu próprio trabalho,Darnton prosseguiu com lançamentos que se aprofundavam mais no aspecto histórico e menos nas representações de ideologia. Seus textos recriam o século 18, buscando aspectos como a disseminação das obras iluministas como agentes fomentadores de revolta, e retratam as elites e os camponeses. Darnton vem a Porto Alegre na próxima semana para uma palestra no seminário Fronteiras do Pensamento, promovido pela Copesul Cultural. No dia 27, às 19h30min, no Salão de Atos da UFRGS, ele fala sobre os assuntos que mais o tem ocupado ao longo de uma profícua carreira acadêmica: Voltaire, Rousseau e Nós, traçando os fios que ainda nos ligam aos ideais do Iluminismo.

Como sempre acontece quando temos um material muito bom que não pôde ser usado por questões de espaço, remetemos para este blogue a íntegra. Conversei com Darnton por telefone numa tarde de sexta-feira, ainda na semana retrasada, no meio de uma redação barulhenta (usamos uma salinha de entrevistas envidraçada, normalmente, mas estava ocupada no dia). A ligação estava meio assim… mas felizmente a gravação ficou perfeita, o que facilitou a transcrição da fita (e sua tradução, obviamente). Aproveitem, crianças.

Cultura – O senhor poderia contar como surgiu seu interesse pelo Iluminismo?
Robert Darnton –
Bem, deixe ver. Nos Estados Unidos,  nós temos algo como uma Religião Cívica. Quando você é criança, você jura lealdade à bandeira, memoriza as palavras da Declaração da Independência, estuda a Constituição, tem aulas sobre o pensamento de Thomas Jefferson e James Madison. Muitas crianças norte-americanas adquirem muito cedo uma visão nacional das idéias do Iluminismo. Quando garoto, sempre me impressionava com a famosa frase da Declaração da Independência dos Estados Unidos: “Vida, liberdade e busca pela felicidade”. Eu não sabia o que essa “busca pela felicidade” significava. Depois disso, em minhas pesquisas e leituras, fui descobrindo que a “busca pela felicidade” era uma nova orientação para o mundo, uma concepção de que nós temos o direito a coisas boas em nossa vida, agora e aqui, na Terra, e não na vida eterna. Esse direito pode envolver serviços fundamentais que nos são assegurados, como assistência previdenciária, salário mínimo e outros princípios necessários para construir um “estado de bem-estar”. Então, isso está muito distante da idéia original de felicidade que eu, com minha mente simples, imaginava quando criança. Como muitos cidadãos dos Estados Unidos, eu tinha um entendimento pueril do pano de fundo da História da América, e, quando isso se tornou um objeto real de estudo para mim, o tema ganhou novas formas. Uma é a tradição dos direitos civis e garantias fundamentais – e há uma série de exemplos disso nos debates políticos dos Estados Unidos e de outros lugares. Outra tradição é o direito de resistir à opressão. Por exemplo, estive em Berlim em 1989, quando o Muro caiu, e gastei lá muito tempo e esforço entrevistando pessoas, tentando entender o colapso do Império Soviético. Fiquei muito impressionado com o fato de que as pessoas usavam a noção de direito natural para justificar a oposição ao regime absolutista da Alemanha Oriental. Eu costumava ir às passeatas em Leipzig e em Halle, e as pessoas carregavam cartazes nos quais se podia reconhecer o Iluminismo como modelo: “Liberdade e busca por felicidade”. Outro cartaz dizia: “1789/1989”. Ou seja, as pessoas estavam inspiradas pela herança revolucionária do século 18. Você poderia dizer, e eu sei que essa foi uma resposta longa para a sua pergunta, que eu descobri que algo que conheci de forma pueril quando garoto permanece de grande relevância no mundo em que vivo como adulto.

Cultura – Que fios ligam o discurso conservador do governo George W.Bush ao discurso dos chamados pais da pátria americana, de declarada inspiração iluminista?
Darnton –
Acho que Thomas Jefferson foi mais radical do que George W. Bush. Eu, particularmente, suspeito que se os cidadãos dos Estados Unidos tivessem que votar hoje a Declaração de Direitos, eles votariam contra, por ser tão radical. Por outro lado, a separação entre Igreja e Estado, que era fundamental no modo de pensar de Jefferson, é o extremo oposto da infiltração religiosa que George W.Bush e os integrantes de seu governo estão praticando hoje. Eles favorecem a religião em sua política e usam suas convicções religiosas para se opor a demandas sociais como o aborto ou alguns tipos de pesquisas. Sinto que a administração Bush está  promovendo uma espécie de reação contra o Iluminismo.

