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Posts de abril 2007

O que eles andam fazendo

30 de abril de 2007 0

Joca Reiners Terron/J.R. Duran - Divulgação
Com o intuito (palavra boa essa) de oferecer algo legal e diferente neste blogue, estamos começando hoje, meio sem alarde mas confiando no boca a boca, uma série curiosa chamada O que você anda fazendo. A cada segunda feira, estará no ar uma breve entrevista com um autor – local ou nacional – que responderá a esta breve porém reveladora pergunta sobre o que anda produzindo atualmente.

Quem abre a série é o mato-grossense radicado em São Paulo Joca Reiners Terron. Ele já publicou as novelas Não Há Nada Lá (Ciência do Acidente, 2001), Hotel Hell (Livros do Mal, 2003), os volumes de contos Curva de Rio Sujo (Planeta, 2003) e Sonho Interrompido por Guilhotina (Casa da Palavra, 2005), e os poemas de Eletroencefalodrama, de 1998, e Animal Anônimo, de 2002, ambas pelo selo Ciência do Acidente, que o próprio Terron criou e no qual publicou também mais de 30 outros livros de autores diversos, como Manoel Carlos Karam, Glauco Mattoso e Valêncio Xavier.

Pois vamos a ele. Diga lá, Joca Terron. O que você anda fazendo?

Acabei de traduzir Paris não tem fim, romance memorialístico do
catalão Enrique Vila-Matas sobre seus anos de aprendizado literário em
Paris onde, ao contrário de Hemingway, que dizia ter sido %22pobre e
feliz%22 enquanto viveu naquela cidade, Vila-Matas diz ter sido %22pobre e
infeliz%22. O livro é um engraçadíssimo tratado sobre a ironia e a
formação de um escritor e será lançado em breve pela Cosac Naify.

Também trabalho em Noite dentro da noite, romance pessoal a ser
publicado no segundo semestre pela editora Jaboticaba. O livro trata
das origens de minha família alemã e conta como meus antepassados
foram parar no Mato Grosso e também, similarmente ao que ocorre com
grande parte dos imigrantes, como essa família perdeu completamente
suas raízes. É um romance sobre as relações entre o esquecimento e a
imaginação com pitadas de western.

Além disso preparo as malas para viajar ao Cairo na primeira semana de
maio, onde ficarei um mês colhendo experiências para escrever um
romance de amor a ser publicado na coleção Amores Expressos.

Postado por Carlos André Moreira

Vem, vamBoris

28 de abril de 2007 0


Quando Yeltsin entregou o poder a Putin, este, por sua vez, entregou a Yeltsin um pacote de presentes (a dacha, segurança, carros, motoristas etc.) e, mais importante, a concessão de imunidade legal. Quando deixou o cargo, Yeltsin era desprezado por tantas pessoas, e por tantos políticos, que sempre havia a chance de ele ser processado. Sua decisão impulsiva e desastrosa de desencadear uma guerra na Chechênia, a nova economia de vencedores corruptos e perdedores ressentidos, e o colapso das indústrias básicas e dos serviços de assistência social, tudo isso tornou impossível para a maioria dos russos dar a Yeltsin um crédito pela ruptura com o comunismo soviético. Na verdade, a maioria ressentia-se daquilo que o Ocidente mais comemorava: o fim da União Soviética.

Yeltsin e %22a Família%22 – uma equipe composta por sua filha Tatyana Dyachenko, diversos magnatas dos negócios, vários assessores bastante próximos, como Valentin Yumashev (que era casado com Dyachenko) e o chefe de gabinete Aleksandr Voloshin – deram a Putin a presidência russa principalmente porque ele parecia competente e leal. Putin ascendeu, em parte, porque, depois de uma década de revolução, poucas reputações políticas haviam sobrevivido. Como me disse Boris Nemtsov, um dos principais ministros do Kremlin considerados possíveis sucessores de Yeltsin, %22as revoluções devoram seus filhotes, sem falar em seus políticos jovens%22. Em menos de quatro anos, Putin foi convocado para trabalhar como assessor do Kremlin, depois foi nomeado chefe da inteligência, depois primeiro-ministro, depois presidente. %22O pessoal de Yeltsin criou Putin de um vaso com barro%22, comentou Leonid Parfyonov, um dos mais importantes jornalistas de televisão da Rússia. %22Nós não temos um sistema de partidos de verdade, então o Kremlin deu à luz esse homem.%22

