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A literatura segundo Nejar

28 de novembro de 2007 0

Carlos Nejar/Caroline da Fé / CMPA
– Eu sou dos que se comprometem. Eu corro o risco da ousadia.

Essa é a frase com a qual o escritor, poeta e integrante da Academia Brasileira de Letras Carlos Nejar define o projeto do livro História da Literatura Brasileira, que o imortal autografa hoje às 20h numa solenidade para convidados, algo sobre o que vocês devem ter lido na capa de hoje do Segundo Caderno de Zero Hora. Fruto de uma década de trabalho, o livro é a visão pessoal de Nejar sobre a criação literária brasileira, e, ressalta ele, a única obra do gênero levada a cabo no Brasil por alguém que é ao mesmo tempo um autor literário, ao contrário dos esforços de José Verissimo, de SIlvio Romero, de Antônio Cândido.

José Verissimo fez uma história da literatura, mas só pincela alguns autores, Alfredo Bosi faz uma história concisa da literatura. Mesmo Antônio Cândido, é um professor que se debruça sobre a literatura. Ele se rende a esquemas estabelecidos. Luciana Picchio fez uma história muito concisa. Nelson Werneck tem uma abordagem mais social. Minha história é a primeira na qual um criador, um poeta, revê e revisa a trajetória de outros criadores, detém-se na criação.

Uma história da literatura desperta polêmica quanto mais pessoal e veemente for o julgamento de seu autor – no Brasil o caso clássico é o de Silvio Romero, que em sua história da literatura desdenhou o contemporâneo Machado de Assis. Nejar também assume as suas posições pessoais, e diz ele próprio que está pronto para ser desmentido pela história. Mas ele próprio não se contenta com alguns julgamentos já cristalizados. No livro, ele resgata aspectos positivos e achados de Coelho Neto, Rui Barbosa e Olavo Bilac – três nomes execrados a partir do Modernismo

Os modernistas liquidaram Olavo Bilac. Aos poucos, vai-se tendo dele uma visão diferente. Muitos observam que Olavo Bilac é um grande versejador, mas ele não é só isso, é um poeta. Ao contrário, quando ele segue Alberto de Oliveira na firmeza marmórea dos versos, é um poeta menor, mas quando se liberta da forma pela forma é um criador de linguagem. Coelho Neto foi esmagado pelos modernistas, mas também há coisas válidas. Se verificares o estilo de Euclides da Cunha, vais ver que o estilo dele é rebuscado como o de Coelho Neto, e se verificares Guimarães Rosa, ele também é rebuscado, às vezes. O que os diferencia é o gênio. O escritor de gênios arrasta tudo, e Rosa e Euclides tinham o gênio que Coelho Neto não tinha, por isso nele o rebuscamento parece ser ressaltado.

Nejar também busca, ao avaliar a poesia e a prosa, o conteúdo, os jogos de sentido, menos do que a forma. Tal postura o leva a desprezar tanto os postulados dos parnasianos, por exemplo, quanto dos concretistas, ambos movimentos literários em pólos opostos do tratamento da forma (uns buscavam a inspiração na forma do passado longínquos, os outros queriam a forma revolucionária própria para a modernidade, ainda que tivessem também raízes eruditas ancestrais). Para Nejar, a forma pela forma é estéril. A poesia está é no conteúdo.

Postado por Carlos André Moreira

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