Cultura – Que razões o senhor vê para essa reação, ainda mais em um momento em que vemos crescer de novo os fundamentalismos religiosos, tanto nos Estados Unidos quanto no Oriente Médio?
Darnton –
Não tenho uma boa resposta para isso. Quando olho para a História dos Estados Unidos no século 18, tanto antes quanto depois da Revolução Americana, vejo grandes exemplos de fundamentalismo religioso. Houve algo chamado “O Grande Despertar“, um movimento fundamentalista passional que existia na mesma época da filosofia de Jefferson, James Madison e Benjamin Franklin, e você tinha essas duas visões de realidade que competiam, uma profundamente religiosa e baseada na Bíblia e outra baseada na convicção nas leis naturais, na importância de criar um Estado secular. Ou seja, é possível dizer que Bush e os outros fundamentalistas apelam àqueles outros aspectos da história cultural americana que sempre estiveram presentes. Em alguns casos, esses aspectos foram uma força para o bem, como no caso da campanha anti-escravagista. Mas agora, no meu ponto de vista, não é mais uma força benéfica. É um perigo.

Cultura – Após os ataques de 11 de Setembro, o governo Bush declarou que a América estava em guerra e que qualquer crítica à política governamental era antipatriótica. Com a invasão do Iraque e os problemas subseqüentes, há hoje uma maior disposição à crítica?
Darnton
– Exatamente. Também temos aqui pesquisas de opinião pública, como vocês no Brasil, e nunca a aprovação do presidente Bush esteve tão baixa. Depois das últimas eleições parlamentares, em novembro, ficou claro que a maioria da população norte-americana se opõe à política de Bush no Iraque e em outros lugares. Mas levou um longo tempo para que a maioria ficasse informada e se mobilizasse contra o governo. O que aconteceu? Acho que percebemos, pouco a pouco, que o governo Bush havia deturpado a situação no Iraque, e o povo americano foi levado, pela noção corrompida apresentada pelo governo, a acreditar na existência de armas de destruição em massa no Iraque para justificar a invasão americana. A invasão de um país estrangeiro é uma coisa muito séria. Acho ultrajante que os Estados Unidos tenham invadido o Iraque movidos por premissas falsas. E não estou sozinho, eu diria que hoje a maioria dos cidadãos dos Estados Unidos compartilha desse ponto de vista. Você poderia perguntar: “Como isso aconteceu?”. Parte da resposta é que temos uma imprensa livre. A primeira emenda da Constituição americana, no começo da Declaração de Direitos, garante a liberdade de imprensa. E outra vez voltamos aos princípios do Iluminismo: o povo tem direito à informação, e o governo não tem o direito de suprimir a informação. A imprensa fez o seu trabalho, um pouco lentamente, acredito, mas foi crucial para esse retrocesso nos abusos de poder cometidos pela administração Bush. Podemos dizer que há um ingrediente iluminista nessa reação.

Cultura – Em que medida podemos apelar para o Iluminismo para entender o mundo de hoje?
Darnton –
Uma idéia central do Iluminismo é expressa em um lema que diz: “Ouse saber”. Ousadia envolve idéias desafiadoras, e eu acho que há hoje nos Estados Unidos muito conformismo intelectual. As pessoas deveriam ter a ousadia de criticar o governo, deveriam criticar a autoridade, deveriam pensar por si mesmas e, então, fazendo isso, direcionar essa crítica contra a pobreza de qualquer natureza. Para qualquer país, acredito, se você pega os princípios de Condorcet ou Rousseau ou outros filósofos do Iluminismo, você tem uma base para protestar contra a injustiça. O que me impressiona em Voltaire é a sua paixão por corrigir abusos. Não é apenas a sua ironia.Voltaire, quando já era um homem velho, permanecia lutando, opondo-se à perseguição contra os protestantes na França, defendendo a tolerância religiosa.

Cultura – A qual texto iluminista o senhor sempre retorna? Por quê?
Darnton –
Na verdade, vou discutir isso em minha conferência em Porto Alegre. Um dos melhores textos, que qualquer estudante de Ensino Médio pode ler, é o Cândido, de Voltaire. Eu o leio todos os anos, eu dou aulas sobre ele para os meus estudantes em Princeton. Sempre pergunto qual o sentido da última frase desse romance, que provavelmente é a mais famosa última frase da literatura francesa: “Precisamos cultivar nosso jardim”. O que isso significa? Às vezes, os estudantes dizem que o sentido é o de retiro: você se recolhe em algum mundo privado onde você pode controlar as coisas e ser feliz sozinho. Mas eu acho que significa o oposto. Cultivar, em francês naturalmente, tem o significado agrário de “cultivo”, é o sentido literal, mas há ainda um sentido figurativo que significa “tornar-se culto”, participar do mundo cultural à sua volta. E era isso que Voltaire estava fazendo em seus últimos dias, quando estava escrevendo seus panfletos sobre o caso Calais, sobre injustiças em geral, tentando incitar a opinião pública a pensar por si mesma e a questionar a autoridade. E isso também envolve “cultivar”em um sentido de educação, razão, tolerância etc. Cândido é o exemplo de uma história à qual todos podem desfrutar e achar interessante, mas também de um desafio: como interpretar e alcançar o sentido do que Voltaire estava fazendo em seus últimos dias.