Yeltsin reclamou de seu sucessor publicamente apenas uma vez. Foi quando Putin apoiou uma tentatia de restabelecer o hino nacional soviético, composto, com a aprovação de Stálin, em 1943. Putin recorreu ao escritor ultra-conservador Sergei Mikhalkov, que foi co-autor da letra do período soviético (%22Partido de Lênin, a força do povo / Ao triunfo do comunismo, liderai-nos!%22), para que este escrevesse alguns novos versos adequados à era moderna:

Dos mares do sul à região polar
Espalha tuas florestas e campos,
És única no mundo, inimitável
Terra nativa protegida por Deus!

Yeltsin considerou o gesto uma afronta. Ele havia substituído a bandeira vermelha soviética pela tricolor da era czarista, e a foice e o martelo pela águia de duas cabeças, um símbolo originado no século XV. Durante toda a era Yeltsin, quando era necessário um hino nacional, as orquestras tocavam o hino composto por Mikhail Glinka, em 1833, Uma Canção Patriótica – que era apenas instrumental. O hino de Putin era uma ofensa aos líderes do movimento democrático.

%22Essa é a música que acompanhou o assassinato de dezenas de milhões de pessoas!%22, disse-me Aleksandr Yakovlev, um assessor próximo tanto de Gorbachev quanto de Yeltsin. %22Toda a intelligentsia literária, musical e artística se manifestou contra – Rostropovich, Soljenitsyn, todos eles! Mas Putin achava que tinha que fazer algum tipo de concessão ao Partido Comunista%22, que ainda é o principal partido oposicionista do país. %22Ele também decidiu reativar a condecoração estatal chamada %27Ordem de Lênin%27. No entanto, Lênin foi um criminoso que deveria ter sido julgado por crimes contra a humanidade%22.%22

De Dentro da Floresta: Perfis e Outros Escritos da Revista New Yorker, de David Remnick (Companhia das Letras, 576 páginas – R$ 62)

Postado por Carlos André Moreira

Boris para Maiores

28 de abril de 2007 0

AP
%22Os erros econômicos de Yeltsin foram enormes%22, Soljenitsyn disse: Yeltsin sentiu necessidade de adotar as reformas o mais rápido possível. Tínhamos Yegor Gaidar, um teórico que ficava sentado no escritório, sob a influência do Fundo Monetário Internacional, exibindo uma total ignorância da situação na Rússia. Gaidar adotou a política do livre mercado, pensando que a liberalização dos preços resolveria tudo, pois a competição começaria e os preços se estabilizariam e cairiam. Ele previu primeiro que se estabilizariam em um mês, depois em dois, depois em quatro. Foi assim que esta reforma, que não faz sentido economicamente, começou. Não mostraram a menor compaixão pelo povo. O governo nunca perguntou como o povo ia se virar. Seu grupo vive bem, afinal. Gaidar disse, após um ano de reformas: %27Sim, imaginávamos que haveria uma revolta popular, mas ela não ocorreu%27. Yeltsin foi ainda mais longe, dizendo: %27O povo está de parabéns por não se rebelar%27 Com se alguém pudesse encontrar você na rua, roubá-lo, tomar suas roupas, e parabenizá-lo por não oferecer resistência.%22

O trecho acima é um excerto do artigo O Exílio: Soljenitsyn em Vermont, um perfil revelador feito pelo jornalista David Remnick com o escritor e outrora dissidente comunista popstar Alexander Soljenitsyn, autor de Arquipélago Gulag, uma das mais devastadoras denúncias do regime autocrático stalinista instalado na União Soviética. Está incluído na coletânea Dentro da Floresta, lançada no ano passado pela Companhia das Letras. Reúne reportagens escritas por Remnick a partir de 1992 para a prestigiosa New Yorker que eu citei no post logo abaixo como modelo para a publicação nacional Piauí. São, portanto, artigos escritos dentro de um modelo que persegue obsessivamente o texto longo, de qualidade e estruturação literária, feito depois de uma apuração exaustiva e de entrevistas que duravam literalmente horas.

