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Vai, benzinho, vai

12 de julho de 2007 1

Divulgação
Já que estamos falando do Dennis Lehane e eu estava devendo algumas postagens para vocês, a menção ao Gone, Baby, Baby me fez lembrar que, quando o livro saiu por aqui, traduzido pela Companhia, em 2005, fizemos o registro em uma resenha escrita pelo titular do Blog 90 Minutos, Luiz Zini Pires. Como jornal é aquela coisa, o cara leu e depois jogou fora, e muita gente nem leu, acho que não seria uma grande picaretagem republicar o texto por aqui – se for, reclamem nos comentários e eu abandono a prática. Vai aí embaixo.

O Preço da Infância

Os holofotes do Oscar iluminaram o escritor Dennis Lehane depois do filme Sobre Meninos e Lobos, de Clint Eastwood. A luz forte do ano passado
foi além e alcançou outros livros do autor de 41 anos, nascido na periferia de Boston. O mais recente chama-se Gone, Baby, Gone (Cia das Letras, 472 páginas, R$ 44,50) e, mais uma vez, as linhas ásperas de Lehane são impróprias aos corações mais sensíveis – próprias dos melhores romances
policiais.

Sua trama de 1998 chega bem traduzida ao Brasil e envolve crianças, raptos, abusos distintos, violência, assassinatos, polícia (corrupta e incorruptível) e traficantes (sempre venais). Tudo somado, dividido e entregue aos dois indomáveis detetives particulares Patrick Kenzie e Angela Gennaro. A dupla que dá forma ao livro e, armada, de cérebro e de pistolas, busca a solução final.

O tom de Gone, Baby, Gone é de ação, de suspense e de crianças desaparecidas. O clima é real e os números assustam, pois, diariamente, antes do sono da noite, os americanos contam os meninos e as meninas e observam, apavorados, que faltam 1,3 mil. A maioria volta em sete dias, roubada por pais separados.

Outras fogem, instalam-se em casa de amigos e logo retornam. Existem as que somem e os pais, preocupados com a droga de cada dia, fazem movimentos mínimos para reencontrá-las. Os casos mais graves são os 3,5 mil desaparecidos anuais que mobilizam a polícia quando o seqüestro
não envolve parentes. Trezentas, em média, jamais reaparecem. É num caso assim, no sumiço de Amanda McCready, quatro anos de idade, que Lehane atiça os seus dois detetives sem limites.

Filha de mãe viciada, Amanda some quando a mulher sai para dar a volta noturna de sempre. Mobilizada, a polícia é inútil, só assusta as testemunhas e provoca o silêncio. No auge do desespero, a família da vítima convoca Kenzie e Gennaro na esperança de que os investigadores encontrem pegadas no  interior dos rios, ou seja, pedem o quase impossível.

A dupla perfeita e bem armada, correndo paralela à lei, com idéias próprias de como agir contra os maus, lembra, em alguns momentos, a neurótica cria do mestre Dashiell Hammet, o duo Nick e Nora. Kenzie e Gennaro dividem a mesma cama, miram o mesmo inimigo e, unidos até no mesmo 38, gostam de derrubar fachadas. Investem contra os grandes como Quixote e ajudam a ver quem é quem atrás das máscaras do poder. No aperto, chame-os. Não deixe a má literatura policial seqüestrar seu verão.

Postado por Carlos André Moreira

Comentários (1)

  • Detetives no fim da estrada | Mundo Livro diz: 6 de fevereiro de 2012

    [...] pela dupla de detetives Patrick Kenzie e Angela Gennaro (como Um Drink Antes da Guerra e Gone, Baby, Gone). Mesmo assim, o novo livro de Lehane está acima da média da literatura policial [...]

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