Cultura – O senhor diz que o historiador é alguém que brinca de ser Deus e julga os personagens históricos, com poder para salvá-los ou condená-los. Que riscos ele corre?
Darnton –
Sim, está correto. Mas quando escrevi esse ensaio, intitulado Como os Historiadores Podem Brincar de Deus, eu estava sendo irônico. A razão pela qual eu o escrevi, em parte, foram duas descobertas que fiz em arquivos. Uma delas foi de que o famoso revolucionário Marat não era ladrão. É dito em grande parte da literatura sobre o período que Marat havia roubado medalhas e moedas de ouro antes da Revolução Francesa. Encontrei uma carta de Marat que provava que ele não havia roubado essas moedas. É um pequeno detalhe, mas eu estava declarando Marat inocente, eu o estava julgando. Em outro caso, encontrei um documento do chefe de polícia de Paris que mostrava que outro revolucionário francês, Jacques-Pierre Brissot, foi espião da polícia durante os anos 1780, recebeu dinheiro pela espionagem. Publiquei isso, e isso provocou muita polêmica: eu estava, com efeito, declarando Brissot culpado por espionagem da mesma forma que havia declarado Marat inocente por roubo. Comecei a refletir naquilo de uma forma mais filosófica: o que estou fazendo? O que me faz pronunciar juízos sobre a inocência e a culpa de pessoas no passado? Estamos sim brincando de Deus.

Cultura – Nesse mesmo texto sobre Jacques-Pierre Brissot, o líder dos girondinos durante a Revolução Francesa, o senhor diz que o biógrafo deve tomar cuidado quando começa a antipatizar com seu objeto de estudo. Mas a simpatia não seria um risco também? É possível – ou desejável – um meio caminho na pesquisa histórica entre a simpatia e a antipatia?
Darnton –
Gosto dessa idéia. A questão é: como fazê-la acontecer? Você conhece alguém em um café e pensa: “Essa pessoa é simpática ou antipática”.Você não pode evitar suas próprias reações emocionais. De forma similar, quando pesquiso em arquivos, leio centenas de cartas de alguém e formo uma idéia do que gosto nessa pessoa. Tenho, obviamente, de ser objetivo, neutro, e tento ser justo. No entanto, formo uma noção da personalidade dessa pessoa. Descobri que, quando estudo História, minhas paixões estão ativas o tempo todo. Bem, talvez não o tempo todo, às vezes é preciso descansar um pouco. Mas freqüentemente, para minha surpresa, me descobri furioso, ou triste, ou indignado com tudo o que eu estava evocando no estudo da História. Não é uma questão de razão. Provavelmente, a maioria dos leitores pensa que os autores de livros de História são distintos especialistas, senhores de idade que acompanham tudo cuidadosamente, objetivamente. Ora, eu tento ser objetivo, mas encontro a emoção cruzando meu caminho o tempo todo. Na verdade, acho que é melhor que eu seja capaz de reconhecer isso. Às vezes, penso que essa emoção não é necessariamente ruim, pode ser algo que faz o passado se tornar mais vivo.