Reúne preciosidades, como o relato da campanha desesperada de Tony Blair para conseguir o mandato que ele agora exerce, e que foi batizada por seus assessores como %22Campanha do Masoquismo%22 pelos muitos micos a que o primeiro-ministro britânico se sujeita em busca de votos e divulgação de suas propostas. Também um extenso ensaio com Al Gore escrito tempos depois de sua derrota para Bush, mas antes ainda da eleição em que, desta vez, Kerry perdeu para Bush. Gore na época não era essa figura pop que se tornou com o lançamento do documentário Uma Verdade Inconveniente, e é revelador acompanhar a gênese da figura %22Al Gore ecologista%22.

Remnick, trabalhou 10 anos no Washington Post, parte deles morando na União Soviética como correspondente, de acordo com ele próprio por falta absoluta de outros voluntários (%22faz frio na Rússia e a comida é indigesta%22). Daí a presença tão forte no livro do país de Yeltsin. Cinco dos artigos são integralmente (e um outro é parcialmente) dedicados a pessoas e personagens da Grande e Melancólica Nação. Dois deles são entrevistas extensas com o já citado Soljenitsyn, uma delas realizada em 1994, quando o autor vivia seu exílio na pacata Vermont. A outra foi feita em 1998, flagrando as primeiras reações do ex-dissidente ao voltar finalmente a sua Rússia depois da implantação das reformas de Boris Yeltsin – que ardilosamente havia tentado capitalizar o prestígio no Ocidente que Solyenitsyn havia obtido com sua condição de perseguido. O escritor chegou a ser apontado como possível sucessor de Yeltsin, o que se hoje nos parece ridículo dá, de acordo com Remnick, uma amostra de seu prestígio no período.

Outro dos artigos escritos por Remnick é um perfil do misterioso e esquivo Vladimir Putin, o atual presidente da Rússia, ex-agente da KGB, ex-partidário do comunismo e ex-cria política do próprio Yeltsin – e por isso estou escrevendo este post como um complemento para a reportagem do Caderno de Cultura que, espero, vocês tenham lido, porque o livro mostra até que ponto muitas das histórias envolvendo a Rússia não podem ser contadas sem abordar-se, ao menos de passagem, a figura carismática e desastrada de Yeltsin, sua iniciativa no momento de desmontar a União Soviética, sua rapacidade sem precedentes em dilapidar em negócios duvidosos e transações corruptas o patrimônio soviético e sua tentativa de aplicar à economia soviética um choque capitalista a golpes de martelo. Um ponto que Remnick desenvolve em o utro trecho do livro, mais especificamente o perfil de Putin, que você lê no post seguinte.

 

Postado por Carlos André Moreira

E já que eu estava falando nisso...

27 de abril de 2007 3


Meu Filho Comigo

Meu filho enterra os brinquedos
na areia para não achar,
desmancha os castelos,

carrega baldes
de espuma e peixes,
puxa o rabo das ondas,

mija nas dunas,
corre atrás das conchas,
lambuza os beiços de margarina e sal,

aponta aviões e helicópteros,
come terra e se bronzeia de maresia.
Quando concluo que encontrou o significado

de férias e libertou sua alegria
ele suspira de saudade
da bicicleta amarela.

