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Posts de agosto 2007

Em busca de delicadeza

31 de agosto de 2007 1

Andei anteriormente falando umas coisas sobre %22leveza%22 por causa daquele filme sobre Vinicius de Moraes, mas há outras tantas, não tão leves, que não posso deixar de frisar.

O filme me deu a sensação de que ali estava reunida a confraria dos machos em torno do seu protótipo clássico. Claro que o filme pode ser visto de várias maneiras e um amigo me disse que é bom a gente ver esse filme para lembrar como era o Brasil daquele tempo. Cada um vê o que quer ou o que pode. Sim, o filme é bom como história da bossa nova, interessante como  uma forma de levar um recital de poesia ao cinema. Mas há uma coisa ali que as mulheres e mesmo alguns da nossa desatenta espécie de machos certamente observaram. Em outros termos: as opiniões sobre a vida do poeta, sobre as conseqüências de suas desvairadas e dionisíacas paixões são vistas diferentemente pelos seus amigos machos e pelas mulheres, sobretudo suas filhas e mulheres.

Como Suzana, as demais filhas entrevistadas foram bem enfáticas a esse respeito. Não era nada fácil ser filha, quanto mais mulher de Vinicius. Para consumo posterior de biografia era muito meigo e folclórico. Mas ali no dia-a-dia, depois que passava o arrebatamento órfico, quando ele se entregava à bebida ou a novas paixões, complicava. Felizmente nenhuma dessas mulheres endoidou ou se matou, como ocorreu com algumas mulheres de Picasso. Mas este era um sádico, um minotauro devorador de fêmeas, ao passo que Vinicius, como assinalei no ensaio %22O canibalismo amoroso%22, exercitava a %22ternura canibal%22.

O trecho acima é de Tempo de Delicadeza, do poeta e cronista Affonso Romano de Sant%27Anna, um dos convidados desta jornada – a essa altura já deve ter ido embora de Passo Fundo, mas ele participou de debates aqui acompanhado da esposa e também poeta e escritora Marina Colasanti. Sant%27Anna diz que o título de seu livro, uma reunião de 47 crônicas publicadas em O Globo, Correio Braziliense e Estado de Minas, é ele próprio uma tomada de posição, uma fome de delicadeza necessária num período em que os jornais parecem só nos dar más notícias. A edição é da L&PM.

Postado por Carlos André Moreira

I`m so lonesome that I could cry...

31 de agosto de 2007 1

O resto da equipe que veio de Porto Alegre já foi. A Larissa, o nosso intrépido motorista Laércio e a fotógrafa Adriana Franciosi já devem estar em Porto Alegre a esta hora em que escrevo. Assim como eles, metade dos repórteres que tornavam a sala de imprensa um ambiente de tumulto constante já zarparam. Da Zero Hora, ficamos aqui eu, o repórter Cleber Bertocello e o fotógrafo Tadeu Vilani, ambos da Casa Zero Hora em Passo Fundo. O clima de fim de festa era palpável já na noite de ontem, após a cerimônia emocionada que concedeu o titulo de Doutor Honoris Causa ao bibliófilo José Mindlin. Há menos gente na Jornada, menos movimento, apenas aquela agitação de quem recolhe as malotagens, embala o que tem de ser embalado e confere se não esqueceu nada.

Ainda devo postar mais algumas atualizações aqui no blogue e depois parto eu também em direção à minha saudosa poluição cinzenta aí em Porto Alegre. Espero que tenham gostado, pessoal. E lembrem-se: este blogue continua, venham nos fazer uma visita.

 

Postado por Carlos André Moreira

Poetando

31 de agosto de 2007 2

Não sei pra que vai servir, mas fiquei louca pra fazer igual. O poeta Fabrício Carpinejar circulava ontem pela Jornada com um iPod na mão. Sem muito papo, colocava os fones no ouvido de uma criatura, que então escutava uma musiquinha, escolhia uma caneta colorida e escrevia na jaqueta dele a frase mais importante que já tinha ouvido na vida.

Que difícil…

Bacaninha, né? Agora decerto ele volta a Porto Alegre e desfila todo rabiscado na rua.