Cultura – O senhor gostaria de ter vivido na França do século 18? Já se imaginou naquele cenário?
Darnton –
Sempre me fazem essa pergunta, e a resposta que eu dou é: “Sim,mas não como um camponês”. E então completo: “E gostaria de ter bons dentes”. É uma brincadeira, claro, devido ao fato de ter lido tantas vezes em cartas as pessoas reclamando de dor de dente.Os dentes das pessoas eram terríveis no século 18, e os dentistas conseguiam ser ainda piores. Essa foi a razão de eu ter escolhido como título de meu último livro Os Dentes Falsos de George Washington. Achei muito interessante que esse grande e famoso homem sofresse com seus dentes estragados o tempo todo – assim como todos na época. As pessoas constantemente perdiam os dentes, e eles doíam muito. Hoje temos bons dentistas, bons tratamentos, que basicamente evitam que as pessoas sintam tanta dor, mesmo quando seus dentes estão ruins.Pode parecer um dado minúsculo e trivial, mas o que estou tentando dizer é que o século 18 teve muitos aspectos atraentes, como a arquitetura, que é extremamente bonita. Mas, ao mesmo tempo, tenho informação suficiente para saber que a maior parte da humanidade vivia na miséria. Isso me faz lembrar de Thomas Jefferson, por exemplo. Ele teve escravos e nunca os libertou, como Washington fez no fim da vida. Benjamin Franklin, que tinha poucos escravos, libertou todos e ainda apoiou a causa anti-escravagista. Eu não gostaria de ser um escravo – e nem um proprietário de escravos – no século 18. Em outras palavras: não tenho a noção ingênua de que tudo naquele tempo era melhor. Era sim um mundo em que havia espírito, gosto e humor. Então, se eu pudesse conversar com Diderot, seria um homem feliz. Ou se eu pudesse ter um exemplar da Enciclopédia, ou ler os livros do século 18 em suas edições originais, sentir o papel em minhas mãos… Faço isso todos os dias atualmente, e isso me faz muito bem. Pode parecer romântico ou sentimental, mas sinto o contato com o passado, porque o papel do século 18 transmite ao tato sensações completamente diferentes. Escrevi estudos sobre papel e livros, então sei como ele foi fabricado. Algumas vezes, quando olho para um livro do século 18 e vejo um pequeno pedaço de fio, penso que aquilo poderia ser parte da anágua de alguma garota. Sempre seguro o papel contra a luz e tento ver: será essa fibra vestígio das roupas de alguém ou parte do papel? Os franceses têm uma palavra para esse tipo de atitude: passéisme,o amor ao passado e pelo passado.

Cultura – Em português, há também uma palavra para esse sentimento: passadismo, ou mesmo saudosismo.
Darnton –
Sim, admito essa fraqueza. Minha mulher caçoa de mim freqüentemente por isso. Adoro ver filmes sobre o século 18, já vi esse filme recente sobre Maria Antonieta [dirigido por Sophia Coppolla]. Ele é provavelmente um filme muito ruim,mas eu o adorei. Pude ver os erros e equívocos históricos. A atriz que a interpretava [Kirsten Dunst] não parecia austríaca e sim uma beldade cheia de frescor da Califórnia. Mas isso não importa, a razão porque gostei tanto é que ele mostra tão bem as roupas, as jóias, a mobília, era como uma série de quadros em movimento. A fotografia, a maneira como a câmera foca a textura dos vestidos, a maneira como descreve os passeios nos jardins de Versalhes. Vi o filme no dia seguinte a ter visitado a Coleção Wallace, em Londres, uma das grandes coleções de pinturas e porcelanas do século 18. Então, eu havia visto as coisas reais e as reencontrei no filme de uma forma muito artística, focada nas roupas, na maquiagem, nos penteados, na comida, na maneira como as pessoas comiam, no Palácio de Versalhes… Sou membro de um conselho consultivo que está implantando no Palácio um centro de pesquisa. Logo, vou a Versalhes muitas vezes por ano e o conheço bem. Vê-lo no filme, com as pessoas vestidas com o figurino do século 18, foi para mim maravilhoso. Acho que um dos prazeres de se estudar História é ser transportado para outro mundo, é aumentar seu conhecimento sobre a condição humana entendendo o desenvolvimento físico e mental das pessoas no passado. Penso que isso é importante sobretudo nos Estados Unidos, porque não temos uma história muito longa, e nossos estudantes não conseguem muitas vezes imaginar que as pessoas viviam do jeito que viveram 200 anos atrás. Eles podem ler sobre isso nos livros, mas não podem sentir isso em seu íntimo. Quero comunicar esse sentimento de como a vida era experimentada no passado.

Cultura – Sabemos que em suas pesquisas o senhor dialoga, por exemplo, com abordagens da antropologia. Como vê a Interdisciplinaridade, a qual está, inclusive, na base deste seminário?
Darnton –
Eu estou convencido de que a História e a Antropologia estão destinadas ao matrimônio. E a um matrimônio muito feliz. Claro que, como em muitos casamentos, há atritos e desentendimentos. Para mim, a História e a Antropologia estão tentando fazer a mesma coisa: entender um mundo estrangeiro. No caso da Antropologia, esse mundo está distante no espaço, como a Amazônia, por exemplo. No caso da História, é um mundo distante no tempo, mas o problema básico é o mesmo: qual o sentido que essas outras pessoas dão ao mundo? Como elas constróem a realidade em suas mentes? Como elas expressam em seu comportamento sua maneira de entender o mundo? Já trabalhei muito bem  com antropólogos, e é verdade que há tipos diferentes de antropólogos, mas, penso, ainda que isso vá soar simples, que a ambição básica é a mesma. Ministrei um curso em Princeton sobre História e Antropologia por 25 anos. Sempre aplicamos aos estudantes textos históricos e antropológicos sobre o mesmo assunto e analisamos os métodos usados por antropólogos e historiadores. Você ficaria surpreso por quão freqüentemente esses métodos pareciam similares, mesmo que os historiadores não pudessem falar diretamente com as pessoas do passado.