***
Minha Filha Sem Mim

Que pai não segurou sua filha
recém-nascida com temor,
sem a aptidão do seio,

sem o selo da carne?
Indo para trás, como se os passos
fossem aumentar o corpo,

indo para trás
a formar a concha no colo,
indo para trás

a criar rapidamente cavidade no peito.
O medo de apertá-la forte
e machucá-la ou o medo

de afrouxar e deixá-la cair.
Até para ficar em pé com o filho,
o homem tem que se preparar.

Dois poemas de Meu Filho, Minha Filha (Bertrand Brasil, 144 páginas, R$ 28),  nova obra de Carpinejar. Um livro lírico, emotivo, perplexo, no qual a voz de um pai interpela alternadamente, por meio da poesia, um filho menino que mora com ele e uma filha adolescente que vive com a mãe, em outra casa.

Postado por Carlos André Moreira

Mais uma pro teu fim de semana

27 de abril de 2007 0

Começa amanhã, sábado, a oficina de criação póetica ministrada pelo poeta e jornalista Fabrício Carpinejar no StudioClio, na José do Patrocínio, número 698, aqui em Porto Alegre.

O curso de Carpinejar, que recentemente aportou nas livrarias com dois novos livros, o de poemas Meu Filho, Minha Filha e o infantil Vovó Ana, terá sete encontros semanais, sempre aos sábados, no horário entre 9h30min e 11h30min. A primeira aula é neste dia 28. As demais, serão nos dias cinco, 12, 19 e 26 de maio e dois e nove de junho.

Na oficina, Carpinejar, conhecido dentre os poetas de sua geração por uma poesia que não tem medo da emoção e do lirismo, mas que também enumera imagens desconcertantes e símbolos deslocados, ao estilo de Cassiano Ricardo e Jorge de Lima, vai falar sobre jogos de linguagem, inversões do ponto de vista, uso da imaginação e o exercício da observação e do senso crítico.

São temas que vão exigir do aluno um certo distanciamento de si, como a diferença entre nomear e explicar e a necessidade de falar de si como fosse um outro, imaginado, lembrado ou inventado. Carpinejar estrutura suas oficinas com jogos práticos, como jogo da forca, troca de objetos entre os participantes, cartas e até listas de supermercado. A oficina ao todo custa R$ 310 (público em geral) e R$ 280 (professores, estudantes e conveniados). Mais informações no telefone (51) 3254-7200

Postado por Carlos André Moreira

Te programa, xiru

27 de abril de 2007 0

Essa é pra quem anda pelos lados aí da colonização alemã do Estado. Amanhã, sábado, às 13h30min, o escritor, jornalista, tradutor, cronista e professor universitário Juremir Machado da Silva vai dar uma palestra na cidade de Lajeado. Juremir é autor, entre outros, do romance histórico Getúlio, de uma tradução iconoclasta de As Flores do Mal, e do livro de crônicas Aprender a (Vi)Ver. Ele é um dos convidados do 9º Seminário Nacional de Educação, em Lajeado. O local é a Univates, na Rua Avelino Talliri 171 – Bairro Universitário, em Lajeado mesmo.

 

Postado por Carlos André Moreira

O livro mais quente sobre a Guerra Fria

26 de abril de 2007 0


Com 33 anos ainda incompletos, este escriba estava fazendo 15 na semana mesmo em que aquele chinês se agitava com as bandeiras na mão parando os tanques de guerra na Praça da Paz Celestial. Também completei 16 no ano em que Fernando Collor tomou posse, e já tinha feito 17 quando Gorbachev foi preso por seus próprios companheiros de projeto político, decididos a substituí-lo e restaurar a linha-dura do regime comunista. E quando, claro, Boris Yeltsin apareceu para se tornar o personagem dominante da história russa dali por diante. Sou de uma das últimas gerações para que a Guerra Fria era realmente um fato murmurado pelos professores de história e comentado nos noticiários de TV. Ah, sim, e sou um dos que ainda viram as camisetas vermelhas da seleção Soviética na televisão, em campo durante as Copas do Mundo, no corpo dos jogadores, e não no de algum clubber de gel no cabelo na Cidade Baixa.