Postado por Larissa Roso

Epílogo

30 de agosto de 2007 0

Ainda havia um último episódio a complementar. Termino de atualizar o texto que vocês estão lendo e o que encontro  misteriosamente na minha mesa? O crachá do próprio Rui de Oliveira que muito me sacaneou por estar usando um crachá trocado.

Justiça poética, penso. Posso até dar entrevistas no lugar dele.

Ah, sim, devolvi o crachá dele na Assessoria de Imprensa. Não me tirem para ESSE nível de demência.

Postado por Carlos André Moreira

Na trave

30 de agosto de 2007 0

Milton Hatoum quase emplaca mais um trofeuzinho – não que ele esteja precisando de uns pilas pra botar o carnê da Renner em dia, já que fatura um prêmio atrás do outro.

Cinzas do Norte (que emplacou um Jabuti de melhor romance e um de livro do ano de ficção, além de ser premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte e abraçar o Portugal Telecom) quase leva também o 5° Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, que é um rico dum dinheirinho: R$ 100 mil. Venceu O Outro Pé da Sereia, de Mia Couto.

– Ele disputou palmo a palmo com o Mia. O Mia ganhou por duas cabeças – contou Ignácio de Loyola Brandão.

Postado por Larissa Roso

Conflito de identidade ou O Dia em que fui Joana

30 de agosto de 2007 1

Aqui na Jornada a circulação entre os vários ambientes do evento, o circo da cultura, as salas de imprensa, a sala de entrevistas, os pavilhões de autógrafos, é regulado pelo crachá que se usa. Os dos participantes e demais gente normal têm uma faixa azul, os de imprensa, como os nossos, têm uma faixa roxa (não reclamem comigo, eu não escolhi a cor). Daí que é necessário trafegar com o crachá até para que se saiba o que diabos você está fazendo nos pavilhões da jornada. Só que o coió aqui primeiro perdeu a carteira e depois a chave do quarto de hotel DENTRO do próprio quarto de hotel. E na corrida para vir para a jornada só se lembrou do crachá quando era tarde demais. Ficou no hotel.

Aí saquei da mochila uma credencial que era destinada à terceira integrante de nossa equipe de Porto Alegre, Joana Saraiva, que viria mas não veio. Coloquei no pescoço, tapei o nome com a alça cruzada da pasta que me acompanha pra todo lado (os crachás não têm foto) e na maior parte do tempo tive sucesso na minha pequena falsidade ideológica, mas na hora em que fui falar com o ilustrador Rui de Oliveira, ele esqueceu do meu nome no meio da entrevista. A pasta estava na sala de imprensa e ele olhou direto para o meu crachá, livre, solto e com o nome gritando: Joana.

Fiquei meio assim e expliquei: %22olha, perdi o crachá, e tal…%22

Passa um tempo e lá estou eu com o senhor Rui de Oliveira (gente finíssima, a propósito) na exposição que o homenageia, no centro de eventos, e ele, a propósito de algo que eu não me lembro o que era, larga, em tom de brincadeira:

– Ainda bem que você é seguro com seu papel sexual, vai que com esse cabelo resolve virar Joana de vez (eu tenho cabelo comprido).

Mais adiante encontro os colegas Vivian Rangel, do JB do Rio, e Ubiratan Brasil, do Estadão, num corredor qualquer, e logo que faço uma pergunta a respeito de não me lembro o quê, o olho treinado (Ôpa) de Ubiratan me pergunta:

– Tu é Joana? Eu não sabia.

– Ah, então esse cabelo é peruca! – emenda Vivian.

 

Vejam vocês, meus preclaros leitores, o que a gente tem de se sujeitar para garantir a vocês a informação em cima do laço

Postado por Carlos André Moreira

&%¨#&$¨)#(%¨#)$#&*¨(#$!!