Cultura – Como o senhor vê o papel do intelectual hoje? Há ainda espaço para o intelectual engajado que o Iluminismo anunciava e que a figura de Zola consagrou na virada do século 19 para o 20?
Darnton –
Na minha opinião, há sim um papel para esse tipo de intelectual, mas não vejo muitos intelectuais desempenhando esse papel.  Os franceses estão toda hora publicando artigos dizendo: “O intelectual está morto”, “O intelectual é um tipo social”. Quando Pierre Bourdieu morreu, os artigos nos jornais franceses diziam: “O último dos intelectuais”. Talvez haja algo estranho sobre como a esquerda em Paris tem o poder de nos enviar mensagens e criar um culto ao redor de alguns intelectuais como Bourdieu, Lévi-Strauss, Derrida, você conhece o resto da lista. Assim como você disse que Zola foi a epítome do intelectual engajado no século 19, no século 18 inquestionavelmente foi Voltaire. Eu defenderia ainda que Voltaire foi o início desse papel intelectual na França. Houve outros antes dele, é certo, mas ele personifica esse novo tipo, que não é apenas um grande escritor, mas um grande lutador por causas em que acredita. Esse modelo persistiu pelos dois séculos seguintes. Temos lutadores como ele nos dias de hoje? Não vejo muitos. Mas alguém há de vir, e talvez ele nem seja francês. Pode até ser um brasileiro, quem sabe? O único desafio seria o idioma.

Um pré-livro surreal

23 de março de 2007 0

Divulgação
Baseados na lenda do Negrinho do Pastoreio, mais conhecida pela versão do escritor regional João Simões Lopes Neto, dois gaúchos criaram a fantástica novela gráfica Um Outro Pastoreio. Os rapazes, Everson Nazari e Rodrigo dMart, foram inspirados pelos quadrinistas Dave McKean e Neil Gaiman. Eles publicaram o projeto no site http://pastoreio.org e estão agora atrás de um editor.

A página da internet contém algumas páginas do livro, fotos, rascunhos, videoteaser e esculturas. Durante o processo de criação, eles tiveram a idéia de fazer também um audiolivro. O músico e compositor Negrinho Martins, inspirado pela história, compôs três climas para ambientar a novela gráfica.

– O nosso objetivo com o projeto foi tentar explorar outras formas de contar histórias, aproveitando as diferenças na nossa formação. O dMart como músico e, depois, jornalista; eu como rabiscador e designer – afirma Nazari no blog do projeto.

Um Outro Pastoreio conta a história de um velho que encontra um menino que o faz relembrar de uma lenda antiga: é a história de um jovem escravo que tinha o dom de encontrar coisas perdidas e que morreu enterrado em um formigueiro.

O projeto demorou dois anos para ser finalizado. Desde o lançamento, em 1° de março, o site já computou mais de 10 mil acessos, com resenhas em vários portais, sites, entrevistas para jornais no centro do país. Quem quiser saber um pouco mais sobre o trabalho, pode conferir o blog http://outropastoreio.blogspot.com.

Postado por Helena Kempf

Um trechinho

21 de março de 2007 1


A vida líquida é uma vida de consumo. Projeta o mundo e todos os seus fragmentos animados e inanimados como objetos de consumo, ou seja, objetos que perdem a utilidade (e portanto o viço, a atração, o poder de sedução e o valor) enquanto são usados. Molda o julgamento e a avaliação de todos os fragmentos animados e inanimados do mundo segundo o padrão dos objetos de consumo.

Estes têm uma limitada expectativa de vida útil e, uma vez que tal limite é ultrapassado, se tornam impróprios para o consumo; já que %22ser adequado para o consumo%22 é a única característica que define sua função. Eles são totalmente impróprios e inúteis. Por serem impróprios, devem ser removidos do espaço da vida de consumo (destinados à biodegradação, incinerados ou transferidos aos cuidados das empresas de remoção de lixo) a fim de abrir caminho para outros objetos de consumo, ainda não utilizados.

Para se livrar do embaraço de ser deixado para trás, de ficar preso a algo com o qual ninguém mais quer ser visto, de ser pego cochilando e de perder o trem do progresso em vez de viajar nele, você deve ter em mente que é da natureza das coisas exigir vigilância, não lealdade. No mundo líquido-moderno, a lealdade é motivo de vergonha, não de orgulho. Conecte-se a seu provedor de internet de manhã bem cedo e a principal notícia do dia vai lembrá-lo daquela verdade nua e crua: %22Com vergonha de seu celular? Será que este é tão velho que você fica envergonhado ao atender uma chamada? Faça um upgrade para um aparelho do qual você possa se orgulhar.%22 O lado negativo da ordem de %22fazer um upgrade%22 para um celular consumidorísticamente correto é, com certeza, a exigência de não voltar a ser visto portando aquele para o qual você fez um upgrade da última vez.

