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Nova busca - outros

Maratona do Conhecimento

16 de janeiro de 2008 2


Em primeiro lugar, o que é o belo?
Para Scheling, é o infinito exprimindo-se pelo finito; para Reid, uma qualidade oculta; para Jouffroy, um fato indecomponível; para De Maiestre, o que agrada à virtude; para o padre André, o que convém à razão.
E existem vários tipo de belo: nas ciências, a geometria é bela; nos costumes, não se pode negar que a morte de Sócrates seja bela; no reino animal, a beleza do cão consiste em seu faro. Um porco não poderia ser belo, haja vista seus hábitos imundos; uma seprente tampouco, pois desperta em nós idéias de baixeza. As flores, as borboletas, as aves, podem ser belas. Enfim, a primeira condição do belo é a unidade na variedade, é este o princípio
.

O trecho acima, que muito se assemelha a uma dissertação sobre estética, é na verdade parte do romance-compêndio-enciclopédia-tratado Bouvard e Pécuchet, do mestre da prosa Gustave Flaubert – mais conhecido da multidão por Madame Bovary. Flaubert apresenta no romance – seu último – os parisienses de temperamentos antagônicos Bouvard e Pécuchet, que, ao se conhecerem, estabelecem uma grande relação de amizade pautada pela colaboração intelectual e pela busca do conhecimento. Quando um deles recebe uma herança, ambos decidem aproveitar o sustento agora garantido e mudar-se para uma quinta na Normandia, onde poderão se dedicar aos estudos científicos e filosóficos.

Com o pretexto dessa busca, Flaubert lança mão de sua monstruosa erudição para elaborar um catálogo dos saberes de seu tempo. Os dois descobrem um tema e saem perseguindo-no, com leituras, reflexões, tentativas de elaboração de uma síntese proveitosa, experiências de comprovação dessa síntese e enfado provocado pelo impasse que se segue ao fracasso em apreender a totalidade desse conhecimento. Não é a experiência pedante que você está pensando porque a dedicação das almas simplórias, embora curiosas, de Bouvard e Pécuchet é tratada com um humor de alto calibre.

Bouvard e Pécuchet ganhou edição recente pela Estação Liberdade, um belo trabalho que inclui ainda apontamentos e capítulos que Flaubert deixou escritos para um segundo volume que não chegou a concluir e um ensaio do também escritor Guy de Maupassant escrito quando da publicação da obra, em 1881, após a morte do autor.

Postado por Carlos André Moreira

Comentários (2)

  • luiz fernando de lellis diz: 17 de janeiro de 2008

    Carlos andre
    “mais do mesmo” vou reler e comento depois, poder ser? Gostaria de pedir desculpas pelas grosserias que escrevi acerca dos “plágios”, não deveria te me expressado naqueles termos.É feio. Quanto a A Gustav Flauber, li Bouvard e…hà muitos anos e o achei fantástico.É claro que vou reler a nova edição cheia de novidades. Grande abraço.
    Fernando

  • Carlos André Moreira diz: 19 de janeiro de 2008

    Tudo bem, Fernando. Até porque não vi impropriedade na sua manifestação. Foi veemente sim, mas não foi grosseira nem ofensiva à suscetibilidade de terceiros.
    Já Bouvard e Pécuchet é o que se costuma denominar um “romance-enciclopédia” e além de tudo escrito por um dos mais perfeccionistas estetas da palavra em todos os tempos. Continue nos prestigiando com tua visita. Um abraço.

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