30 de agosto de 2007 1

Elisa Lucinda: chique no úrtimo!/Adriana Franciosi/ ZH

Elisa Lucinda faz novela e faz poesia. Ano passado, era a Selma de Páginas da Vida, de Manoel Carlos (ai, que saudade da minha novelinha!!). No Rio, mantém a Escola Lucinda de Poesia Viva, que promove cursos e workshops pelo país inteiro. Escreve também para crianças. Ontem, aqui na Jornada, participou do Palco de Debates que tinha como tema Arte, Moral e Erotismo.

A atriz ganhou a platéia quando declamou, bem rapidinho e sem tropeçar, um longo poema chamado Ele, cheio de malícia e duplos sentidos – mas no final a gente descobria que %22o calor quente no meu pescoço%22, por exemplo, fazia referência à chegada do verão, assim como os demais versos indicavam a passagem das outras estações do ano. Deixem as crianças na sala! Não era nada sujo e depravado. O público adorou e aplaudiu, aplaudiu, aplaudiu.

E ela foi em frente, detalhando o estilo do seu texto quando o tema é caliente:

– Gosto de botar uma palavra chula do lado de uma requintada. %22Tudo são as companhias%22, dizia minha mãe. Uma palavra vai ganhar com a outra.

Hum. Tipo…? 

– Gosto de colocar %22requinte%22 do lado de %22b***ta%22! – exemplificou a conferencista.

Agora sim, falou a língua do povo! Grande Elisa Lucinda.

Ótima ela, né? E linda. Eu acho.

 

Postado por Larissa Roso

O Crítico e o Geólogo

30 de agosto de 2007 1

Milton Hatoum em Passo Fundo/Adriana Franciosi / ZH

De um convidado da Jornada sobre outro convidado da Jornada:

Em Dois Irmãos, Milton Hatoum se utiliza de um narrador que constrói seu relato à moda antiga, como os velhos contadores de histórias da tradição oral. O que ele narra vem de sua própria experiência mas também do que lhe conta a mãe, Domingas, e o velho Halim, pai dos gêmeos, desempenhando aqui seu papel de patriarca, detentor da sabedoria a ser transmitida às novas gerações.

Nael, o narrador – cujo nome é o mesmo de seu bisavô, pai de Halim – narra de um ponto privilegiado. É filho dos gêmeos e da empregada, o que o coloca numa encruzilhada, nem dentro nem fora do olho do furacão. O local que habita e onde escreve, seu quartinho no quintal da casa, é a metáfora de seu lugar na família: nem à margem no centro. Daí que sua narrativa será também uma narrativa fronteiriça, caminhando em meio às luzes do que viu e às sombras do que não pôde ver, que tenta iluminar com os relatos da mãe e, sobretudo, de Halim, os quais, no entanto, sod a aparencia de esclarecimento, lhe oferecem apenas novas sombras insuspeitadas.

O trecho acima é de A Casa, a Memória, o Rio, ensaio do crítico e escritor Flávio Carneiro, um dos convidados desta jornada, que esteve no primeiro dia do evento e a quem o nosso colega Cléber Bertoncello entrevistou na edição impressa do Caderno da Jornada que saiu na terça-feira. O texto está incluído na coletânea de ensaios críticos O País do Presente (Rocco, 340 páginas), uma série de textos escritos sobre livros brasileiros lançados a partir do ano 2000. A idéia do livro é fazer um mapeamento da ficção brasileira nesta aurora do século 21, e nesse tipo de levantamento é impossível não incluir o amazonense Milton Hatoum, autor de três romances, os três premiados, e o mais recente multipremiado. Hatoum é tema de um artigo que está saindo neste caderno de quinta-feira, é um homem afável, de voz cadenciada, lenta, muito semelhante à voz de seus próprios romances, escritos em uma dicção clássica que busca dialogar com a tradição dos grandes %22romanções%22 do século 19, de nomes como Zola, Balzac ou Flaubert. Sao livros também que se ancoram na experiência da memória como veículo da trama e como matéria da própria ficção.

- O presente é fugaz, a celebração do instantâneo. A literatura exige lentidão e profundidade, e eu ainda acredito que a literatura seja uma forma de conhecimento do mundo. Ela não se alimenta do que há nos jornais, na tevê, ela não se alimenta das notícias do presente, e sim das notícias do passado.A literatura cava, escava o passado. Nesse sentido o escritor é uma espécie de geólogo da memória – comentou ele ontem em uma entrevista concedida no hotel San Silvestre a este que vos fala.