Trecho de Vída Líquida (Jorge Zahar Editor, 212 páginas, R$ 36), livro recente no qual o sociólogo polonês Zygmunt Bauman dá continuidade à abordagem de questões relativas à velocidade informe do mundo contemporâneo, uma fluidez sem padrões sólidos que ele já havia retratado nos anteriores Amor Líquido e Modernidade Líquida. Em Vida Líquida, ele analisa como a sociedade humana atual altera padrões de expectativas e conceitos mais rápido do que a maioria dos seres humanos conseguem se adaptar: o consumo como ideal de bem estar, a transformação perpétua e o desenraizamento como características que formam o homem apto a viver nessa sociedade e como essa mentalidade imediatista transformou o lixo, o entulho, o obsoleto, o desatualizado no produto mais recorrente produzido pela ordem social.

Postado por Carlos André Moreira

Aguarde o próximo sábado

21 de março de 2007 0

 Não deixem de ler no próximo fim de semana, no caderno Cultura, dois artigos relacionados ao seminário Fronteiras do Pensamento, que está sendo realizado em Porto Alegre e que vai trazer, até o fim do ano, nomes representativos da arte e da cultura no mundo para discutir temas afeitos ao mundo de hoje, à filosofia, à história, à educação, à imagem – enfim, uma das grandes oportunidades de se ver em Porto Alegre gente de diferentes correntes pensando e debatendo seu pensamento.

No Cultura de sábado, antecipamos a vinda do historiador americano especializado em Iluminismo e na França do Século 18 Robert Darnton – com uma entrevista exclusiva realizada por este que vos fala por telefone desde Princeton, onde o acadêmico é professor (nem quero ver a conta do telefone).

Também fazemos uma cobertura detalhada e um balanço do que foi dito na primeira das palestras do seminário, realizada na terça-feira, dia 20, no salão de Atos da UFRGS com o filósofo francês Luc Ferry e com o economista e ex-ministro da Educação Paulo Renato de Souza (os dois, aliás, são ex-ministros da Educação, Ferry estava no cargo na França justamente na época em que o governo baixou uma norma proibindo o uso ostensivo nas escolas de símbolos religiosos como quipás, estrelas de David e véus).

Postado por Carlos André Moreira

Tem Bond que é cego...

15 de março de 2007 0

Tá olhando o quê?
Essa quem me mandou foi a Priscilla, que vocês devem ter acabado de ler no texto aí embaixo sobre o Lobo Antunes – e agora neste aqui eu vou falar de seu conhecido desafeto Saramago. Juro que não foi provocação. De acordo com a revista especializada no mundo do cinema Hollywood Reporter, Daniel Craig, o James Bond da mais recente produção do agente secreto britânico, e a bela e fenomenal Julianne Moore são nomes cotados para o elenco de Blindness, o próximo filme do diretor brasileiro Fernando Meirelles. Os dois já estariam em negociações com a produção, que, a exemplo de Diários de Motocicleta, de outro brasileiro Walter Salles, é uma produção multinacional: diretor brasileiro, capital europeu e norte-americano.

Blindness – e agora chegamos ao motivo de esta nota estar neste blog, é a o título em inglês do dilacerante romance Ensaio sobre a Cegueira, do Nobel português José Saramago. Na história, em uma certa manhã algunas habitantes de uma cidade subitamente perdem a visão, substituída por uma brancura de leite e cal. Em um primeiro momento, as autoridades acham por bem, já que não atinam para a origem do mal e nem se ele pode ou não ser contagioso, encarcerar os doentes em um sanatório afastado da cidade – um hospital que vai se enchendo cada vez mais de doentes com os novos casos de cegueira branca que começam a se proliferar nos dias seguintes – até que o sanatório é abandonado à própria sorte pelos guardas e pelas autoridades – há tanta gente cega nas cidades que ninguém mais se lembra do grupo original. A única pessoa que parece escapar da epidemia é uma mulher que foi com o marido ao sanatório para não abandoná-lo. Com o passar dos dias, os habitantes do sanatório passam a tomar eles próprios conta da instituição, com o estabelecimento de um grupo mais forte tiranizando os mais fracos.