Minha adolescência e juventude coincidiram com um sucessão de eventos tão célere e inacreditável que hoje, com a idade de Cristo, eu já vejo nos livros de história eventos que aconteceram quando eu já estava vivo e ciente deles. Foi esse tipo de questionamento que me bateu com a notícia da morte de Boris Yeltsin, e é um sentimento que eu descobri compartilhar com um sujeito bem mais velho e mais sábio do que eu mesmo, o historiador americano John Lewis Gaddis, cujo livro História da Guerra Fria foi lançado agora mesmo este ano por aqui, em tradução de Gleuber Vieira para a editora Nova Fronteira. Historiador que redigiu vários tratados históricos de fôlego sobre o conflito de ideologias que pautou o século 20. Este livro em particular, conta ele no prefácio do livro, nasceu da pergunta que seus alunos sempre faziam, se algum dos livros do professor não tratava de %22mais anos com menos palavras%22, ou seja, da demanda por um livro que pudesse servir ao leigo ou como uma história para quem está querendo tomar conhecimento com algo que foi realidade há 20 anos, mas que hoje é história. E é a impressão sobre a qual eu comecei falanto que pauta este depoimento de Gaddis, ainda no prefácio do livro:

Todas as tardes de segundas e quartas-feiras do segundo semestre, dou aula a várias centenas de estudantes de Yale sobre a história da Guerra Fria. Preciso sempre lembrar a mim mesmo que quase nenhum deles tem recordações de qualquer dos acontecimentos que lhes descrevo. Quando falo em Stalin e Truman e até mesmo em Reagan e Gorbachev, é como se contasse histórias de Napoleão, César ou Alexandre, o Grande. A maioria da classe de 2005, por exemplo, tinha apenas cinco anos quando veio abaixo o Muro de Berlim [o autor deste post, conforme mencionado, já tinha feito 15]. Eles sabem que a Guerra Fria enformou-lhes a vida de várias maneiras porque ouviram dizer que afetou suas famílias. Alguns – não todos, claro – percebem que se algumas decisões tivessem sido diferentes em certos instantes críticos daquele conflito, eles poderiam nem ter tido uma vida a viver. Mas meus alunos se inscrevem no curso com pouquíssima noção de como a Guerra Fria começou, em que consistiu ou porque terminou da forma como terminou. Para eles é história: em nada diferente da Guerra do Peloponeso.

Pois História da Guerra Fria (Nova Fronteira, R$ 42) pode ser esse livro que dá uma noção abrangente sobre o conflito – e o detalhe: ele reforça uma impressão que eu, como espectador dos acontecimentos pela TV, tinha e que me voltou enquanto trabalhava em um artigo sobre a morte de Boris Yeltsin que será publicado no próximo caderno Cultura, neste sábado mesmo. Yeltsin, apesar de seu papel decisivo em debelar o contra-golpe da linha dura comunista contra Gorbachev e de seu drástico e desastroso período de governo, é sempre relegado a coadjuvante dessa história. O livro de Gaddis cobre em 310 páginas um período que vai de 1945 a 1991, ou seja: o recentemente falecido Yeltsin aparece em cinco páginas no fim do livro, e quando entra no proscênio, o pano desce.

Como desceu na segunda-feira.

Postado por Carlos André Moreira

Ainda da série Quero Ser Dan Brown

23 de abril de 2007 5


 Esta me foi enviada pelo colega aqui do Diário Gaúcho Luiz Domingues. Quando eu achava que a onda de %22clones de Dan Brown%22 já tinha passado, olha só o que está chegando na livraria:

%22A história de Maria Madalena jamais contada anteriormente
Ela realmente casou-se com Jesus, deu à luz a um filho dele, mas seu significado é mais profundo e infinitamente mais importante. Neste livro, as autoras Claire Nahmad e Margaret Bailey mostram Maria Madalena sob uma luz inteiramente nova. Seus ensinamentos secretos, inclusive os versos perdidos do Evangelho de Maria, aqui revelados pela primeira vez, apresentam-na como o equivalente espiritual de Jesus. Esta é uma história de intriga, ocultamento e preconceito, mas também uma história de esperança, esplendor e promessa de paz e realização.
ENSINAMENTOS OCULTOS DE MARIA MADALENA
Incluindo os versos perdidos do Evangelho de Maria

Urrú. Não posso deixar de perder.