Postado por Carlos André Moreira

O dia em que deu branco

29 de agosto de 2007 4

 Há um certo folclore a meu respeito de que eu sou um sujeito com boa memória – e às vezes até sou mesmo. Mas essa circunstância acabou por ser posta a prova de uma forma bem inesperada aqui na Jornada hoje.

Para ir um pouco adiante é preciso dar uma palhinha ao nosso distinto público de como é a rotina de nosso trabalho aqui no Circo da Cultura, nesta Passo Fundo que eu acho deliciosamente fria, e que a Larissa acha terrivelmente fria. A Jornada tem programação o dia inteiro, começando a partir das 8h30min. Portanto, de manhã, por volta de umas 9h30min, por aí, já estamos na Jornada, acompanhando as atividades matinais, entrevistas coletivas, cursos, os bate-papos com as escolas na tenda central. Lá por volta de meio-dia, mandamos algumas coisas que precisam ser editadas, como as nossas seções fixas, as primeiras fotos da manhã, uma ou outra nota. Às duas, provavelmente, nosso editor Ticiano Osório, conhecido como o %22tiranete das mãos sujas de sangue%22 já deve ter mandado pelo menos uns dois e-mails perguntando do resto do material, e a correria prossegue com telefonemas, entrevistas, assistindo a alguma coisa, rodando um pouco pelo circo em busca de material e tentando antecipar o que é possível dos textos grandes.

Lá por umas quatro da tarde os e-mails do Ticiano já ocupariam folgados uma tela inteira do servidor. E começam os problemas de conexão ou técnicos (este coió que vos fala apagou um texto inteiro por ter apertado num desses botões de teclado que desliga o computador automaticamente. O idiota que projetou isso provavelmente não usa o computador), os horários de entrevistas que colidem, a distribuição e redistribuição de tarefas, quem faz o quê, se eu, o Cléber Bertoncello ou a Larissa.

Hoje foi um dia mais ou menos assim: e às 18h30min eu tinha de falar com o Carlo Ginzburg esse sobre o qual escrevi aí antes. E mandar ainda o texto do Milton Hatoum que vocês vão ler amanhã, e mais outras duas coisas e o Ticiano mandando e-mail (já falei nisso?). Aí, quando eu finalmente consegui entrar no carro às 18h para ir em direção ao hotel San Silvestre, onde o Ginzburg (e nós também) está hospedado, a dor de cabeça era tanta que havia um vazio no meu cérebro. Por um breve instante, eu já não sabia nem o que diacho eu estava fazendo aqui.

Pense, eu me disse, pense. Por gosto ou dever de ofício já li três livros de Ginzburg, inclusive o Queijo e os Vermes, além de outras coisas que dialogam com seu trabalho. Mas naquele momento tudo havia sumido. Eu me peguei no carro indo para uma entrevista sem nada para perguntar. Vazio. Niente.

Chego ao hotel e o senhor Ginzburg desce, é gentil, afável, trocamos umas primeiras palavras discutindo em que idioma fazer a entrevista: eu não falo italiano, mas o Tadeu, nosso fotógrafo, fala, poderia ser intérprete, mas terminamos por conversar em inglês. Faço duas das perguntas mais idiotas e constrangedoras da minha carreira (a Larissa quis saber quais: %22o senhor já veio antes ao Rio Grande do Sul%22?, quando eu SABIA que ela já havia estado em Porto Alegre e %22o que ele estava achando de Passo Fundo?%22 quando ele provavelmente não estava achando nada por falta de tempo para sair dando banda). Finalmente, à medida que Ginzburg fala, ignorando a idiotice da abordagem inicial, vou me acalmando e tendo acesso a fios – rastros, o novo livro é O Fio e os Rastros, eis uma lembrança, algo em que se apegar - de informação boiando  na cabeça. Ele fala de uns nomes que me dizem algo, e a lembrança chega atrasada, mas chega. O papo vai fluindo e eu vou tendo a chance de salvar minha dignidade perante o entrevistado.