Julianne Moore provavelmente seria uma boa escolha para viver a mulher vidente, mas na nota original de onde tirei o tema para este texto indagava-se sobre a propriedade de Craig e seu estilo brucutu se encaixar na obra, sutil e alegórica. Bom, acho que haveria sim espaço para Craig – como líder do grupo que tiraniza os demais, provavelmente, não o imagino como o marido da mulher que vê.

Aliás, na verdade, eu não imagino esse livro virando filme de jeito nenhum – é uma fábula sombria cuja força reside muito na prosa de Saramago, um texto que comenta a si próprio e, como ele disse numa entrevista durante uma passagem por Porto Alegre nos anos 90, %22deixa à mostra as costuras, as marcas e rebites de montagem%22. Não sei se isso seria traduzível no filme sem que tivéssemos apenas um exemplar pálido de um terror ao estilo Extermínio.

Postado por Carlos André Moreira

Conhecimento do Lobo

15 de março de 2007 1


O escritor português António Lobo Antunes venceu o Prêmio Camões de Literatura 2007. O anúncio foi feito ontem, na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. O maior prêmio literário de língua portuguesa dá cem mil euros ao ganhador. Vale lembrar aqui que no ano passado, o angolano Luandino Vieira, recusou a premiação alegando %22razões pessoais e íntimas%22.

Ao lado de Saramago, Lobo Antunes é um dos principais nomes da literatura portuguesa contemporânea (há mesmo quem o considere o maior autor português vivo). Aos 65 anos, o também psiquiatra é autor de 15 livros, quatro dos quais já lançados no Brasil pela Objetiva (que pretende reeditar todos os títulos dele): Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo, Memória de Elefante, Os Cus de Judas (o mais vendido) e Conhecimento do Inferno (último lançamento, pelo selo Alfaguara).

Outra editora que apostou no desafeto de Saramago (sim, a desavença entre os dois autores vem de longa data e é sempre lembrada pela imprensa), foi a Rocco, que editou Exortação aos Crocodilos, O Manual dos Inquisidores, O Esplendor de Portugal, Fado Alexandrino e o mesmo Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo.

Nascido em 1942, em Lisboa, filho de uma família com ascendência brasileira (seu bisavô foi um dos barões da borracha na Amazônia), o escritor viveu em Angola no início dos anos 70,  quando o país era colônia portuguesa e lutou na guerra da independência, do lado de Portugal. A violenta passagem pelo front marca muitos dos seus livros, e é trabalhada no magistral Os Cús-de-Judas e no perverso Conhecimento do Inferno.

Postado por Priscilla Ferreira

Da série Pra aprender como se faz

13 de março de 2007 0


Sentada à beira da estrada, espiando a carroça subir a colina em sua direção, Lena pensa: %22Vim do Alabama: um estirão. O caminho todo do Alabama até aqui andando. Um estirão%22 Pensando, apesar de não fazer nem um mês que estou na estrada já cheguei no Mississipi, o mais longe de casa que já fui. Estou mais longe agora da Serraria do Doane do que já estive desde que tinha doze anos.

Ela nem mesmo fora à Serraria do Doane antes de seu pai e sua mãe morrerem, embora seis ou oito vezes por ano fosse à cidade nos sábados, na carroça, usando um vestido comprado por reembolso postal e com os pés descalços sobre o assoalho da carroça e os sapatos embrulhados num pedaço de papel ao seu lado no assento. Ela calçaria os sapatos pouco antes de a carroça chegar na cidade. Depois de se tornar uma mocinha, pediria ao pai que parasse a carroça na entrada da cidade, desceria e seguiria andando. Não diria ao pai por que preferia caminhar em vez de seguir na carroça. Ele achava que era por causa das ruas planas, das calçadas. Mas era porque ela acreditava que as pessoas que a vissem ou cruzassem com ela a pé achariam que ela também morava na cidade.

Trecho inicial de Luz em Agosto, uma das obras-primas de William Faulkner que agora ganha edição nova ( e belíssima) pela CosacNaify (448 páginas, R$ 69). Faulkner é, guardadas as devidas proporções, um fenômeno parecido com Graciliano no Brasil: uma prosa que emula a paisagem na qual transcorre a ação: se a secura de Graciliano ecoa a do sertão nordestino, a densa e vagarosa narração de Faulkner é pródiga em tons sinuosos, pantanosos, lentos como a corrente barrenta e por vezes insalubre do Sul americano. Em Enquanto Agonizo Faulkner havia levado esse estilo a um ponto perfeito, e ele naõ se supera em Luz em Agosto, mas o recurso está lá, na interligação de três histórias que parecem não ter muito a ver entre si além da localização, mas que são interligada pelo mulato Joe Christmas, mestiço, maldito, dono de uma dignidade trágica pouco igualada em qualquer literatura.