Postado por Carlos André Moreira

O Piauí é aqui

22 de abril de 2007 0


Além de cineasta – ofício também do irmão Walter Salles, que no começo da carreira já foi Walter Hugo Salles Jr. – o documentarista João Moreira Salles é o idealizador da revista Piauí, essa de formato maior e papel diferente que você já deve ter visto na banca – ou já leu, espero, já que tem interesse num blogue de livros como este. A Piauí começou a ser publicada em outubro e, com apenas sete números produzidos até hoje, tem se mostrado uma revista de boa aceitação, além, óbvio, de xodó de quem curte uma publicação diferente voltada à área cultural. Dá para comparar estes primeiros meses da revista com a melhor fase da Bravo!, lá nos anos 90. A Piauí é uma revista que investe em texto, o texto longo, literário (e literário com qualidade, não uma simples viagem na maionese), com reportagens que buscam o inusitado neste imenso Brasil e perfis que fogem do que se publica em geral na grande imprensa, inclusive pelo tamanho.

Pois bem, João Moreira Salles vai falar justamente sobre o jornalismo literário que a Piauí pratica, em uma palestra na terça-feira, às 10h, no auditório da Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS. Serão distribuídos exemplares da revista entre o público e a entrada será franca. Programa ótimo, como se vê. A Famecos oferece desde o ano passado uma disciplina específica sobre Jornalismo Literário, ministrada pelos professores Victor Necchi e pela Bete Duarte que vocês leram no post logo abaixo.

Ah, sim: o auditório da Faculdade fica no prédio 7 do Campus Central da PUCRS (avenida Ipiranga, 6.681 em Porto Alegre). Outras informações pelo telefone (51) 3320-3569.

Postado por Carlos André Moreira

As palavras do Adivinho

20 de abril de 2007 0


Tá certo que os recentes apagões aéreos estão fazendo com que atualmente muita gente pense em deixar de lado as viagens de avião. Mas, em 1993, quando a situação nos aeroportos não era tão caótica, parece estranho que um jornalista, ainda mais um corresponde internacional, tenha decidido passar um ano inteirinho sem voar. E tudo por causa de um adivinho chinês.

Em 1976, o italiano Tiziano Terzani, correspondente do jornal alemão Der Spiegel na Ásia, ouviu de um velho adivinho em Hong Kong que, em 1993, não deveria viajar de avião, caso contrário poderia morrer. Parecia ter esquecido o presságio até que, em 1992, aos 55 anos, lembrou da advertência, resolveu levar em conta o aviso – afinal, era melhor não arriscar – e fez um acordo com o jornal de que se deslocaria para as reportagens de trem, barco, ônibus, carro, navio, a pé e até de riquixá. Desde que o veículo utilizado não levantasse vôo.

O resultado é o livro Um Adivinho me Disse (Globo, 448 páginas, R$ 49), uma reportagem que redescobre o misticismo do Oriente, além de revelar o prazer de uma viagem sem pressa, recheada de personagens e histórias ricos em detalhes. Com uma narrativa em primeira pessoa – como não poderia deixar de ser – o livro mostra que Terzani se rende ao fascínios das previsões e termina a viagem com uma mala cheia de amuletos, óleos e ungüentos, além de  alertas e presságios ainda mais assustadores que o feito pelo velho chinês em 1976.

Um Adivinho me Disse se tornou um best-seller na Itália e rendeu ao jornalista, como previram alguns dos adivinhos em 1993, um bom dinheiro. Terzani morreu, em 2004, de câncer.

Postado por Bete Duarte