Quando a entrevista termina, já estou fluente o bastante para que o papo seja produtivo.

Ou assim espero. Vocês que lerem a matéria amanhã que me digam.

Agora dêem licença que eu vou ali ver se o Ticiano mandou mais um e-mail.

Postado por Carlos André Moreira

Vermes, fios e títulos com dois substantivos

29 de agosto de 2007 0

Reprodução
Que um moleiro como Menocchio tivesse chegado a formular idéias tão diversas das correntes, sem nenhuma influência, pareceu improvável aos inquisidores. Perguntou-se às testemunhas se Menocchio %22falara sério ou brincando ou se imitara alguém%22; pediu-se a Menocchio que revelasse os nomes dos %22companheiros%22. Porém, em ambos os casos, a resposta foi negaiva. Menocchio, em particular, declarou resolutamente: %22Senhor, nunca encontrei alguém que tivesse essas opiniões. As minhas opiniões saíram da minha própria cabeça%22. Mas ao menos em parte estava mentindo. Em 1598, com Ottavio Montereale (que, como se pode lembrar, havia sido o responsável indireto pela intervenção do Santo Ofício) disse ter ouvido que %22esse tal Menocchio teria aprendido suas heresias com um tal Nicola, pintor de Porcia%22, quando este estivera em Montereale para pintar a casa de um senhor De Lazzari, cunhado de dom Ottavio.Ora, o nome de Nicola já aparecera no primeiro processo, provocando uma visível reação de embaraço em Menocchio. Antes, contara que o havia encontrado durante a quaresma e que o tinha ouvido dizer que de fato estava jejuando, mas %22por medo%22 (Menocchio, ao contrário, alimentava-se com %22um pouco de leite, queijo e alguns ovos%22, atitude que justificava pela fraqueza da sua constituição física). Pouco depois, contudo, começara a falar, como se divagasse, sobre um livro que Nicola poussía, desviando o assunto.

O fragmento acima é de O Queijo e os Vermes, livro publicado originalmente em 1976 e hoje a obra mais conhecida do historiador italiano Carlo Ginzburg. É o relato minucioso do julgamento de um moleiro que, no século 17, foi acusado por heresia no Norte da Itália por afirmar que a purefação era a origem do mundo. O livro tem reedição recente na coleção de bolso da Companhia das Letras.

Ginzburg, que faz a grande conferência desta quinta-feira na jornada, falará sobre Arte e Política e está com livro novo na praça, a coletânea de ensaios O Fio e os Rastros (pelo visto siggnore Ginzburg tem um fraco pelos títulos com dois substantivos). Ah, sim, o livro é uma reunião de artigos que discutem as relações entre as categorias de %22verdadeiro, falso e fictício%22 no estudo histórico. Se eu estivesse com o livro aqui, o trecho acima seria dele, mas como eu não sou tartaruga e não tenho como carregar tanto livro para cima e para baixo, esse ficou aí em Porto Alegre. Mas em compensação, temos uma declaração do próprio autor sobre sua obra, obtida há um tempo por e-mail pelo colega Gabriel Brust. Ah, e não esqueçam de ler amanhã a matéria que sai no caderno da Jornada. vai abaixo, Ginzburg por Ginzburg:

 Em meu novo livro eu foco no relacionamento entre o verdadeiro, o falso e o fictício através de uma série de estudos de caso. Em um grau mais geral, eu diria que estes historiadores de hoje em dia evitam a complexidade dessa relação tripla. Historiadores que se aproximam do pós-modernismo   frequentemente focam no verdadeiro e no fictício, e tendenciosamente borram a distinção entre eles. Eles tendem a ignorar o falso, porque falsidade inevitavelmente incrementa o problema do verdadeiro. Eu reivindico que somente dirigindo-se aos três termos e a suas relações nós poderemos tentar entender a complexidade do mundo em que vivemos. Quando eu digo %22nós%22, me refiro não apenas a historiadores, mas a todos.

Postado por Carlos André Moreira