Postado por Carlos André Moreira

Para excitar a imaginação (e outras coisas)

13 de março de 2007 0


Tá, esta é velha, mas eu só achei agora, e pensei em comentar igual. No ano passado, a Playboy norte-americana realizou uma eleição em seu portal para eleger as 25 obras literárias mais %22sexy%22 da história da literatura – a justificativa para a eleição, de acordo com a revista, foi mapear os livros que ainda teriam o poder de excitar a imaginação em um mundo em que o sexo convertido em imagem é moeda corrente. Justamente por essa ausência de escândalo nos dias de hoje e da possibilidade de se escrever hoje em dia sobre praticamente qualquer coisa, seria de se esperar que o livro que encabeça a lista seja de autor contemporâneo, correto? Errado. O livro mais votado na eleição da Playboy gringa é um romance de libertinagem escrito no século 18 e lançado em 1748/1749. Ah, sim, e tem edição no Brasil. Fanny Hill: Memórias de uma Mulher de Prazer, do inglês John Cleland, é considerado o primeiro romance erótico da literatura moderna (sei que eu não precisaria explicar isso, mas Hinos a Falo, Hinos a Pã, poemas de Safo, o Século de Ouro Espanhol não entram por serem, claro, %22poemas%22, e não %22romance%22).

Fanny Hill – a edição é da L&PM – conta a história de uma jovem que, orfã ainda na adolescência, se muda para Londres e, como diria a minha vó, %22cai na vida%22. Ela tem sua virgindade posta a venda por uma cafetina, mas antes de o leilão ser consumado, ela foge com um rapaz que, tempos depois, a abandona. Criado já o problema, Fanny Hill se torna uma cortesã de muitos amantes e alto padrão – por incrível que pareça, numa sociedade tão cheia de tabus e interdições como a Inglaterra do período, cortesãs são mulheres relativamente livres porque não se sujeitam a ninguém, escolhem seus amantes e têm ganhos financeiros (algo negado a uma esposa). Acho que virou filme no fim dos anos 90 com a Robin Wright Penn, mas eu não me lembro do nome em português.

Voltando à lista da Playboy, também o clássico O Amante de Lady Chatterley tirou segundo lugar, e o outrora considerado pornográfico Henry Miller com seu Trópico de Câncer emplacou o terceiro. Lolita, de Nabokov, ficou na 11ª posição. 
Vai a lista abaixo, que inclui nomes novos mas deixa de fora o Marquês de Sade, por exemplo, o que só serve para comprovar a tese de Paulo Francis em um texto famoso para o Pasquim: Sade é grande como filósofo da liberdade individual, e não como pornógrafo, porque suas enumerações orgiásticas ou de sexo violento se esgotam com a repetição, tornando-se tediosas para qualquer um que não seja um adolescente virgem de 14 anos. Quando o título está em inglês, não tem edição no Brasil que eu saiba. No caso de obras que já foram editadas mas que não são fáceis de achar, pus a editora para vasculhar em sebos

1 – Fanny Hill – Memórias de uma Mulher de Prazer –, de J. Cleland (1748- 49)
2 – O Amante de Lady Chatterley, de D. H. Lawrence (1928)
3 – Trópico de Câncer, de Henry Miller (1934)
4 – A História de O, de Pauline Reage (1954)
5. – Crash, de J.G. Ballard (1973) (editado pela Record quando saiu o filme e reeditado recentemente pela Companhia das Letras) 
6. – Entrevista com o Vampiro, de Anne Rice (1976)
7 – O Complexo de Portnoy, de Philip Roth (1969)
8 – O Mago, de John Fowles (1965)
9 – The Wind-Up Bird Chronicle, de Haruki Murakami (1995)
10 – Amor Sem Fim, de Scott Spencer (1979)
11 – Lolita, de Nabokov (1955)
12 – Carrie´s Story, de Molly Weatherfield (1995)
13 – Medo de Voar, de Erica Jong (1973)
14 – Peyton Place, de Grace Metalious (1956)
15 – A História do Olho, de Georges Bataille (1928)
16 – O Fim de Alice, de A.M. Homes (1996)
17 – Vox, de Nicholson Baker (1992)
18 – Rapture, de Susan Minot (2002)
19 – Prazeres Singulares, de Harry Mathews (1983)
20 – O Corte, de Susanna Moore (1995) (este é o do filme Em Carne Viva, com a Meg Ryan, a edição é da Record e, se bem me lembro, ganhou o nome do filme na edição nova)
21 – Brass, de Helen Walsh (2004)
22 – Candy, de Terry Southern e Mason Hoffenberg (1958)
23 – Forever, by Judy Blume (1975)
24 – Um Sonho Americano, de Norman Mailer (1965)
25 – Carpetbaggers, de Harold Robbins (1961)

Postado por Carlos André Moreira